Eu deveria estar contente. Afinal, desde o ano de 2002, quando se desenrolava a campanha eleitoral para a presidência da república, eu tentava mostrar às pessoas do meu relacionamento o erro que seria permitir a ascensão do Partido dos Trabalhadores, apoiado desde a primeira hora pelo Partido Comunista do Brasil, ao poder, com Lula. 

{jcomments off}Sentado à frente do meu computador despachava naquela oportunidade emails para a minha lista de correspondentes, na expectativa que lessem e encaminhassem para os seus endereços o que eu chamava de pílulas anti-Lula, nas quais alertava para as idiossincrasias do discurso do candidato, sua absoluta falta de preparo para o cargo o qual já tentara três vezes antes, bem como o que aquela coligação ideológica de esquerda trazia desde a criação do Foro de São Paulo.

Se hoje em dia poucos são os que conhecem a organização gramscista determinada a tomar o poder em toda a América Latina, na qual o Brasil por certo seria a cereja do bolo, imagina naquela época. Percebam que desde então, o aparelhamento do Estado já estava em andamento. Hoje, ao assistir um dos discursos na sessão do Senado Federal, vibro em verificar a menção ao projeto de eternização do poder pelas esquerdas. Finalmente, penso eu!
Enfim, naquele 2002, Duda Mendonça transformou o "sapo barbudo" em Lulinha paz e amor, com barba aparada e terno recortado e o fez assinar a Carta aos Brasileiros. Foi eleito, tomou posse com a esperança de milhões iludidos brasileiros e começou de pronto a executar o projeto político, utilizando-se do "capitão do time" e tarefeiros. Atingiu o objetivo, até porque se serviu da estabilidade proporcionada pelo governo anterior e surfou na onda que combinou a expansão chinesa com os preços das commodities.

A onda quase se esfarelou na praia com o mensalão. A oposição fraquejou, Lula jogou alguns companheiros ao mar e se reelegeu. Com Zé Dirceu fora, teve que arrumar um substituto e sua esperteza vislumbrou numa mulher a oportunidade de continuidade do projeto. Supostamente combativa era lhe serviria para um interregno de 4 anos. Com uma muito bem sucedida campanha de marquetagem, irrigada com substanciais recursos das caixas 1, 2 e quantos números mais, alcançou quase unanimidade nacional e elegeu o poste.

Lembro-me que era pecado capital dizer que você era contra aquele status quo. As pessoas estavam absolutamente cegas e algumas assim permanecem até hoje. Esgrimem números que aparentam ser excelentes, não sei quantos brasileiros fora da linha de pobreza, não sei quantas casas do programa habitacional, não sei quantos jovens matriculados nas não sei quantas universidades criadas etc. Mas, eu pergunto: quão melhores seriam estes números, se os recursos tivessem sido bem aplicados ao invés de desviados? Todo o esquema de obras da Petrobras, compartilhado com partidos aliados, o esquema Eletrobras, os empréstimos via BNDES para os países amigos, bolivarianos por suposto, e empresas mais amigas ainda, daqui mesmo, boa parte desvendada pela Operação Lava Jato e muito mais que ainda virá à tona.

A operação para a reeleição da criatura, que gostou da experiência e refutou o criador, foi aquela descrita como "fazer o diabo" para vencer. O resultado teve o epílogo ontem, com o afastamento da presidente, em mais um ato que denegriu a imagem e a liturgia do cargo que tem o seu cerimonial e do qual imagina-se o governante deva respeitar.

Por isso tenho encarecido a presidente que renuncie! Abrevie o processo, até porque caso pronunciada não mais poderá fazê-lo e as consequências serão piores.

Finalizo na expectativa que a população brasileira pense, leia e reflita para colocar em prática, já agora em outubro, uma atitude mais pró-ativa em relação às eleições, escoimando os candidatos e os partidos de esquerda cujos postulados, embora aparentem ser democráticos, não o são, bastando para comprovar fazer a leitura dos estatutos e outros documentos para verificar esta assertiva. Além disso, face a pletora de partidos existentes no Brasil, muitos petistas sentiram que suas carreiras políticas poderiam ser seriamente prejudicadas e, aproveitando-se da benevolência da legislação brasileira mudaram de agremiação. Olha vivo neles.

Enfim, amigos eu deveria estar contente, mas estou ansioso para que se consiga fazer uma arrumação na casa Brasil, cuja regressão em números será difícil de medir, e que se venha retomar a senda do desenvolvimento que atenda verdadeiramente os anseios de toda a sociedade brasileira, sem falsas divisões, impostas por uma pauta politicamente correta.

Rio de Janeiro, 13 de maio de 2016
Marco Antonio Esteves Balbi

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