General da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva
No início do ano passado, O Cel Ustra me honrou com o convite para fazer o Prefácio da 9ª Edição do importante livro "A Verdade Sufocada". Transcrevo a seguir um extrato daquele Prefácio, destacando em itálico e negrito: o que deve ser considerado por todos que têm obrigação moral de defender a anistia, a fim de impedir a injustiça que a Comissão (dita) da Verdade pretende viabilizar, facciosamente e ao arrepio da lei que a criou; e, ainda, que o governo petista, em seu projeto de transformar o Brasil numa República Socialista, já determinara a instituição dos "sovietes", hoje contemplados pelo Decreto Nr. 8243/2014, quando promulgou o Decreto do Programa Nacional de Direitos Humanos, em 2009.
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Nos anos 1970, militares das Forças Armadas e policiais militares e civis foram convocados para compor os órgãos de operações e informações com a missão de neutralizar os grupos armados da esquerda revolucionária, que pretendiam impor ao País um regime totalitário comunista. Estes últimos eram orientados e apoiados pelas matrizes soviética, chinesa e cubana, responsáveis pelas mais graves violações aos direitos humanos no século passado. A luta armada empregou o banditismo com sequestros, assaltos, torturas e execuções, além do terrorismo. No entanto, não obteve o reconhecimento de nenhuma democracia e de nenhum organismo internacional de que lutasse por democracia e liberdade ou representasse uma parcela da sociedade nacional. A luta armada foi derrotada, principalmente, por que a Nação apoiou com firmeza o Estado em sua luta contra a esquerda revolucionária que almejava se tornar Estado, mas cometia as mesmas violações que, hipocritamente, seus antigos militantes hoje condenam.

Enquanto a imensa maioria de cidadãos e famílias permaneceu estudando, trabalhando, progredindo e se divertindo, enfim, levando uma vida normal, rotineira e com segurança, os agentes do Estado arriscaram a si e a seus entes queridos, também ameaçados pelos delinquentes ideológicos e seus grupos terroristas. Muitos passavam dias ausentes dos lares, às vezes semanas ou meses, em missões de alto risco. Com heroísmo e competência, evitaram a implantação de uma sangrenta e fratricida guerra civil no País, como as que enlutaram países das América Central e do Sul.

Em El Salvador, onde fui observador militar das Nações Unidas, no processo de paz dos anos 1990, houve cerca de 75 mil mortos, 400 mil deslocados de suas terras e mais de um milhão de refugiados nos EUA em doze anos de guerrilhas. Todo esse drama num País com sete milhões de habitantes e do tamanho de Sergipe. Na Colômbia, são mais de 50 mil mortos em décadas de conflito, ainda inacabado, e na Guatemala foram 400 mil em 24 anos de guerra revolucionária. No Brasil, por cortarem o mal pela raiz, os órgãos de operações e informações devem ser louvados pelo papel decisivo para impedir que o País tivesse um destino tão infeliz quanto o de tantos condôminos americanos.

Por tudo isso, é dever moral dos cidadãos em geral e, principalmente, dos irmãos de armas de qualquer geração e nível hierárquico reagirem contra as injustiças e perseguições que vêm sofrendo “aqueles que, na hora da agressão e da adversidade, cumpriram o duro dever de se oporem a agitadores e terroristas de armas na mão, para que a Nação não fosse levada à anarquia” como disse o General Walter Pires, antigo Ministro do Exército.

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A volta à democracia veio a partir de 1978, não por obra da esquerda revolucionária, então totalmente desmantelada. É engano considerá-la vitoriosa por que seus antigos membros ocupam, hoje, posições importantes nos mais altos escalões do Poder. Eles não chegaram ali pela força das armas e ao arrepio da lei e sim como cidadãos com plenos direitos assegurados desde a anistia em 1979. Abandonaram a luta armada, derrotados, e submeteram-se às normas democráticas, reintegrando-se à sociedade na forma da lei e em pleno regime militar. O Brasil tornou-se uma democracia, propósito da sociedade, da oposição legal e dos governos militares, e não um país comunista, escravizado por um partido único, objetivo não alcançado pela esquerda revolucionária.

Mas essa esquerda, que o Cel Ustra ajudara a derrotar nos anos 1970, chegou ao poder e não desistiu de implantar o regime socialista totalitário no Brasil, agora por meio de uma nova estratégia de modelo gramcista e sob a orientação do Foro de São Paulo. Anatoly Oliynik, no artigo “Gramsci e a Comunização do Brasil”, esclarece que Gramsci inverteu a sequência defendida por Lênin de começar a revolução pela tomada do Estado para depois transformar a sociedade. Para o revolucionário italiano, a transformação da sociedade é que permitirá retirar o poder da classe dominante sobre a Nação e, só assim, será possível a conquista efetiva do Estado. O alvo prioritário não é mais o proletariado nem os camponeses, mas sim os “intelectuais, classe média, cultura, educação e a mídia, buscando mudar a mentalidade, desvinculando-a dos valores tradicionais, para implantar os valores da ideologia comunista”. Esse quadro reflete a campanha de relativização de valores e enfraquecimento da família no Brasil. 

O Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH3), agindo sob o véu dos direitos humanos, materializa essa nova estratégia cujo propósito, amplo e inconfessável, é a implantação de um regime socialista radical. Para tanto, o PNDH3 pretende a hipertrofia do Executivo, a permanência do partido dominante no poder e a submissão do Legislativo e do Judiciário. O Programa estabelece a “criação de espaços de participação e controle social nos Poderes Judiciário e Legislativo, no Ministério Público e nas Defensorias”. Esse controle social será feito por meio da constituição de conselhos populares, logicamente aparelhados pelo partido dominante. O PNDH3 propõe estender às instituições, órgãos públicos, religiões, mídia, agronegócio, educação, em suma, a toda a sociedade, o controle exercido pelos conselhos, uma versão tropical dos “sovietes”, motores da revolução bolchevista na extinta URSS. A CV é uma das ações estratégicas do PNDH3 e tem, especificamente, o propósito de desgastar e imobilizar as Forças Armadas, facilitando a transformação da sociedade".

 Observação do site www.averdadesufocada.com : A 9ª edição está esgotada e foi lançada a 10ª edição, com o mesmo prefácio do Gen Rocha Paiva

 

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