General- de-Exército Armando Luiz Malan de Paiva Chaves
É com muita tristeza que me imponho o dever de homenagear o amigo há dois dias falecido. Precisei deste tempo para ganhar a coragem necessária, já que a infausta notícia me tomou totalmente de surpresa. Sabia-o há anos enfrentando a dura batalha de aliviar penas de uma coluna vertebral contundida pelo paraquedismo militar, que levava às pernas dores difíceis de suportar. Porém não lhe conhecia nenhum outro mal. Indo ao Rio de Janeiro para comemorar o Natal com meus irmãos e famílias, tentei visitá-lo, como costumeiramente, sempre que lá vou. Depois de muitas tentativas, pelos celulares do casal e telefones fixos da residência, consegui trocar com ele umas poucas palavras, em que me dizia não nos podermos encontrar, pois tinha marcada uma consulta médica. Deixei a cidade intrigado e preocupado. Chegado a destino, vali-me do fim-de-ano para fazer votos e aclarar minha preocupação. Todos os seus telefones estavam em caixa de mensagem. Deixei a minha, porém a preocupação permaneceu, até a ligação de outro camarada e amigo, que me trouxe a trágica notícia, sem poder esclarecer as causas.

 

Foi-se o amigo, para a bemaventurança eterna. Amigo a que me ligava uma afeição de pai para filho, tantas as afinidades, tantos os serviços prestados, tantas as gentilezas, as datas sempre lembradas, os aplausos nem merecidos, a lealdade nunca tisnada.

Não foi o destino que aproximou nossas vidas. Foi sua fé-de-ofício, seu valor, sua personalidade que me levou a telefonar-lhe para Washington, D.C., onde terminava a missão de adido militar e convidá-lo, sem conhecê-lo com intimidade, para ser meu assistente-secretário na chefia do então Departamento de Material Bélico. Foi-me de grande valia. Posso assegurar que muitos dos resultados alcançados se deveram à contribuição de seu assessoramento.

Rompeu-se o liame profissional quando deixei o serviço ativo. Porém jamais o afetivo. Pouco tempo depois, promovido a general, deu-me a honra de ser seu padrinho de espada. Entreguei-lhe a espada que fora de meu pai e que eu próprio usara no generalato.

Anos depois, passando à Reserva, propôs-me que a espada fosse doada à então Escola de Material Bélico, crescida do embrião fundado por meu pai - o Centro de Instrução de Motorização e Mecanização. E para lá ela foi, constituindo a peça de honra do pequeno museu da atual Escola de Logística de Sargentos.

Castro deu também providencial e valiosa contribuição ao livro que compuz sobre meu pai. General-de-Exército, foi nomeado assistente militar brasileiro na ONU. Recorri a ele, pedindo que pesquisasse nos arquivos da Organização referências ao Paiva Chaves que, General-de-Divisão, fora Comandante da Força de Emergência das Naçóes Unidas no Oriente Médio. E remeteu-me copioso e valioso cabedal, muito útil na feitura da obra.

Falar da dimensão física, intelectual, profissional, moral e familiar do meu querido amigo exigiria também um livro, que não me atrevo a escrever, por só ter privado de sua convivência quando ele já era coronel. Espero que quem o conheceu desde os bancos escolares se disponha a relatar a vida do grande homem e grande soldado.

Sejam minhas últimas palavras o preito de homenagem a Sandra, sua esposa. A todo homem de vulto, a todo soldado de escol, está sempre próxima a presença de uma grande mulher. E Castro, para criar e educar filhos e netos, fez par insubstituível com sua dedicada e inseparável Sandra. Queira Deus que a saudade e a tristeza dela sejam em parte compensadas pelas boas lembranças de uma feliz vida conjugal.

 

General- de-Exército Armando Luiz Malan de Paiva Chaves

 

 

 

Comentários  
#1 LER.CALAMANDREI 12-01-2016 16:24
Nossos sentimentos de paraquedistas à Exma. família - convivemos na 1ª DE (Vila Militar do RJ) - foi exemplar, líder, Cmt Bda Inf Pqdt - um dos nossos heróis que nos deixa para a eternidade (...) - muita tristeza (...) - Brasil Acima de Tudo!
Agradecido!
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