Recebido por e.mail - Nome do Sr Procurador de Justiça substituído por iniciais por questão de segurança.  
Prezado Sr. Cel Carlos Alberto Brilhante Ustra. 21/08/15
Sou procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo, aposentado, estou lendo, pela 2ª vez, o livro A Verdade Sufocada, de sua autoria, sendo que no capítulo “A VAR-Palmares e os jovens” há uma referência à senhora Zuleika Sucupira, descrita como representante do Juizado de Menores (págs. 422/423).
Vou fazer um esclarecimento e fornecer mais um forte argumento no sentido de confirmar que a atriz Bete Mendes mentiu.
A bem da verdade, a senhora referenciada é a Exmª. Srª. Drª. Zuleika Sucupira Kenworth, atualmente procuradora de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo, aposentada, que já ultrapassou os 100 anos de idade e se encontra lúcida. Ela foi a primeira mulher a ser aprovada em um Concurso de Ingresso no Ministério Público e é uma lenda viva na Instituição.

 

O esclarecimento a que fiz alusão é que na época em que ela compareceu ao DOI, ou seja, durante o período em que a atriz Bete Mendes esteve recolhida, a Drª Zuleika não era uma representante do Juizado de Menores e sim representante do Ministério Público do Estado de São Paulo, uma vez que ocupava o cargo de promotora pública (atualmente o cargo denomina-se promotora de Justiça), salientando-se que a Drª Zuleika ingressou no Ministério Público em 01/08/1946 e aposentou em 14/02/1976. Logo, no ano de 1970, tratava-se de uma promotora pública com vinte e quatro anos de experiência na profissão. Ora, como declarou ao jornal O Estado de São Paulo, a Drª Zuleika teve contatos com os jovens e obviamente perguntou sobre fatos relacionados à prisão, inclusive eventuais pressões psicológicas e maus tratos, contudo não encontrou irregularidades; caso contrário não teria feito declarações positivas ao jornal e se as tivesse constatado teria tomado providências, pessoalmente ou através da Procuradoria-Geral de Justiça, eis que a omissão constituiria grave violação dos deveres funcionais e, dependendo das circunstâncias, caracterizaria o crime de prevaricação.

Em consequência, posso afirmar, com absoluta convicção, que os jovens que se encontravam sob custódia estavam sendo ASSISTIDOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO, daí porque está afastada qualquer possibilidade de tortura, pressão psicológica, violação, etc.

Logo, a narrativa da atriz Bete Mendes, após o encontro na embaixada brasileira no Uruguai, é bazófia, conversa fiada, mentira, uma versão pueril que contraria o raciocínio lógico e tenta subestimar a inteligência alheia.

Espero ter contribuído com o esclarecimento dos fatos.

Favor confirmar o recebimento desta mensagem.

Um grande abraço.

E B. C..
Procurador de Justiça Aposentado

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