Prezado Senador Bispo Marcelo Crivella, em 2007 o senhor procurou a Prefeitua pois havia negociado com o Ministério das Cidades R$ 12 milhões para implantar o projeto Cimento Social no morro da Providência. O Cimento Social era seu principal programa de governo quando o senhor foi candidato a Prefeito do Rio em 2004. Passou várias vezes em seu programa Eleitoral. Lembra?

 

 

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O senhor conseguiu os recursos e a Prefeitura entendia que precisava garantir que os moradores da Providência de fato tivessem suas casas reformadas.

Assim eu e o senhor estivemos na Comunidade em uma ampla Assembléia com a comunidade. Lembra?

Depois o Ministério das Cidades me ligou e informou que tínhamos que cadastrar o projeto em 24 horas. Fizemos na mesma hora pois nossa preocupação era com a população.

Percebi que o senhor começou a se desencantar da Prefeitura quando em seu gabinete no Senado eu lhe disse que as obras deveriam começar pelas áreas mais pobres da Providência como a Pedra Lisa, por exemplo.
Que a prioridade seriam as Famílias do Bolsa Família e do Cadastro Único do Governo Federal.

O senhor ao contrário, queria fazer seu próprio cadastro e queria começar pelas casas que são viradas para a Cidade do Samba. Eu não concordava. Quem faria o cadastro seriam seus irmãos da Igreja Universal do Reino de Deus. Lembra?

Fui ao Ministério das Cidades com o Capitão que comanda o GEPAE da COMUNIDADE.

De repente eu soube que o senhor negociou com o Ministério das Cidades uma transferência de recursos para o Exército fazer seu programa de Campanha Cimento Social na forma que o senhor queria, nas casas voltadas para a cidade do Samba e sem usar o Cadastro Único do Governo Federal.

O senhor acabou desta forma usando o Exército Brasileiro. O Exército de Caxias em um programa completamente eleitoral e eleitoreiro. Uma pena.

A Prefeitura fez o Favela Bairro na Providência sem a necessidade de Policiamento nas Obras. Fizemos as Obras do GEPAE e do CRAS Dodô da Portela sem que necessitássemos de Policiamento.

Até hoje não entendo como o Exército acabou se envolvendo numa ação que não tem nada a ver com sua missão institucional. Foi forçação. Política do senhor?

Agora estamos vivendo este momento triste. Momento que macula a imagem do Exército e que deixa claro seu erro em não ter aceitado regras claras para que o projeto de reformas fossem feitas.

Não seria o momento do senhor rever sua posição e deixar que o Exército volte ao quartel e que as obras sejam feitas dentro das regras do Ministério das Cidades e que sejam voltadas para os mais pobres de fato?

Pense nisso. Voltar atrás em nossos erros não é um problema.

Se precisar de apoio pode contar conosco. A população deve vir em primeiro lugar.

A próprosito o que aconteceu com os jovens é uma tragédia sem precedentes. Sem dúvida prova que o projeto Cimento Social não é um caminho seguro para as pessoas que vivem em Favelas.

Atenciosamente

Marcelo Garcia

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