Diário de Pernambuco  - 06/09/2014 

Segundo reportagem da revista Veja, além dos governadores, um ministro de Estado e os presidentes da Câmara e do Senado estariam envolvidos no esquema de corrupção da estatal 

Publicação: 06/09/2014 12:00 Atualização: 06/09/2014 13:55   

A edição da revista Veja que chega às bancas neste fim de semana traz parte da lista de políticos citados pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Eles estariam envolvidos no esquema de corrupção na estatal. Entre os nomes divulgados pela revista aparece o do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), morto em um acidente aéreo no último dia 13 de agosto. O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e a atual governadora do Maranhão, Roseana Sarney, ambos do PMDB, também foram citados dentro do acordo de delação premiada que Costa fechou em 22 de agosto com os procuradores da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Os estados de Pernambuco, Maranhão e Rio de Janeiro estão com refinarias da Petrobras em fase de construção. Ainda segundo a Veja, Costa disse que despachava direto com o ex-presidente Lula e a presidente Dilma, então presidente do conselho de administração da Petrobras, saberia de tudo.

PSB não responderá a menção de Eduardo Campos por Costa
Segundo a reportagem da revista, além dos governadores, Paulo Roberto Costa cita nomes de pelo menos 25 deputados federais, seis senadores, e um ministro de Estado. O ministro é Edison Lobão (PMDB), titular da pasta de Minas e Energia. Entre os parlamentares estão os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do partido, e Romero Jucá (PMDB-RR) também estão na lista do ex-diretor. Ele cita ainda os deputados federais Cândido Vaccarezza (PT-SP) e João Pizzolatti (PP-SC), o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP) e João Vaccari Neto, secretário nacional de finanças do PT.

O número de políticos envolvidos no esquema ainda deve aumentar até o final dos depoimentos do delator. De acordo com a Veja, Paulo Roberto Costa admitiu que as empreiteiras contratadas pela Petrobras tinham, obrigatoriamente, que contribuir para um caixa paralelo destinado à base aliada do governo. Quem fazia ponte com o esquema no PT, segundo Costa, era o tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto. Os políticos receberiam 3% do valor dos contratos da Petrobras na época em que ele era diretor de distribuição da estatal, entre 2004 e 2012. O pagamento das propinas serviria, segundo ele, para que os partidos aliados continuassem apoiando o Palácio do Planalto no Congresso Nacional. 

Respostas 

Procurado pelo Diario de Pernambuco, o presidente do PSB em Pernambuco, Sileno Guedes, disse que o partido "reage com indignação. Eduardo morreu combatendo justamente esse tipo de coisa no Brasil, para modificar esse aparelhamento que foi feito no Estado ao longo desses anos. Basta fazer um apanhado e ver seu posicionamento sobre, por exemplo, a CPI da Petrobras, completamente favorável, tanto ele quanto o partido PSB. Somente por isso se desqualifica imediatamente essa relação com o nome dele". Guedes acrescentou que o PSB nacional deve divulgar uma nota oficial sobre o fato. 

Sobre as acusações, o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, disse em nota nunca ter tratado de assunto relativo ao partido com Paulo Roberto Costa e que é "absolutamente mentirosa a declaração de que tenha havido qualquer tratativa, seja pessoal, por e-mail ou mesmo telefônica, com o referido senhor a respeito de doações financeiras ou qualquer outro assunto". Vaccari Neto afirmou ainda que nunca esteve na sede da Petrobras e que "não visita empresas estatais, pois são proibidas por lei de fazer doações eleitorais". 

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a relação do governo com Paulo Roberto Costa era "institucional". Cabral questiona em qual afirmação de Costa seu nome é mencionado, uma vez que ainda não foram divulgadas acusações contextualizadas feitas por ele à PF. 

Ainda de acordo com a Veja, o ministro Edison Lobão disse que sua relação com o ex-diretor sempre foi institucional e nega ter recebido dinheiro. O presidente do Senado, Renan Calheiros, não se manifestou sobre a acusação de Costa. O senador Ciro Nogueira disse que conheceu Costa em eventos do partido e negou ter recebido dinheiro. Jucá negou ter se beneficiado do esquema. Henrique Alves disse que nunca pediu ou recebeu de Costa nenhum tipo de ajuda. Vaccareza disse que só esteve com ele umas duas vezes. Negromonte e Pizzolatti não responderam, destacou a Veja. 

Histórico
Paulo Roberto Costa foi preso em março, acusado de participar de um grande esquema de lavagem de dinheiro comandado pelo doleiro Alberto Youssef. O esquema pode ter movimentado cerca de R$ 10 bilhões no mercado clandestino de câmbio. Em meio às investigações, a Polícia Federal identificou em interceptações telefônicas o envolvimento de políticos com o doleiro. Na cela em que está preso em Curitiba, o ex-diretor da Petrobras dizia que, se revelasse tudo o que sabe, não haveria eleições neste ano. 

A delação premiada é a figura jurídica na qual um réu conta o que sabe à Justiça em troca de redução de pena. Por envolver políticos, que têm direito a foro privilegiado, o caso está sendo acompanhado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

 

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