Osmar José de Barros Ribeiro - 29/12/14 
Tudo começou em 1988, ao ser aprovada a atual Constituição. Ao seu Art. 4º, tratando dos princípios que devem reger nossas relações internacionais, foi acrescentado um parágrafo único rezando: A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.
Considerando que àquela altura a URSS caminhava para o fim, bem como os acontecimentos posteriores no que respeita às nossas relações com os países da América do Sul e do Caribe, fica meridianamente claro que a esquerda internacional estava, com tal parágrafo único, tão somente abrindo caminho para o surgimento do Foro de São Paulo (FSP) e, depois, da União das Nações Sul-americanas (UNASUL).
Parece óbvio que o encontro de Lula e Fidel Castro, quando da decisão de criar o FSP, foi precedido de negociações entre Marco Aurélio Garcia (MAG) e representantes do Partido Comunista Cubano (PCC), haja vista as seguidas viagens ao exterior do assessor especial de Lula para assuntos internacionais. Por outro lado, considerar que a vinda de Fidel ao Brasil tenha sido para conhecer pessoalmente o petista, soa inverossímil. O jogo estava feito e ambos apenas deram início à partida. Assinale-se, por pertinente, que foi o próprio Fidel que afirmou pretender recriar na América Latina o que se perdeu no Leste Europeu
A aliança com Cuba, a ação de MAG e do PCC, tudo foi confirmado por Lula, já em seu segundo mandato presidencial quando, em 2011, na 17ª Reunião do Foro, afirmou: E de coração eu quero dizer pra vocês que uma das forças políticas que mais contribuiu para que nós chegássemos a construir o que nós construímos foram os companheiros do partido comunista cubano, que sempre tiveram paciência e experiência de nos ajudar. Não posso desmerecer o trabalho do companheiro Marco Aurélio Garcia, que hoje está no governo, não está aqui, mas que participou de quase todas as reuniões do Foro de São Paulo.
Desde o Encontro acontecido no México, em 1991, o FSP propôs-se a trabalhar na busca da integração continental, buscando consenso nas ações promovidas pela esquerda, o que foi extremamente facilitado pela eleição de mandatários afinados com tal propósito. O Brasil, maior potência econômica da região, foi o mais explorado pelos vizinhos: a Bolívia, tendo ocupado militarmente as instalações da Petrobras naquele país, além da “compreensão” de Lula por tal atitude, recebeu um aumento no valor do gás exportado para nós; o Paraguai, à época presidido por Fernando Lugo, reivindicou e conseguiu a renegociação do tratado de criação da Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional, aumentando o valor da parcela de energia vendida ao Brasil; a Argentina, com sérios problemas econômicos, vem causando seguidos prejuízos aos exportadores brasileiros, sempre contando com a compreensão do nosso governo; Cuba (sempre ela) recebe royalties pelo envio de profissionais dentro do Programa Mais Médicos e o financiamento de obras no porto de Mariel; o BNDES financia metrôs e rodovias em outros países, etc.
Em resumo, a atual situação econômica do Brasil é crítica, graças à nossa adesão ao FSP, origem de todos os problemas com os quais lutamos.

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