Vou falar das Escolas que cursamos no passado. No meu caso, das militares, da Escola Preparatória de Porto Alegre (EPPA) e da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN).

Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Nelas, tivemos os exemplos de bons instrutores e monitores, de Tenentes dedicados, todos de conduta ilibada e por vezes mais severos do que gostaria a nossa juventude. 

Olhávamos com respeito, os Capitães, os superiores, e, até com certo temor as maiores autoridades, os Coronéis, e principalmente, os Generais. Com maior razão o General Comandante da AMAN.

E eles nos ensinavam os assuntos militares e os morais e cívicos, pregavam a obediência a princípios fundamentais, falam sobre valores, e sublinhavam o respeito aos subordinados.

Em geral apregoavam a máxima de “não faças aos outros, o que não desejas que façam contigo”.

Acordávamos cedo e lá estavam eles, exigiam o traquejo na farda e lá estavam eles, impecáveis, destacavam a importância da disciplina e do cumprimento da hierarquia.

E assim, durante anos naqueles bancos escolares eles passaram por nós, Oficiais, Sargentos e Praças, em decorrência das transferências; mas mudava o homem e não a tônica do exemplo e da dedicação.

A qualquer momento lá estavam eles, nas instruções, nas provas, e mesmo nas dificuldades em apoio aos necessitados.

Ah, nas escolas de antigamente aprendemos ensinamentos maravilhosos, tantos que de certa forma a sua influência faz parte de nosso caráter.

Somos gratos.

Contudo, hoje é flagrante que cometeram “falhas imperdoáveis”, pois não nos ensinaram a ser patifes, calhordas, cretinos, nem desonestos, nem falsos, nem bandidos, nem a conviver com estes tipos de indivíduos, e, o pior, nem a combatê-los.

Hoje, reclamamos e tornamos público a nossa falta de capacidade e despreparo para engolir o que assistimos: a ganância, a corrupção, o apogeu da mentira e a enganação.

“Incompetentes” instrutores e monitores que não nos prepararam para conviver sob a égide dos “fins justificando os meios, e de que tudo vale em beneficio de seus interesses”, que nos moldaram sob as premissas da virtude, e a preservação da honra e da dignidade, a qualquer custo.

Mas, na certeza de que não agiram de má fé, desculpamos a sua inocência ou a sua boa intenção de esconder-nos que lá fora, um dia, nesta Terra predominaria a falta de caráter, a impunidade, e que o mérito seria um nauseabundo defunto diante dos interesses pessoais.

Infelizmente, sob o peso dos anos, nós que frequentamos as escolas de antigamente, não temos mais tempo nem saco de apreendermos a arte da patifaria e, por isso, vez por outra, indignados por assistir a tantas falsidades, ao ver florescer o escárnio e a injustiça, reclamamos, denunciamos.

Mas é um grito inútil, pois os tempos são outros, a escolas de antigamente foram substituídas, e sabe-se lá o que os novos mestres ensinam, neste caso, em preparação dos jovens para se saírem bem entre os demais patifes. Nós, infeliz ou felizmente, deste tema, nada aprendemos.

Evidentemente, a História da Humanidade tem nas suas linhas uma infindável lista de indivíduos de baixíssimo padrão moral, pessoas sem escrúpulos.  E assim será, agora e sempre.

Porém, o duro é testemunhar no Brasil, que aqui, quanto mais cretino melhor, como comprovamos no nosso dia a dia.

Mas é tarde para voltar aos bancos escolares, e mais difícil viver nestes novos tempos sem reclamar daqueles antigos Mestres, que não nos prepararam para viver nesta fedorenta esbórnia.

A grande dúvida é se diante de tantos patifes, a História da Pátria poderia perdoar-nos se liderássemos uma revolução que sob a desculpa do “paredón” eliminasse sem piedade, os abomináveis detratores da honra e da grandeza do Brasil.                                          

Brasília, DF, 31 de maio de 2014

Cadete do último ano do Curso de Infantaria da AMAN, sob o Comando do inesquecível General Emílio Garrastazu Médici, em 31 de março de 1964.

 

 

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