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Categoria: Diversos
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 Fonte: O Estado de São Paulo
Lugo pode fazer pouco por brasileiros, avalia Brasília

Diplomatas temem que possível onda de violência por parte de camponeses paraguaios resulte na morte de agricultores brasileiros. O Itamaraty avalia que o presidente paraguaio, Fernando Lugo, está de mãos atadas e não tem como contornar as ameaças dos movimentos camponeses de expulsar do país os agricultores brasileiros. Os diplomatas calculam, também, que uma possível onda de violência nos Departamentos de San Pedro e do Alto Paraná resultará na morte de cidadãos brasileiros.

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Para diplomatas que acompanham a situação no Paraguai, Lugo enfrenta um grave conflito político interno neste início de mandato. A preservação das atuais bases da relação bilateral ou a sua deterioração em uma crise diplomática será resultado direto de sua capacidade de dissipar a situação interna.

 

Nos cálculos do Itamaraty, cerca de 200 mil brasileiros estão sem nenhuma condição de se defender, em caso de invasões e outros atos de violência que possam ser desencadeados pelos movimentos de camponeses sem-terra do Paraguai. Os brasileiros são proprietários de minifúndios e fazendas de soja, muitos dos quais se instalaram no Paraguai nos anos 70 e têm filhos nascidos no país - reconhecidos como cidadãos do Brasil. Os poucos latifundiários brasileiros, ainda mais ameaçados, podem acirrar a violência com a reação de grupos armados.

 

O contingente brasileiro na zona rural é responsável pela quase totalidade da produção de soja do país, que alcançará cerca de 6,8 milhões de toneladas na safra 2008-2009.

 

Lugo se vê desafiado por segmentos mais radicais que o apoiaram quando conduzia a Diocese de San Pedro. Também está diante de um discurso mais radical de um velho aliado, o governador de San Pedro, José Ledesma, que defende a expulsão dos brasileiros em programas de rádio e, em maio, declarou que seria "implacável" nessa questão. "

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“Brasiguaios viram moeda de troca”

 

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=822214&tit=Brasiguaios-viram-moeda-de-troca

Celso Nascimento

Publicado em 28/10/2008 | Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

O presidente paraguaio Fernando Lugo já se convenceu da impossibilidade técnica e legal de fazer qualquer mudança no Tratado de Itaipu – principal mote da campanha que o levou a conquistar o governo paraguaio. O problema é que não pode reconhecer o fracasso sob pena de frustrar as fortes correntes políticas nacionalistas que embalaram sua ascensão ao poder e que vêem o Brasil como vilão imperialista que precisa ser enfrentado.

As negociações que se realizam em Foz do Iguaçu em torno das exigências que o Paraguai apresentou em relação a Itaipu já tomaram o ar de um jogo de faz-de-conta, segundo informam fontes da coluna. A última pá de cal na tentativa de Fernando Lugo de mexer no valor pago pelo Brasil pela energia que o Paraguai não usa – sua principal reivindicação – foi lançada pela crise financeira internacional. Não há mais como pensar no assunto agora, assim como nas demais exigências, algumas delas consideradas até estapafúrdias, como é o caso da construção de uma eclusa para transpor a gigantesca barragem da usina e tornar o Rio Paraná navegável em todo o seu curso.

Pois bem: como os paraguaios já notaram que o Tratado é "imexível" nos termos em que propuseram, o contencioso com o Brasil começa a se deslocar para outro ponto sensível. Agora, seus esforços caminham no sentido de tentar arrancar as vantagens possíveis utilizando os "brasiguaios" como massa de manobra.

O representante do presidente Lugo na comissão de negociação, Ricardo Canese, não poderia ser mais claro quando escreveu a respeito do clima de conflito entre sem-terra paraguaios e proprietários brasileiros de terras em seu país:

"A solução definitiva desse e outros conflitos sociais agudos no país têm como via incontornável a redefinição do papel e inserção de Itaipu na relação bilateral e regional e, por isso, o povo paraguaio espera ver essas tratativas finalizadas com o Brasil o mais breve possível."

A resposta do Brasil já aconteceu. O chanceler Celso Amorim mandou avisar que as negociações sobre Itaipu serão paralisadas caso o governo paraguaio não contenha a onda de violência contra os fazendeiros brasileiros radicados no Paraguai. O departamento onde os conflitos já assumiram teores mais explosivos é o de San Pedro – terra onde o ex-bispo Fernando Lugo exerceu o seu episcopado antes de lançar-se na política.

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