© London Times - Tradução: Heitor De Paola

Hoje choramos o falecimento de um velho amigo muito querido, o Bom Senso, que esteve em nossa companhia durante muitos anos. Ninguém sabe com certeza qual era a sua idade já que seu registro de nascimento foi perdido há muito tempo nos meandros da burocracia.

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Ele será lembrado como alguém que cultuava algumas lições de valor como: saber quando sair da chuva; Deus ajuda a quem cedo madruga; a vida nem sempre é uma festa; e quem sabe a culpa é minha? Bom Senso tinha uma vida simples baseada em fundamentos econômicos sólidos (não gastar mais do que se ganha) e estratégias confiáveis (são os adultos que mandam, não as crianças).

Sua saúde começou a se deteriorar rapidamente quando regulamentos excessivamente autoritários, embora bem intencionados, foram criados. Notícias de que um menino de seis anos fora acusado de assédio sexual por ter beijado uma coleguinha; adolescentes foram suspensos das aulas por usarem líquidos contra o mau hálito após o almoço; e um professor foi despedido por ter repreendido um aluno insubordinado. Tudo isto contribuiu para piorar sua saúde.

Bom Senso perdeu o chão quando pais atacaram professores por fazerem o que eles não tinham feito: disciplinar seus filhos. Piorou mais ainda quando as escolas foram obrigadas a pedir o consentimento dos pais para usar protetores solares ou dar uma Aspirina aos alunos; mas não podiam informá-los quando uma aluna engravidava ou queria abortar.

Bom Senso perdeu a vontade de viver quando as igrejas se tornaram balcões de negócios; e criminosos passaram a receber melhor tratamento que suas vítimas. Sentiu-se agredido quando soube que não poderia mais se defender de um assaltante que invadiu sua casa e que, caso tentasse, o meliante poderia processá-lo por agressão. Bom Senso finalmente desistiu de viver quando uma mulher se queimou por não perceber que o café estava quente demais, entornou um pouco na sua roupa e imediatamente processou o restaurante que teve que pagar a ela uma enorme indenização.

Bom Senso morreu depois de seus pais, Verdade e Confiança; de sua mulher, Discrição; de suas filhas, Responsabilidade e Razão. Sobreviveram a ele seus irmãos adotivos: Eu Conheço Meus Direitos, Eu Quero Já, O Outro é o Culpado e Eu Sou Uma Vítima.

Poucos compareceram ao seu enterro porque só uma minoria percebeu que ele havia morrido. Se você ainda se lembra dele, re-envie esta notícia. Caso contrário junte-se à maioria e nada faça.

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