Editorial Folha de São Paulo - 26/07/2016
O que deveria ser uma celebração começou com constrangimento. Eis o saldo da abertura, neste fim de semana, da Vila dos Atletas que abrigará os desportistas vindos para a Olimpíada do Rio.
Com a chegada das primeiras delegações nacionais surgiram também as queixas sobre as más condições de parte dos apartamentos.
{jcomments off}A reclamação mais forte partiu da equipe australiana, que considerou inabitáveis os locais designados. Havia banheiros inoperantes, vazamentos, fiações elétricas expostas, falta de iluminação e sujeira. A chefe da delegação australiana declarou ser impossível os atletas do país ocuparem por ora seus alojamentos.
 
 
A seleção feminina de futebol da Suécia também postergou a entrada na vila. A exemplo dos australianos, hospeda-se em hotéis até que as falhas sejam sanadas.
 
Outros contingentes nacionais, incluindo o do Brasil, contrataram por conta própria profissionais para realizar obras de acabamento antes da chegada de seus atletas.
 
Diante das mazelas, a entidade organizadora da Rio-2016 criou uma força-tarefa com mais de 500 pessoas, que devem trabalhar sem interrupção para tentar concluir todos os reparos até quinta-feira (28).
 
Embora lamentáveis, as falhas não parecem ser generalizadas, como sugerem declarações elogiosas de outras delegações. Problemas no início, ademais, não são incomuns num empreendimento de tamanha magnitude.
 
Localizada em Jacarepaguá, a Vila dos Atletas é composta por 3.604 apartamentos em 31 edifícios de 17 andares. Durante os Jogos, o complexo receberá até 17,9 mil desportistas e integrantes de equipes técnicas de 206 países.
 
Os problemas, é evidente, maculam a imagem dos Jogos no Rio. Ela já havia sido abalada pelo fracasso da meta de despoluição da baía de Guanabara, sede das competições de vela. Houve ainda a trágica queda de trecho da ciclovia na avenida Niemeyer, com dois mortos.
 
Também concorrem para isso, decerto, as declarações no mínimo desastradas de autoridades brasileiras. Ao comentar a recusa da Austrália em ocupar seus apartamentos, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), disse que estava "quase botando um canguru na frente do prédio" do país, para que os atletas se sentissem em casa.
 
Não foi a primeira vez que o alcaide pecou pela inconveniência. Apesar de ele ter recuado após a repercussão da frase, sua atitude é incompreensível em quem responde pela sede dos Jogos e busca usar esse trampolim para alçar voos mais altos na política.

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