Em 1974 ou 1975, fui aluno de Raul Pont na Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Raul era professor de Sociologia. No entanto, no horário de intervalo, cooptava alunos para o MR-8, especialmente para colaborar com o jornal clandestino Em Tempo. Queria formar células do jornal na região metropolitana. Raul não era perseguido por ninguém. Trabalhava e ganhava o seu salário como qualquer outro professor. Era livre como um passarinho. Aliás, o Novo Campus da Unisinos ficava apenas dois quilômetros do quartel onde estava servindo o Coronel Ustra, em São Leopoldo, RS. (1)Poucos anos depois, Raul Pont foi um dos fundadores do PT e construiu carreira política como vice-prefeito de Porto Alegre. Hoje, dei de cara com esta notícia, na Folha Online:
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A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça aprovou nesta sexta-feira indenização de R$ 267.733,33 ao ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont (PT), 64, por ter sofrido perseguições durante o regime militar (1964-1985). Ele terá direito ainda a vencimentos mensais de R$ 2.000. No processo, o petista afirmou que foi impedido de tomar posse em um concurso da Petrobras por razões políticas. Hoje deputado estadual, Pont presidiu o Diretório Central de Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e foi preso duas vezes acusado de subversão durante a ditadura. Presente à sessão da comissão, que aconteceu ontem em Porto Alegre, o ex-prefeito afirmou que foi torturado no DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna) diante do comandante da unidade, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Ustra foi condenado por tortura e seqüestro em ação declaratória na primeira instância da Justiça de SP e pode recorrer da decisão. Durante a cerimônia na capital gaúcha, o ministro Tarso Genro (Justiça) assinou portaria que declara anistiado político o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro Leonel Brizola (1922-2004). "Com a anistia, o Estado brasileiro está reconhecendo sua mesquinhez e o arbítrio." Tarso voltou a afirmar que a "tortura não é crime político, mas crime contra a humanidade", mas declarou que Lei da Anistia, que abrange tanto ex-membros do regime quanto opositores de esquerda, não está em discussão. A comissão declarou anistiados ontem mais sete pessoas que, juntas, receberão indenizações que somam R$ 1,2 milhão. As reparações começam a ser pagas em três meses.  
 
 O coronel Ustra comandou o 16 GAC,  em São Leopoldo nos anos de 1978 e 1979
  Fonte Coturno Noturno
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