Por MERVAL PEREIRA - O GLOBO - 10/10/14
A análise dos dados de Ibope e Datafolha. A vitória momentânea do candidato Aécio Neves, pela primeira vez nesta corrida presidencial, tem um simbolismo importante, mas uma vantagem tão pequena que ajuda os tucanos a manter os pés no chão. O governo, ao contrário, deve ter ficado aliviado, pois pesquisas de institutos menores indicavam uma diferença de até 10 pontos para Aécio.
Alguns números, no entanto, têm significados importantes neste momento: é a primeira vez que um candidato passa do segundo para o primeiro lugar em uma disputa presidencial, e Aécio conseguiu levar a maioria dos votos de Marina Silva. De uma derrota de 8 pontos no primeiro turno, o tucano agora vence por 2 pontos.
A levarmos em conta as pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas ontem, as primeiras do segundo turno, a candidata derrotada Marina Silva perderá o momento se demorar muito a se decidir a apoiar o representante da oposição na eleição presidencial. Cerca de 80% dos seus eleitores já se decidiram por um dos dois candidatos que estão no segundo turno.

Marina está tentando vender caro seu apoio, fazendo exigências que aumentam a cada dia, e isso está dificultando um acordo programático. Ela se debate entre ficar neutra, como em 2010, e perder o lugar no jogo político tradicional que se desenrola; ou entrar no jogo com cacife para influir no próximo governo, caso o candidato oposicionista vença a eleição.

O candidato do PSDB, até o momento, está em vantagem no recolhimento de novos apoios, e com um detalhe interessante, que retira do PT um de seus trunfos: os partidos de esquerda, em sua maioria, escolheram ficar ao lado do PSDB. PSB, PPS e PV anunciaram o apoio, além dos setores "progressistas" do PMDB e do PDT.

Nem mesmo o PSOL ficou ao lado de Dilma. Da mesma maneira que a Rede sugeriu a seus seguidores o voto nulo, em branco, ou em Aécio, o PSOL sugeriu a mesma coisa, mas tendo como última opção a candidata do PT.

Os resultados das pesquisas mostram, no entanto, a presidente com dificuldades de aumentar sua votação. No primeiro turno, teve 41%, e hoje estaria com 44%. Ao contrário, o candidato do PSDB cresceu 13 pontos entre o primeiro e o segundo turnos.

O candidato tucano tem os melhores resultados na Região Sul, onde lidera por 61% a 33% dos votos totais. No Sudeste, ele também está à frente, mas com vantagem menor: 48% a 38%. Na divisão das pesquisas, as regiões Norte e CentroOeste estão juntas, e por isso há um empate técnico em 46% a 43%, mas Aécio consegue neutralizar a enorme vantagem de Dilma no Norte.

No Nordeste, a candidata do PT venceria por 59% a 32%, resultado que mantém a larga vantagem do PT na região, mas o candidato do PSDB conseguiu melhorar sua performance, que no primeiro turno foi abaixo de 20%.

Para melhorar seu índice na região dominada pelo PT, Aécio Neves deve viajar a Pernambuco para fazer campanha já em companhia do governador eleito, Paulo Câmara, e, sobretudo, receber o apoio da família Campos. A viúva Renata, que foi decisiva para que o PSB apoiasse o candidato do PSDB, deve ter um encontro com Aécio nos próximos dias, quando anunciará sua decisão. Só não fez antes porque esperava uma decisão de Marina, que acabou sendo adiada.

As pesquisas mostram que a candidata do PT é identificada como a mais preocupada com os mais pobres, o que lhe dá a hegemonia na Região Nordeste. Esse fato vai dar consistência à campanha petista, que vai se basear na luta dos pobres contra os ricos, do Sudeste contra o Nordeste, que deve exacerbar a disputa e pode provocar um ambiente corrosivo nesta reta final.

O PSDB terá a seu favor o ambiente negativo para o governo provocado pela revelação dos depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Youssef, que descreveram um ambiente de corrupção institucionalizada na maior estatal brasileira e a regra de ouro da coalizão que apoia o governo Dilma: obras superfaturadas para sustentar o PT e alguns partidos que indicavam diretores da Petrobras.

Uma vergonhosa repetição de falcatruas que já haviam sido denunciadas no escândalo do mensalão, com o tesoureiro que substituiu Delúbio Soares já envolvido em outras nebulosas transações.

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