Editorial Correio Braziliense – 14/08/14

Eduardo Henrique Accioly Campos (PSB) é mais um importante líder político brasileiro abatido por tragédia em momento histórico. No período recente, o país perdeu, antes da posse, o presidente eleito Tancredo Neves, que seria, 29 anos atrás, o primeiro civil a assumir o poder após 21 anos de ditadura militar. Agora, o economista e político socialista pernambucano, candidato à Presidência da República em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, morre em acidente aéreo a menos de dois meses do pleito.
 Eduardo Campos tinha a política no sangue. Quando nasceu, em 10 de agosto de 1965, o avô, Miguel Arraes, morto exatos nove anos antes dele, já havia sido deputado estadual, prefeito do Recife e governador de Pernambuco, cargo que voltaria a ocupar outras duas vezes. O neto pretendia ir mais longe. Depois de exercer mandatos de deputado estadual, federal e de governar seu estado por duas vezes - tudo isso dos 26 aos 49 anos recém-completados -, empenhava-se numa campanha nacional para suceder Dilma Rousseff. 

O candidato fazia diferença na sucessão. Assim como a companheira de chapa, Marina Silva, era dissidente nas forças que levaram o PT ao poder em 2002. Chegou a ser ministro da Ciência e Tecnologia no primeiro mandato do governo Lula. Teve apoio do então presidente para eleger-se, reeleger-se e governar Pernambuco. Diplomático, ao decidir apresentar-se como alternativa na sucessão presidencial deste ano, começou apontando conquistas dos governos petistas, mas defendendo a necessidade de avançar mais. Aos poucos, foi marcando posição, distanciando-se mais de Dilma que de Lula e aprofundando as críticas ao governo. 

De uma hora para outra, o país perde a alternativa que se punha entre o PT e o PSDB. À coligação Unidos Pelo Brasil (PHS, PRP, PPS , PPL, PSB, PSL), restam, pela legislação eleitoral, 10 dias para encontrar substituto, que a lei recomenda seja do próprio partido, escolhido pela maioria absoluta das legendas coligadas. É provável que o nome indicado seja o da vice da chapa, Marina Silva, ex-candidata a candidata à Presidência da República que chegou a ser mais bem posicionada nas pesquisas que o próprio Eduardo Campos, mas, sem conseguir criar o próprio partido, o Rede Solidariedade, terminou por conformar-se em trocar o papel de protagonista pelo de coadjuvante. 

O luto nacional vai, portanto, bem além do sentimento de perda pela trágica saída de cena do jovem e promissor político pernambucano. A dor é também política, de mais um importante momento nacional repentinamente desviado de rumo. Mas a triste incógnita lançada sobre a sucessão presidencial precisa ser rapidamente preenchida. Tampouco se pode perder a alegria da disputa democrática. Eduardo Campos merece a homenagem de uma campanha que leve ao aperfeiçoamento do Estado brasileiro, seja quem for que o substitua na chapa, seja quem for o escolhido nas urnas. Esse é o legado a ser preservado.

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