Tânia Monteiro - Brasília
- O Estado de S. Paulo
- 06 Dezembro 2014
O sentimento existente na cúpula das Forças Armadas, particularmente no Exército, às vésperas da divulgação do relatório da Comissão Nacional da Verdade, é de irritação e insatisfação.
Os ataques feitos aos militares por integrantes da comissão, que insistem que os comandos das Forças têm de reconhecer que cometeram violações aos direitos humanos, o que é rechaçado por todos, incomoda muito os oficiais-generais da ativa, segundo depoimentos reunidos pelo Estado.

 

Eles desqualificam o trabalho que está sendo realizado, alegando que a comissão agiu de forma "unilateral", desprezando o "outro lado da história". Para os militares, a comissão funcionou como um "tribunal de exceção" que quer "empurrar goela abaixo dos brasileiros uma história que não é verdadeira porque só tem um lado". Um dos generais ouvidos pelo Estado afirmou que isso não cabe e não pode ser aceito em um país democrático como o Brasil.

 A própria presidente Dilma Rousseff, que receberá oficialmente o relatório final na próxima quarta-feira, já sinalizou que não quer, neste momento delicado de economia fragilizada, abrir um novo flanco de problema, em uma área que não lhe dá dor de cabeça. Por isso mesmo, de acordo com um interlocutor direto de Dilma, o tom da presidente sobre este assunto, neste momento, é de conciliação. 

Os generais consultados pelo Estado foram unânimes em afirmar que o momento é de espera para avaliação do que será apresentado. Segundo um oficial-general da ativa, que não pode se manifestar publicamente, se houver um ataque frontal, será preciso tomar providências, "mas tudo pelos caminhos normais, legais, seguindo a hierarquia, sem nada que afronte a lei ou os princípios democráticos". 

Nos comandos militares, o entendimento é que o Ministério da Defesa está conduzindo a questão de forma satisfatória e não tem nenhum interesse em alimentar uma crise. Portanto, a expectativa é de que as respostas venham exatamente pelo ministro ou o Ministério da Defesa, que falariam politicamente em nome das Forças Armadas. O que mais tranquiliza os militares é a determinação de que não há espaço para qualquer alteração ou revogação da Lei da Anistia. 

Comentário do Gen Ex José Carlos Lins Leite
“É oportuno lembrar o que ensina Sun Tzu: “Se conhecemos o inimigo (adversário, no caso) e a nós mesmos, não precisamos temer o resultado de uma centena de combates (embates no caso). Se nos conhecemos, mas não ao inimigo (adversário, no caso), para cada vitória sofreremos uma derrota.” Mutatis mutandi, quem conhece a presidente Dilma há de saber que ela sabe recuar quando lhe é conveniente, mas sem mudar de objetivo e, portanto, não se engane com ela que sempre apoiou a hipócrita CNV (Comissão Nacional da Verdade) e assim permanecerá sem nenhuma dúvida. Por outro lado, é ainda de Sun Tzu: “Se não nos conhecemos nem ao inimigo (adversário, no caso), sucumbiremos em todas as batalhas.” Na conjuntura brasileira, só não sabe quem não quer que a esquerda raivosa e revanchista pouco se interessa pelos “caminhos normais e legais” haja vista que proclamam repetidamente que “os fins justificam os meios”. E o ministro da Defesa? Esse jamais vestiu nem vestirá a camisa dos militares, pois trata-se de um político incapaz de lutar pelos ideais castrenses. O ex-ministro Nelson Jobim fez um acordo para que a CNV investigasse os dois lados que se defrontaram no passado e para que fosse respeitada a Lei da Anistia referendada pelo STF, mas no entanto a esquerda desrespeitou e desrespeita à toda hora, por diversas autoridades governamentais, o tal acordo e nunca se soube de qualquer reação do MD. Que tal o novo site lançado pelo governo sobre o “período da ditadura”, contendo planos de aula e material didático com o propósito de reescrever a história?  Mantidos os objetivos, poderá mudar a estratégia com a entrada em cena de um aparelhado e novo STF... Deus queira que eu esteja equivocado.”

 

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