MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 24/10/2014
As duas pesquisas divulgadas ontem, que colocam pela primeira vez acima da margem de erro a distância entre a presidente Dilma e o candidato do PSDB, Aécio Neves, têm resultados parecidos, mas chegam a eles com medidas completamente distintas, o que pode fazer toda a diferença.
Para o Ibope, Dilma teve um crescimento de 6 pontos percentuais, enquanto Aécio caiu 4 pontos, e a diferença entre os dois é de 8 pontos. Já paia o Datafolha, a presidente subiu 1 ponto e Aécio caiu 1, o que aumentou a distância entre os dois de 4 paia 6 pontos. As duas pesquisas apontam uma tendência de crescimento da candidata à reeleição Dilma Rousseff, mas a velocidade dessa aceleração é distinta, com o Ibope sinalizando uma melhoria em todas as regiões do país e em todas as classes sociais.

Já o Datafolha registra diferenças pelas regiões, com apenas um destaque: Aécio perdeu 6 pontos no Sul do país. No Sudeste, por exemplo, onde Dilma havia subido 5 pontos na última pesquisa, principal razão de ter ultrapassado numericamente Aécio, dessa vez foi Aécio quem subiu 1 ponto enquanto Dilma perdeu 1.

No Nordeste, onde Dilma é hegemônica, o resultado ficou igual, com a presidente caindo 1 ponto e o candidato da oposição subindo 1. No Centro-Oeste, Aécio Neves caiu 3 pontos e no Norte a presidente Dilma subiu 4 pontos, reforçando sua liderança.

Segundo o Ibope, as intenções de voto em Dilma crescem em todos os segmentos analisados, mas alguns merecem especial atenção do instituto de pesquisas: as menções à atual presidente crescem 9 pontos entre os jovens, onde tinha baixo desempenho atingindo 46%; ao passo que Aécio vai de 49% para 45%. Entre eleitores que cursaram até a 4a série, Dilma cresce 12 pontos, enquanto Aécio diminui 9 pontos neste grupo.

No Nordeste, o Ibope encontra praticamente o mesmo número do Datafolha (64% e 68%), mas registra um aumento de 12 pontos paia Dilma e uma queda de 10 pontos de Aécio. No Sul, há uma diferença grande entre as duas pesquisas: no Ibope, Dilma tem 46%, e para o Datafolha, 33%. Já Aécio tem para o Ibope agora 45%, caindo de 53%, enquanto Dilma passa de 32% e chega a 46%, empatando com o adversário.

O Ibope diz que as menções a Dilma também crescem "expressivamente" entre eleitores com renda familiar até 1 salário, indo de 54% para 69% - neste grupo, Aécio cai de 34% para 22%. Apesar de todas as divergências entre os dois institutos, a tendência parece estar no crescimento da presidente Dilma, a caminho da reeleição.

Restarão ainda dois dias até a eleição, e um debate fundamental hoje à noite na Rede Globo, que colocará os indecisos para fazer perguntas aos candidatos. Pode ser a última chance de Aécio convencê-los de que é a melhor escolha.

O debate será fortemente impactado pela edição especial da revista "Veja" que circula a partir de hoje em caráter excepcional, revelando o depoimento do doleiro Alberto Youssef no processo de delação premiada incriminando a presidente Dilma e o ex-presidente Lula nos desvios da Petrobras.

Segundo a revista, o doleiro garantiu diretamente que os dois sabiam o que estava acontecendo na estatal brasileira e para que servia pelo menos parte do dinheiro desviado. Como na delação premiada é preciso provar as denúncias para que os benefícios dela se concretizem, o decorrer do processo mostrará se existem condições de incluir a atual e o ex-presidente em um processo criminal.

Nesse caso, o impeachment da presidente será inevitável, caso ela seja reeleita no domingo. Corremos o risco de estarmos condenados a uma crise institucional das grandes com membros do Congresso, governadores e até a presidente eleita envolvidos em um processo criminal mais grave do que o mensalão.

A situação eleitoral parece estar se definindo a favor da presidente Dilma, a não ser que as revelações do doleiro Yousseff atinjam o eleitorado no que pode ser definida como a última bala de prata da oposição. Há a possibilidade também de o eleitorado considerar essa uma mera manobra política e simplesmente não levar em conta o depoimento. Só o futuro dirá se essa é a melhor maneira de encarar os graves desvios que estão sendo denunciados por um ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, e pelo doleiro Alberto Yousseff.

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