Ernane Galvêas - Presidente da APEC
A política econômica praticada durante o Governo Militar, de 1964 a 1984, tem sido objeto de críticas partidárias, que distorcem a análise correta dos fatos por motivos políticos revanchistas. Mas a verdade se impõe e, felizmente, ainda estão vivos alguns economistas e autoridades que participaram dos acontecimentos.
O Governo do Presidente Castelo Branco, de 1964 a 1967, teve como colaboradores o Ministro  Roberto Campos, no Planejamento, e Otávio Bulhões, na Fazenda, assessorados por Mario Henrique Simonsen, na área econômica, e José Luiz Bulhões Pedreira e Ulhôa Canto, na Jurídica. Todos eles destacados profissionais, imbuídos do mais  elevado espírito público. Desafia-se quem possa negar as evidências.

O Governo Castelo Branco recebeu de herança não só a perigosa infiltração marxista, mas também a economia no rumo da estagnação, da inflação incontrolada e da desordenada administração fiscal. Coube ao primeiro Governo Militar pôr ordem na situação e realizar corajosas reformas, tais como a fixação dos parâmetros da reforma agrária, a reforma tributária e  a criteriosa administração fiscal, a criação do Banco Central e a ordenação do mercado financeiro e de capitais, a política habitacional e a criação do BNH, o aperfeiçoamento da política trabalhista, com a criação do FGTS, e muitas outras iniciativas, principalmente na realização dos mais importantes projetos na infraestrutura do setor elétrico, portuário e rodoferroviário, que plantaram as bases do crescimento econômico que viria nos Governos seguintes. A inflação de 90% do Governo Jango foi contida e chegou em 1972 e 1973 a cerca de 15%. Em 1973, o PIB brasileiro cresceu 14%.
Os Governos Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo não foram diferentes, com a economia comandada pelas mais destacadas inteligências de Delfim Netto, Nestor Jost, Carlos Langoni, João Paulo Velloso, novamente Mario Simonsen, Mario Andreazza, Marcos Vianna, Camilo Pena, Francisco Dornelles, Cid Queiroz, Mailson da Nobrega, Osvaldo Colin e muitos outros.
Em todo esse período, grandes adversidades ocorreram. Do lado político, ressurgiram as tropas subversivas de esquerda e direita, que povoaram todo o Governo de Getúlio Vargas, com Carlos Prestes e Plínio Salgado, de novo com Jango, e a cooptação subversiva dos trabalhadores rurais, dos estudantes e dos sindicatos trabalhistas. O Governo Militar teve que travar uma verdadeira guerra contra a subversão, que tomou forma de acirrada guerrilha urbana, com assalto a bancos, explosão de bombas e sequestro de embaixadores. Uma desgraça que deixou trágica mancha de mortes e infortúnios em todo esse período, de ambos os lados.

Do lado econômico, ocorreu a tragédia dos dois choques do petróleo, o primeiro em 1973/74, no Governo Geisel, e o segundo em 1979, no Governo Figueiredo, cujas consequências foram a recessão de 1981 e 1983 e o longo período da crise mundial da dívida externa, que ocupou os anos 80 e 90, e nos obrigou a uma criteriosa, habilidosa e penosa negociação com o Fundo Monetário e os bancos credores.
Alguns antigos “conspiradores”, que pregavam a subversão de esquerda nas Universidades, ainda se julgam em condições de criticar o Governo Militar pela brutalidade das torturas e violação dos direitos humanos. Será que eles esqueceram que houve uma guerrilha urbana, iniciada e sustentada por uma esquerda subversiva que queria impor ao País uma “república sindicalista”, uma imitação de Cuba do tamanho do Brasil?

Não é lícito, nem honesto, falar na herança maldita deixada pelo Governo Militar. É no mínimo, uma desonesta deturpação da História do Brasil.
RETROCESSO IDEOLÓGICO, A ESQUERDA E A CONQUISTA DO PODER
A civilização brasileira contemporânea está passando por uma nova e tumultuada fase de contradições e choque de ideologias, que pareciam encerradas após a queda do Muro de Berlim, em 1989. A crise financeira iniciada nos Estados Unidos, em 2008, reabriu as feridas e deixou transparente o fato constrangedor de que os avanços tecnológicos dos últimos 20 anos produziram um retrocesso no mundo capitalista, com o aumento do desemprego e das desigualdades na distribuição da renda.

A sociedade brasileira está servindo de palco para o desenrolar desses acontecimentos. Ressurgiram, entre nós, milícias marxistas ou gramcistas que insistem na pregação de uma exótica democracia cubana ou de um fanático socialismo bolivariano, fundado na Venezuela. Líderes trabalhistas e políticos liderados pelo PT se uniram e, sob a bandeira da democracia e dos princípios constitucionais, sem violência, sem guerrilha, tomaram o Poder na República do Brasil. Com uma coalizão política no Congresso Nacional e o consentimento de um patrimonialismo explícito, ocuparam 39 Ministérios, 128 autarquias, 34 Fundações, os grandes Fundos de Previdência, nomearam Juízes e Ministros para os Tribunais Superiores, assumiram a direção da Petrobras, da Eletrobras, do Banco do Brasil, do BNDES e da Caixa Econômica e cooptaram algumas grandes empresas empreiteiras de obras públicas que  são apontadas como financiadoras de campanhas eleitorais.

A política externa do Brasil caminha nessa mesma direção, com uma ação diplomática antiamericana, que ostensivamente adota todas as posições nos fóruns internacionais contrárias aos Estados Unidos.
Professores e educadores, com apoio da imprensa, desenvolvem nas escolas brasileiras, principalmente no ensino superior, uma pregação socialista-marxista. O Ministro do Trabalho está propondo a criação de uma Universidade do Trabalhador que terá uma cadeira sobre Marxismo, como se já não bastasse o que se ensina nos cursos de Filosofia, no ensino médio.
Cada vez mais, se acentua a tendência de estruturar a economia e a democracia brasileira à semelhança do modelo vigente na China. Lamentável e preocupante.
Seria possível afirmar que, de certa forma, os intelectuais de esquerda são uns idiotas; mas, em sentido absoluto, eles não são idiotas porque defendem o seu próprio interesse, de manter-se ao lado do Poder, como professores, intelectuais que escrevem artigos e livros, fazem conferências e participam de Seminários, ou seja, ganham a vida com habilidade e conforto. Não importa que seus seguidores inocentes, estudantes e trabalhadores, jamais tenham a chance  de gozar dessas benesses. São inocentes úteis.


Eles, os intelectuais de esquerda, vivem uma vida burguesa, às vezes de luxo, mas pregam o socialismo, que não praticam, como arma contra o capitalismo e contra os Estados Unidos, acusado de ser imperialista, colonizador, opressor. Pura enganação. Na verdade, o que esses intelectuais de esquerda desejam é manter o status quo, a boa vida que levam, defendendo uma democracia utópica, quando na verdade, pregam uma ditadura socialista. O “socialismo real”.
Há 50 anos, durante o 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, aconteceu o fato mais importante da segunda metade do século XX: o desmoronamento do comunismo russo, que durante 40 anos vinha enganando o mundo, com um falso socialismo democrático. Naquele histórico dia 14 de fevereiro de 1956, Nikita Kruchev abalou o mundo, com a leitura de um longo relatório sobre as atrocidades do Governo de Joseph Stalin, desmistificando o regime comunista implantado na Rússia, em 1917. Ainda assim, o comunismo sobreviveria como uma doutrina moribunda, até a sua morte definitiva, marcada pela queda do Muro de Berlim, em 1989, e a completa derrota levada a efeito pelas corajosas transformações do Governo Michail Gorbachev.
O mundo não festejou o cinquentenário daquele fantástico acontecimento de 1956 como, merecidamente, deveria fazê-lo, em nome das novas gerações que, hoje, querem viver sob o signo da liberdade e da democracia.

Entretanto, se o comunismo acabou, nos termos em que havia sido proposto no “Manifesto” de 1848, o socialismo radical de esquerda não acabou e continua virulento em sua campanha contra o capitalismo privado, ainda referindo a burguesia como uma classe odiosa que retira seus lucros dos salários dos trabalhadores.
Antigamente, os comunistas almejavam a tomada do Poder pela luta armada, pela força, no velho modelo leninista, através da exportação da ideologia marxista, conforme os objetivos da Internacional Comunista. Mas o comunismo caiu, com a queda do Muro de Berlim, em 1989. Aí, os comunistas, marxistas-leninistas, ressuscitaram Antonio Gramsci, com sua doutrina de chegar ao Poder através dos sindicatos de trabalhadores, das escolas e da cooptação da sociedade civil. No Brasil, a doutrina gramcista foi adotada pelos dirigentes sindicais e pelo PT, na esfera política, com o objetivo final da implantação de uma República Sindicalista, na qual os postos de decisão e de comando – o Poder – são reservados e confiados aos membros da “Corporação Sindical”.

A República Sindicalista do Brasil está praticamente implantada, nos Ministérios e Secretarias, nas agências reguladoras, na FUNAI e no INCRA, no Banco do Brasil, no BNDES e na Caixa Econômica, na Petrobras, na Eletrobras. E ainda temos o MST, como milícia eventual e tropa de reserva. E a CNBB e o CIMI. O Congresso Nacional, povoado de socialistas, não toma conhecimento do que está acontecendo e cuida, particularmente, de seus próprios interesses. O Judiciário tem a sua própria lógica e, embora não tenha preocupação eleitoral ou sindical, não foge ao modelo de equidistância do que está acontecendo no Executivo e no Legislativo.

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