Tony Andreo Villela, um herói que extinguiu tudo o que tinha de mais valioso em troca da vida de quatro estranhos. Em tempos de decepções com a nossa espécie, são atos de altruísmo como esse, que renovam a nossas esperanças. Continuo com a certeza que os melhores brasileiros do passado e do presente, foram e são anônimos.
Por Alexandre Garcia
Semana passada, o prefeito do Guarujá decretou luto por três dias pela morte de um herói: o surfista Tony Andreo Villela de 32 anos, que havia resgatado quatro pessoas que o mar estava levando e, em troca, ofereceu a vida dele. Cansado, não conseguiu voltar. Os jornais o chamaram justamente de herói.

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Foi uma exceção. Amyr Klink atravessou sozinho, remando, o Atlântico Sul, da Namíbia à Bahia, e não caiu sobre ele um só pedacinho de papel picado na Avenida Rio Branco ou na Paulista. Se ele fosse americano, teria recepção de herói, com parada na Quinta Avenida. Os americanos cultivam seus heróis; eles levantam o orgulho do país, ajudam a manter o pratriotismo. Além disso, os heróis são exemplos.

Aqui no Brasil, sem querer ou por ignorância, fazemos de Fernandinho Beira-Mar um herói para os meninos da periferia. Quando a mocóila repórter se coloca na frente do prédio da Justiça do Rio e anuncia que há um juiz esperando há duas horas por Fernandinho Beira-Mar, que vai chegar de avião especial do presídio de Catanduva, está dizendo aos meninos do morro que esse é um homem importante, que faz um juiz esperar, que tem um avião à sua disposição. E os meninos passam a sonhar em ser, um dia, como o Beira-Mar. Aliás isso é apenas repetição do que já aconteceu com o Pareja, o Boca-Mole e outros tantos da mesma laia.

Quando acontece o contrário, é um deus-nos-acuda. Semana passada, em Brasília, o policial civil Rodrigo Botelho ia depositar R$ 2 mil numa agência bancária, quando foi atacado por três assaltantes armados. Teve que entregar a bolsa.

Quando eles iam sair, de moto, no outro lado da rua, ele se identificou e deu-lhes voz de prisão. Os bandidos sacaram as armas e o policial atirou. Matou dois e imobilizou o terceiro com tiros que quebraram os dois braços do bandido. Quando lembrei que se fosse nos Estados Unidos o governador chamaria o herói para pregar-lhe uma medalha no peito, meus colegas só faltaram me linchar. Aqui, ao contrário dos Estados Unidos, parece que torcemos pelo lado errado, pelo mesmo motivo pelo qual não cultivamos heróis.

Há menos de um mês, um condenado por assalto, foragido do presídio, assaltou uma farmácia no Distrito Federal e manteve a balconista com um revólver na cabeça por cinco horas. Finalmente, quando ele disse a ela ‘agora eu vou te matar’, ouviu-se um tiro e o bandido caiu no chão, morto. Na ocasião, eu disse que o episódio tivera um ‘final feliz’. Afinal, a mocinha fora salva o bandido, morto e a lei triunfara. Mas a patrulha do politicamente correto rosnou furiosa, porque havia morrido um ser humano.

Uma professora me abordou para perguntar por que eu chamava o rapaz de criminoso. Expliquei que havia dois motivos: ele já fora condenado por crime e era foragido; e estava em plena prática do crime.

Aí ela argumentou que sendo católica, não poderia admitir que matassem uma pessoa. Perguntei a ela para onde imaginava que o bandido fora depois da morte - se para o céu ou para o inferno. E ela não quis mais conversa. Foi ensinar direitos humanos dos bandidos a seus alunos. E as vítimas que se danem, embora sendo maioria.

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