Superintendente afirma que há pessoas alcoolizadas
Por Eduardo Kattah - O Estado de São Paulo

Integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), além de quilombolas e estudantes, invadiram na manhã de ontem a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Belo Horizonte.

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Segundo os movimentos, cerca de 500 pessoas participaram da ocupação. O Incra-MG, porém, disse que cerca de 150 manifestantes invadiram a sede do órgão, por volta de 8h30. O superintendente regional do instituto, Marcos Helênio Leoni Pena, afirmou que no fim da tarde foi obrigado a deixar o local, suspender os trabalhos e dispensar os funcionários, “por questão de segurança”.

“Eles estão armados com foices e havia pessoas alcoolizadas”, afirmou Pena, que comunicou o fato à Polícia Federal e solicitou que fosse ajuizado um pedido de reintegração de posse.

Em comunicado divulgado após a invasão, os movimentos acusam o órgão de “morosidade” e protestam contra o governo federal, por se posicionar em defesa do “agronegócio enquanto modelo de desenvolvimento da agricultura para o campo”, que “privilegia as transnacionais e o capital financeiro internacional”.

Representantes do MST em Minas têm defendido a substituição do superintendente regional, que, por sua vez, acusa o movimento de orquestrar uma “jogada política”. “Não sou refém de movimento. Minha ação é como pessoa pública, identificado com a causa, mas sempre em respeito à lei. E a lei é morosa”, disse Pena ao Estado.

Os manifestantes recusaram diálogo com Pena e enviaram uma pauta de reivindicações ao presidente nacional do Incra, Rolf Hackbart, em Brasília. Eles cobravam a presença de Hackbart ou de uma “autoridade” do órgão na capital federal para deixarem o prédio.

Na lista com dez itens, os manifestantes pedem a desapropriação imediata da Fazenda Nova Alegria, em Felisburgo (MG), onde foram mortos cinco sem-terra; assentamento de 4 mil famílias acampadas; contratação de assistência técnica para 1,4 mil famílias assentadas; reconhecimento e titulação de quilombolas; entre outros.

Em nota, o Incra-MG informou que “considera legítimas as reivindicações e manifestações, desde que dentro da legalidade.” O Estado não conseguiu contato com representantes do MST ou dos outros movimentos.

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