O Globo
Cinco das explosões ocorrem simultaneamente. Atentados provocam caos na capital colombiana
BOGOTÁ. Cinco bombas explodiram ontem simultaneamente em diferentes pontos de Bogotá, por volta das 13h, deixando 16 pessoas feridas, no momento em que acontecia uma passeata de servidores públicos em greve. As explosões, causadas por bombas de baixa intensidade, aconteceram junto à Embaixada do Peru e da Alemanha, a uma filial do Citibank, a uma lanchonete da rede McDonald's e perto de uma unidade militar no norte de Bogotá, entre outros pontos da capital colombiana. Pouco antes das 16h, uma sexta explosão foi registrada próximo ao centro comercial Unicentro. Apesar dos danos materiais, a sexta bomba não deixou feridos.

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- Infelizmente houve uma situação em que foram ativados de maneira simultânea vários artefatos, colocados em cestas de lixo. São explosivos de 250 a 500 gramas - explicou o diretor de Polícia Metropolitana de Bogotá, general Rodolfo Palomino.


Responsáveis ainda são desconhecidos

Autoridades ofereceram o equivalente a US$21 mil por informações que levassem aos responsáveis pelos atentados, informou o prefeito de Bogotá, Samuel Moreno.

Foram usados temporizadores para que as cinco explosões ocorressem ao mesmo tempo, informou a secretária de Governo, Clara López, que pediu calma à população. A polícia recomendou à população que se afaste das cestas de lixo e de bolsas ou sacolas abandonadas nas ruas.


Dos feridos, pelo menos dois estavam perto da Embaixada do Peru. Todos foram levados para hospitais.

- São bombas de baixo poder, com pouca capacidade de causar danos mas fazendo muito barulho - disse um policial.

Numa zona residencial, a explosão quebrou vidros de janelas de edifícios próximos.

O administrador regional de Usaquén, Juan Pablo Camacho, condenou as explosões, ressaltando que uma delas ocorreu num parque entre uma área residencial e um centro comercial, pondo em risco a vida da população civil.

- É um ato de terrorismo que busca desestabilizar a percepção de segurança dos cidadãos - disse Camacho.

A Colômbia vive um longo conflito interno contra as guerrilhas e o narcotráfico, mas ninguém havia reivindicado a autoria dos ataques.

As explosões transformaram ontem num dia de caos em Bogotá, onde já ocorriam manifestações de funcionários que faziam uma greve geral. A polícia isolou várias áreas e reforçou a segurança em missões diplomáticas, enquanto buscava mais explosivos. Autoridades disseram que seria prematuro vincular as explosões à greve do funcionalismo público, à marcha indígena que começou na terça-feira ou à paralisação dos cortadores de cana-de-açúcar no departamento do Valle del Cauca.

Depois dos atentados, o presidente Álvaro Uribe ligou para líderes indígenas e marcou uma reunião para discutir as reivindicações do grupo no domingo, em Cali, cidade final da marcha de protesto da qual participam cerca de 10 mil pessoas. A Central Unitária dos Trabalhadores (CUT) reclama um reajuste de 15%.

- Ainda não identificamos um grupo como autor ou responsável pelos atos - acrescentou Palomino, descartando que os ataques estivessem dirigidos às embaixadas ou a uma personalidade em especial.

 

Polícia desativa explosivos no caminho de indígenas

Enquanto isso, no sudeste do país, a polícia desativou seis explosivos colocados ao longo da Estrada Panamericana por onde passa a marcha com 20 mil indígenas, em direção a Cáli. Eles reclamam a posse das terras e protestam contra a violência contra seus povos. Confrontos entre a polícia e manifestantes deixaram três mortos na última semana. O presidente Uribe afirma que as mortes foram causadas pela explosão de uma bomba artesanal, mas líderes do movimento dizem que eles foram mortos por tiros de policiais.
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