Daniel Pereira e Luiz Carlos Azedo - Da equipe do Correio
Planalto está preocupado com depoimento de Marco Antonio Audi(FOTO), que pode complicar compadre de Lula na negociação da venda da Varig. Gilberto Carvalho entra em campo para defender o governo. O chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, retomou a função de bombeiro do governo em operações políticas de potencial explosivo. Pelo menos desde a semana passada, ele trabalha na reação do Palácio do Planalto à acusação feita pela ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu, que afirma ter sido pressionada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a aprovar a compra da Varig pelo fundo de investimento norte-americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros. Carvalho age nos bastidores.

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Em contatos com petistas próximos a Denise, ele pede ajuda para domá-la. Além disso, já conversou com o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula que “fez chover” na operação de venda da Varig, conforme expressão cunhada pelo empresário Marco Antonio Audi, um dos três sócios do fundo. Na última segunda-feira à noite, Teixeira, que estava no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, ligou para Carvalho. Ofereceu ao governo todas as informações que têm em mãos relacionadas ao caso Varig, a fim de ajudá-lo a se defender das denúncias da ex-diretora da Anac e da ofensiva da oposição.

Do outro lado da linha, Carvalho agradeceu. Segundo o chefe de gabinete, o governo foi atacado. Por isso, ele considera legítima sua participação na reação, desde que respeitados os limites impostos pelo cargo público que exerce. Carvalho também admite que participa de articulações internas destinadas a municiar os governistas do Congresso para o embate com a oposição no caso Varig. Tal atuação não se restringe aos gabinetes de Brasília. Na sexta-feira passada, Carvalho encontrou-se, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que é amigo de Denise.

Carvalho afirma que o encontro foi obra do acaso. Na conversa, teria sondado o parlamentar sobre a possibilidade de aprovação, pela Câmara, da Contribuição Social para a Saúde (CSS), a nova CPMF. A pergunta foi feita por mera curiosidade, já que o governo, ao menos no discurso, não participa da campanha para aprovar a proposta. Os próprios petistas contestam a versão. Afirmam que o chefe de gabinete tem solicitado ajuda para conter Denise. Numa conversa, por exemplo, ouviu que ela não apresentaria provas contra Dilma, o que realmente ocorreu na última quarta-feira.

 

Munição

Hoje, a principal preocupação do governo não é com a ex-diretora, que estaria sem munição, mas com o empresário Marco Antonio Audi, tachado de “homem-bomba” em potencial. O temor é de que ele apresente provas de tráfico de influência por parte de Teixeira. Que prove o pagamento de US$ 5 milhões ao compadre de Lula pelos serviços prestados durante as negociações que resultaram na compra da Varig pelo Matlin Patterson. Sinais nesse sentido já foram emitidos. “Recebemos o Certificado de Homologação de Empresa de Transporte Aéreo da Varig e, no dia seguinte, ele me apresentou ao presidente Lula em Brasília”, afirmou Audi no início da semana.

“Estive com a ministra Dilma duas vezes e, nas duas vezes, levadas por ele”, acrescentou o empresário. Se for mantida a agenda, Audi e Teixeira vão depor, na próxima quarta-feira, no Senado. Também deve participar da sessão outro “fio desencapado”, de acordo com avaliação de governistas. Trata-se do coronel Jorge Velozo, ex-diretor da Anac que, como Denise, foi alvo de um dossiê de autoria desconhecida. “Eu quero insistir na questão da participação do Roberto Teixeira. É muito significativo uma pessoa da confiança do ex-ministro José Dirceu dizer que o compadre do presidente fez o que fez”, declara o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

No depoimento no Senado, Denise, que foi funcionária da Casa Civil na gestão de Dirceu, tachou de “imoral” a atuação de Teixeira.

 

O número

US$ 24 milhões

foi o valor pago pela Volo do Brasil para arrematar a VarigLog em janeiro de 2006

 

O número

US$ 275 milhões

foi o preço pago pela Gol para assumir o controle da nova Varig em março de 2007

 

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