Rodrigo Constantino - 05/08/2014
Bomba! Reunião para criar farsa da CPI oicorreu no gabinete da presidente da Petrobras
Graça Foster e Dilma: “cumpanheiras” unidas contra os interesses do povo brasileiro e de todos os acionistas da Petrobras
Novas denúncias escandalosas continuam sendo reveladas sobre o caso da farsa da CPI da Petrobras. Desta vez, o Estadão afirma que o vídeo a que Veja teve acesso teria sido gravado em sala de reunião que integra o gabinete da presidente da estatal:
A reunião em que se tramou a fraude nos depoimentos à CPI da Petrobras no Senado - cuja gravação foi revelada por VEJA nesta semana - ocorreu no gabinete da presidente da companhia, Graça Foster, em Brasília, informa o jornal O Estado de S. Paulo. A sala de reuniões integra o gabinete e o acesso é restrito a servidores da alta cúpula da estatal. O espaço é usado por Graça para receber autoridades e fazer reuniões com assessores. O gabinete da presidente ocupa todo o segundo andar do prédio da Petrobras na capital federal. Reportagem de VEJA revela que governistas engendraram esquema para treinar os principais depoentes à comissão de inquérito, repassando a eles previamente as perguntas que seriam feitas pelos senadores e indicando as respostas que deveriam ser dadas.

Participaram do encontro o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e Leonan Calderaro Filho, chefe do departamento jurídico do escritório da Petrobras em Brasília. O objetivo do encontro era tramar a fraude no Congresso. Barrocas revela no vídeo que um gabarito foi distribuído aos depoentes mais importantes para que não entrassem em contradição. Paulo Argenta, assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais, Marcos Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado, e Carlos Hetzel, secretário parlamentar do PT na Casa, são citados como autores das perguntas que acabariam sendo apresentadas ao ex-diretor Nestor Cerveró, apontado como o autor do “parecer falho” que levou a estatal do petróleo a aprovar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, um negócio que impôs prejuízo de pelo menos 792 milhões de dólares à empresa. Segundo conta Barrocas, Delcídio Amaral (PT-MS), ex-presidente da CPI dos Correios, encarregou-se da aproximação com Cerveró. Relator da comissão, José Pimentel (PT-CE), a quem respondem Marcos Rogério e Carlos Hetzel, formulou 138 das 157 perguntas feitas a Cerveró na CPI e cuidou para que o gabarito chegasse ao ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.
Procurada, a estatal não respondeu ontem aos questionamentos do jornal a respeito do uso do gabinete da presidente Graça Foster. Pessoas que convivem com os dois disseram à reportagem que Barrocas é fiel a Graça e não toma decisões mais complexas envolvendo a Petrobras sem o aval da chefe.
Atenção! Sei que os brasileiros estamos anestesiados com tanto escândalo, e que o PT conseguiu banalizar a corrupção, as práticas anti-republicanas, tudo! Mas não podemos ignorar a imensa gravidade disso tudo. Em qualquer país minimamente sério, que não seja uma República das Bananas, um escândalos desses derrubaria a presidente da estatal e teria sérias consequências para todos os envolvidos.
O que essa gente fez foi tramar um golpe contra a democracia. Uma CPI é uma prerrogativa de estado para salvaguardar os direitos do cidadão de investigar indícios de corrupção e desvios. Montar uma farsa, um teatro com cartas marcadas na própria sala de reunião da presidência da Petrobras, com políticos ligados ao governo, é simplesmente absurdo!
Proponho uma reflexão rápida ao leitor: o que seria do Brasil sem o trabalho investigativo dos poucos veículos de imprensa independente que sobraram? Respondo: já seríamos uma Venezuela, objetivo do PT que só não se realiza porque ainda temos algumas instituições sólidas – entre elas parte da imprensa, que faz seu trabalho direito.
Não por outro motivo esses veículos independentes são tão atacados e odiados pelos petistas e blogueiros a soldo do partido. Por isso falam tanto em “democratização dos meios de comunicação”, eufemismo para controle da imprensa. Por isso a Veja é xingada diariamente nas redes sociais por aqueles que sonham em um dia transformar o Brasil em uma grande Cuba.
A imprensa fez seu papel. O escândalo está aí, com áudio e vídeo para comprovar a gravidade da coisa. Resta aos representantes eleitos pelo povo tomar uma atitude firme contra esse abuso de poder. Não podemos tolerar mais tanto escárnio com nossa democracia!
Rodrigo Constantino

http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/

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