Imprimir
Categoria: Luta armada
Acessos: 2218

Relação das Vítimas  
 Carlos Ilich Santos Azambuja
Muito interessante a leitura do que escreveu o historiador Carlos Ilich Santos Azambuja para Ricardo Noblat.
Ricardo Noblat: Você publicou em sua coluna os nomes dos 362 mortos e desaparecidos durante a luta armada que teve início com o atentado no Aeroporto dos Guararapes em 1966, que matou duas pessoas e feriu 17, Então, ainda não havia AI-5.
Você deveria publicar também que o terrorismo teve início em 1961, ainda no governo Jânio Quadros, quando o primeiro grupo de terroristas foi enviado à China para receber treinamento de guerrilhas.

Você sabia disso? Se não sabia bastava ler O Globo da época! Você deveria publicar também os nomes das 130 vítimas do terrorismo aloprado.
Para saber seus nomes bastaria ler O Globo! Você sabia que os terroristas praticaram sequestros de aviões e de autoridades estrangeiras (embaixadores da Alemanha, da Suiça e o Cônsul do Japão) e brasileiras (Salles, Alonso, Beltran Martinez, Olivetto e Abilio Diniz), assaltos, assassinatos e justiçamentos, alguns de seus próprios companheiros? Se não sabia, como o Lula, bastaria ler O Globo da época!

Você não publicou que a Organização VPR, à qual pertencia a presidentA da República mandou pelos ares o Soldado Mario Kosel Filho, sentinela de uma Organização militar em SP, que trucidou a coronhadas o Ten Mendes, da PMSP, no Vale da Ribeira, o Capitão Chandler, na frente de sua mulher e seus flhos, em São Paulo — um dos matadores, anistiado e recompensado financeiramente, não se cansa de dar entrevistas a jornais, inclusive ao O Globo —, do Major da Alemanha, aluno da ECEME, na Praia Vermelha, do marinheiro inglês (que não me lembro o nome, mas Você pode buscar no google).
Você sabia disso? Se não sabia, bastava ler O Globo da época.

Você deveria escrever também sobre os justiçamentos, como os de Hening Boilesen, e dos próprios companheiros, como Marcio Leite Toledo, metralhado nas ruas de São Paulo por um seu companheiro da ALN que nunca foi preso.
Se não sabia, bastava ler O Globo da época.

Você deveria escrever sobre a insana Guerrilha do Araguaia, onde o primeiro a ser morto foi um militar do Exército, Se não sabia, bastava ler O Globo.
Enfim, O Globo perdeu credibilidade, alegando que o apoio à Revolução — inclusive em artigo assinado pelo próprio Roberto Marinho — foi “um erro editorial”.
Agora, como a (C) Omissão da Verdade, o jornal atira em uma única direção para posar de bom moço para o Partido dos petralhas que atualmente desgoverna o país (basta ler O Globo).

O Globo transformou-se em um jornal escroto graças a seus redatores de agora que ignoram o passado e o seu fundador Roberto Marinho! Tudo isso eu escrevi ontem em carta para o Globo, mas como a carta não continha elogios, não foi publicada.
Carlos Ilich Santos Azambuja