(Gen Ex José Carlos Leite Filho

“O Jornal de Hoje”- Natal/RN - 10/09/2014

  O escândalo protagonizado por pessoas da cúpula do partido dominante, já famoso como “mensalão”, evidenciou a engenharia criminosa de que são capazes políticos brasileiros na busca do poder e de enriquecimento ilícito. Em contrapartida, também mostrou um final feliz com a condenação de gente graúda emanada do governo federal ou de acesso fácil a ele. O resgate desse vergonhoso episódio de nossa história política só foi possível pelo destemor, honradez, fibra e competência de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), JOAQUIM BARBOSA.

(   Eis que novamente vem a público outro fato de natureza semelhante e de maiores dimensões, de repercussão aquém e além fronteiras, por envolver, além de políticos de nomeada, negócios ilícitos de administradores da Petrobras, uma das maiores empresas brasileiras, alcunhado de “Mensalão da Petrobras”.

   Com a proximidade das eleições de outubro, ao eleitor é lícito e oportuno refletir se mais essa vergonha é consequência da fragilidade de nossa democracia ou do caráter de nossos representantes, hipóteses que impõem um cuidado maior na escolha dos futuros governantes e legisladores. Não será consolo lembrar do cômodo provérbio que diz “não haver mal que sempre dure”. Impõe-se reação dos que amam o Brasil e desejam a sua glória.

   Assim pensando, é de se questionar se a nossa prática democrática e o instituto da reeleição favorecem a continuidade dos crimes cometidos por políticos, haja vista a imensa concentração de poder resultante e o momento tardio em que o sonho termina e a realidade começa, máxime para o eleitor.

   Pode haver quem queira lembrar, por convicção ou por oportunismo, da existência do Poder Judiciário. A esses vai a réplica da dúvida na sistemática da indicação dos juízes pelo Poder Executivo, muitas vezes por critérios políticos e quase nunca com a comprovação dos requisitos constitucionais exigidos. Deus permita que o Ministro JOAQUIM BARBOSA tenha feito escola no STF.

   Que dizer, também, de políticos que fazem do mandato um bem patrimonial e se mostram useiros e vezeiros no uso de mentiras, com a ajuda dispendiosa de marqueteiros, visando transmitir ilusões e promessas falsas em lugar da busca do bem comum?

   Essas reflexões ganham relevo numa conjuntura política em que emerge um suspeitíssimo decreto (Dec.8243) a indicar, segundo o consagrado jurista Ives Gandra Martins, “um caminho preparatório para um regime ditatorial” mediante a supressão de liberdades e direitos consagrados, como o controle da imprensa e o direito de propriedade, junto com uma concentração maior de poder do Executivo respaldado por “conselhos populares” previamente mobilizados a título de “participação social”.

   A esperança é a última que morre e o seu cavaleiro para o bem do Brasil é o eleitor.

(Gen Ex José Carlos Leite Filho – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. – 09/09/14)(Publicado em “O Jornal de Hoje”-Natal/RN-10/09/14)

Comments powered by CComment

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar