Ministro Teori Zavascki autoriza o comparecimento de Paulo Roberto Costa à CPI mista da× Petrobras na próxima quarta. Parlamentares da oposição querem ouvir contadora de doleiro

Eduardo Militão
Correio Braziliense - 13 Set 2014 

 O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki liberou ontem o depoimento do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa à CPI mista que investiga irregularidades na estatal. Relator na corte de processos referentes à Operação Lava-Jato, o ministro disse que não cabe ao Judiciário interferir nas convocações feitas por comissões de inquérito do Congresso.

Preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, Paulo Roberto foi convocado a comparecer à CPI na próxima quarta-feira, para falar sobre o acordo de delação premiada. Nos depoimentos, ele diz que distribuiu propinas da estatal a uma série de políticos.

Mas, ao contrário do que queriam os parlamentares, Zavascki não enviou os documentos que fazem parte da delação. O ministro afirmou que não tem essa documentação. Ele disse que, ao menos em seu gabinete, só existem as informações constantes de dois processos judiciais, ambos já enviados à comissão na última quarta-feira.

A assessoria da Procuradoria-Geral da República informou ontem que o procurador Rodrigo Janot é contra o compartilhamento da delação com a CPI para não atrapalhar as investigações. O relator da comissão, deputado Marco Maia (PT-RS), diz que, se for necessário, a oitiva do ex-diretor será feita de forma reservada. "A preocupação é para que haja maior aprofundamento das investigações", disse ele ao Correio ontem.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), diz duvidar de que o Paulo Roberto diga algo relevante à CPI. "Não acredito que ele irá falar." O deputado Fernando Francischini (SD-PR) destaca que a delação de Paulo Roberto está no início e não tem prazo para acabar. "Tem delação que dura meses." 

Contadora

Parlamentares da oposição e Maia defenderam a convocação da contadora Meire Poza. Ela prestou depoimento à Polícia Federal, na qual afirma que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se reuniu com o doleiro Alberto Youssef, um dos quatro alvos da Operação Lava-Jato, que identificou operadores de um mercado de R$ 10 bilhões. Na conversa, afirmou a contadora, Yousseff pediu ao senador para que os fundos de pensão da Caixa (Funcef) e dos Correios (Postalis) investissem em empresas do doleiro. A operação, articulada também pelo deputado André Vargas (ex-PT-PR), não se concretizou porque a PF prendeu Youssef cinco dias depois, em 17 de março, segundo o jornal O Globo. Os parlamentares negaram as acusações. Para os deputados Francisco Francischini (SD-PR) e Júlio Delgado (PPS-MG), é preciso ouvir Meire o quanto antes. "Dificilmente ele não será ouvida. Até o pessoal do PT, que votava contra, está constragido a não investigar", disse Francischini, autor do requerimento ainda não votado pela CPI. Para Delgado, ouvir a contadora será importante porque ela não age de maneira irresponsável. "Não é uma franca-atiradora. Ela possui muita documentação do Youssef."
 

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