Eloá, a última vítima do politicamente correto, da omissão do dever.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u461212.shtml
do Agora
O promotor Antonio Nobre Folgado disse ontem que os integrantes do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) não tinham autorização do gabinete de crise e de seus superiores para realizar o "tiro de neutralização" contra Lindemberg Fernandes Alves, 22 anos, que manteve por cem horas como refém Eloá Cristina Pimentel, 15, antes de matá-la em Santo André (Grande São Paulo).
 
 
Mas o grupo tinha autorização para invadir o cativeiro. Na sexta-feira, antes do desfecho do caso, o Gate decidiu que era hora de invadir o apartamento e começou a preparar a ação, que iria ocorrer de qualquer maneira naquele dia ou na manhã seguinte, mesmo se não houvesse disparo por parte do seqüestrador, diz o promotor.

As informações constam nos depoimentos de PMs que atuaram na operação e dos comandantes da Tropa de Choque, coronel Eduardo Félix, e do Gate, Adriano Giovaninni, anexados no inquérito da Polícia Civil.

O gabinete de crise era constantemente informado sobre o andamento da situação e seria formado pelo governador José Serra (PSDB), o secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, e a cúpula da Polícia Militar.

"O Gate estava preparando a invasão para algum momento, ela iria ocorrer de qualquer forma porque o Lindemberg não apresentou disposição para se entregar. Isso não precisa ser autorizado por um agente externo, é decisão deles no hora. A equipe tática esperava apenas o momento oportuno. Para disparar, eles já não tinham permissão", afirma Folgado.

Conforme o promotor, a decisão de que a invasão poderia ocorrer na sexta-feira foi comunicada ao gabinete de crise e decorreu de uma "seqüência de fatos diferentes" naquele dia. Segundo ele, os PMs entenderam que "aquele era o momento oportuno porque algum fator, e invadiram". "Se houve ou não o tiro, não vou entrar no mérito." Segundo Folgado, a barricada feita pelo seqüestrador pode ter sido o que definiu a decisão de invadir.

Em depoimento, a jovem Nayara Rodrigues, 15, que também foi mantida como refém e sobreviveu ao ser alvejada na boca, disse que Lindemberg arrastou uma mesa e um rack para trás da porta minutos antes da invasão do Gate. Policiais confirmam que perceberam a barricada cerca de três minutos antes da invasão.

Segundo Folgado, o jovem pode ter previsto que a invasão ocorreria naquele dia e por isso fez a barreira.

A data da reconstituição do assassinato de Eloá continua indefinida. Nayara, amiga da estudante morta, deve participar da encenação. O delegado-seccional de Santo André, Luiz Carlos dos Santos, disse que precisa receber os laudos e localizar a adolescente, que está no interior.

Outro lado

A Secretaria de Estado da Segurança Pública afirmou ontem que o Gate tinha total liberdade de ação durante os cinco dias do seqüestro e negou que houve qualquer interferência do titular da pasta, Ronaldo Marzagão, no desdobramento do caso.

A secretaria confirmou, porém, que o secretário e o governador José Serra (PSDB) eram informados constantemente sobre a situação, mas negou também que ambos não tenham autorizado o Gate a disparar contra Lindemberg, afirmando que a decisão, em última instância, cabe ao comando da operação no local e aos policiais, que possuíam melhor campo de visão sobre se poderiam acertar ou não Lindemberg.

A assessoria do Palácio dos Bandeirantes não respondeu se Serra estava ciente de que a invasão ocorreria, mesmo o fato tendo repercussões políticas.

A ação ocorreu um dia após um confronto entre as polícias Civil e Militar e uma semana antes do 2º turno das eleições municipais. A PM disse que só irá se manifestar após o fim das investigações.

TAHIANE STOCHERO, do Agora

 
 
 
 
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u461217.shtml
28/10/2008 - 10h26
PM substitui responsável por investigar atuação do Gate no caso Eloá
do Agora

O comando da Polícia Militar destituiu o coronel Eliseu Teixeira do cargo de presidente do IPM (Inquérito Policial Militar) que apura a conduta do Gate (Gate Grupo de Ações Táticas Especiais) no caso de cárcere privado que terminou com a morte de Eloá Cristina Pimentel, 15, em Santo André (Grande São Paulo).

Segundo a PM, a mudança ocorreu "devido à repercussão da coletiva" realizada após Nayara Rodrigues negar ter ouvido um disparo antes da invasão no apartamento em que ela e a amiga eram mantidas reféns pelo estudante Lindemberg Alves, 22.

Na entrevista, o coronel defendeu o Gate, afirmando que "o tiro [do seqüestrador, antes da invasão] não é o fator primordial" para avaliar se houve erro na conduta dos PMs. "Por enquanto, não vemos nenhuma falha", disse.

A PM não informou quem assumiu o cargo, e o Ministério Público designou o promotor José Roberto Julião para acompanhar a investigação.

 
 
 
 
 
 
http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid268100,0.htm

terça-feira, 28 de outubro de 2008, 09:53 | Online
PM troca coronel que vai investigar ação do Gate no caso Eloá

Coronel que comandava apuração emitiu opinião e foi afastado; promotor também vai acompanhar investigação

SÃO PAULO - O coronel da Polícia Militar, Eliseu Leite Morais, foi afastado das investigações sobre o seqüestro de Eloá Cristina Pimentel. Após o afastamento, o caso deve ser comandado pelo coronel Paulo César Franco. O afastamento aconteceu na sexta-feira, 24, conforme adiantou o Estado. Um dos motivos para o afastamento foi a exposição do coronel na mídia. O Ministério Público Estadual também designou um promotor para acompanhar a instrução do Inquérito Policial Militar (IPM) que investiga o seqüestro de quase 101 horas em Santo André, quando Lindemberg Alves, de 22 anos, manteve a ex-namorada refém. Na sexta-feira, 17, policiais do Gate invadiram o apartamento onde Eloá era mantida refém e o seqüestrador atirou contra ela e a amiga Nayara Rodrigues da Silva, ambas de 15 anos.

Além da exposição na mídia, o coronel também foi afastado por ter omitido sua opinião pessoal sobre o caso, segundo a PM. A decisão foi tomada, segundo a PM, por causa da repercussão da entrevista concedida pelo coronel Eliseu Leite de Moraes após o depoimento de Nayara. Antes mesmo de concluir a investigação, o oficial declarou não ter havido erros dos policiais no episódio que terminou com uma refém morta e outra ferida.

O inquérito sobre o seqüestro foi finalizado na sexta-feira, 24. Lindemberg Alves, de 22 anos, foi indiciado por quatro crimes por ter matado a ex-namorada, Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, após mantê-la, junto com a amiga Nayara Rodrigues da Silva, refém por mais de 100 horas. A surpresa foi o delegado Sergio Luditza, titular do 6.º Distrito Policial de Santo André, também ter indiciado o pai de Eloá, Everaldo Pereira dos Santos, por três crimes. A promotoria deve fazer denúncia até a próxima quinta-feira, 30.

No documento entregue ao promotor Antônio Nobre Folgado, Lindemberg é indiciado por homicídio doloso, pela morte de Eloá; duas tentativas de homicídio, por ele ter atirado em Nayara e contra um tenente da PM enquanto estava no cativeiro; porte ilegal de arma e periclitar a vida. Já o pai de Eloá, conhecido em São Paulo como Aldo José da Silva, foi indiciado por falsidade ideológica, porte de documento falso e porte ilegal de arma.

O pai da garota foi indiciado, segundo o delegado, por ter se apresentado a polícia com o nome falso no início do seqüestro e porque uma das armas usadas por Lindemberg no apartamento - uma espingarda - pertencia a ele. Santos está foragido da polícia de Alagoas, acusado de participar da chamada "gangue fardada". Na ficha dele constam quatro homicídios, entre eles o do delegado Ricardo Lessa - irmão do ex-governador Ronaldo Lessa. Segundo o delegado, Lessa investigava a "gangue fardada", grupo de extermínio formada por policiais, da qual o pai de Eloá faria parte. Ele foi cabo em Alagoas até 1993.

(Com informações de Solange Spigliatti, do estadao.com.br)
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