Objetivo é recolher provas que possam contribuir para a investigação de crimes da época
Morte do tenente-coronel do Exército está sendo investigada pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense

Por Cássio Bruno  e Chico Otávio O Globo  28/04/14

Policia Federal apreende computadores e documentos no sítio do coronel reformado Paulo Malhães, morto durante assalto Antonio Scorza
RIO - Uma operação da Polícia Civil do Rio, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal recolheu nesta segunda-feira três computadores, mídias digitais, agendas e documentos do período da ditadura, inclusive relatórios de operações, no sítio onde morava o tenente-coronel do Exército, Paulo Malhães, de 77 anos, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Malhães morreu na quinta-feira durante assalto em sua casa.

O mandado de busca e apreensão foi deferido no último sábado, pelo juiz federal Anderson Santos da Silva, e teve por finalidade apreender, além de documentos, outras provas que possam contribuir para a investigação de crimes cometidos durante a ditadura militar por agentes do Estado.

Os policiais da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) e o procurador federal Sérgio Suiama chegaram no sítio por volta do meio-dia. A operação, acompanhada pelo GLOBO, durou cerca de três horas e meia. De acordo com Suiama, a morte de Paulo Malhães está sendo investigada apenas pela DHBF. A presença dos agentes da Polícia Federal no local foi para dar escolta ao procurador já que a região é dominada pelo tráfico.

— Estamos acompanhando um pedido de busca federal. Não entramos no caso da morte do coronel — afirmou Sérgio Suiama, ao GLOBO.

A viúva do militar Cristina Batista Malhães e o caseiro Rogério Pires, que estavam no momento do assalto na propriedade, também participaram da diligência. Cristina não quis falar com a imprensa. Já Pires admitiu que teme pela segurança da família.

Eu moro aqui perto. Quem não tem medo? Eu tenho dois filhos — afirmou o caseiro, sem dar mais detalhes sobre o dia do crime.

O delegado titular da DHBF, Marcus Maia, informou que, além da viúva e do caseiro, dois filhos de Paulo Malhães já prestaram depoimento. Segundo Maia, a principal linha de investigação é latrocínio (roubo seguido de morte), mas não descartou outras hipóteses, como queima de arquivo e vingança.

O corpo de Paulo Malhães foi encontrado na última quinta-feira. Ele estava no chão, de bruços, com o rosto num travesseiro. Os bandidos levaram R$ 700, dois computadores, armas e joias. A mulher de Malhães e o caseiro da propriedade também foram mantidos reféns.

Como O GLOBO mostrou, a guia de sepultamento do tenente-coronel reformado informava que a morte fora ocasionada por um edema pulmonar e uma isquemia no miocárdio. Para especialista, é provável que Paulo Malhães tenha morrido por infarto. A família admitiu que o militar tinha problemas cardíacos.

Em junho de 2012, pela primeira vez, Paulo Malhães revelou ao GLOBO detalhes de como era a rotina da Casa da Morte, residência situada em Petrópolis, na Região Serrana. O local funcionava como centro de torturas da repressão. Segundo Malhães, nada ali foi feito à revelia do Centro de Informações do Exército (CIE).

Em março deste ano, em nova revelação do tenente-coronel ao GLOBO, ele contou que foi responsável por dar um fim ao corpo do ex-deputado Rubens Paiva: foi encarregado de desenterrar o corpo de Paiva e jogá-lo ao mar.

Em depoimento à Comissão Estadual da Verdade do Rio, o militar contou que o destino das vítimas da Casa da Morte era um rio na Região Serrana, e que, para evitar a identificação dos corpos, as arcadas dentárias e os dedos das mãos eram antes arrancados.

Comentários  
#4 Antonio Tadeu dos Sa 01-05-2014 12:08
:lol: Olha Roberto nao vai demorara muito para Generais cubanos comandarem as FFAA brasileiras
#3 Italo 30-04-2014 09:34
Desconfio muito que estes "ex-terroristas " voltaram a ativa com um grupo de extermínio.
O Cel Molinas foi assassinado no Rio Grande do Sul. No Rio de Janeiro em uma manifestação contra o Clube Militar, estava do Governador do RS Tarso Genro,que financiou a viagem dos baderneiros.Em Brasília, os que picharam a casa do Cel Ustra também tinha gente vinda do RS. Agora o assassinato do Cle Paulo Malhães
#2 Roberto Albernaz 30-04-2014 05:29
Assim se faz a estória cada a um a seu mandato.Foi assim com o Coronel Molina,vai ser assim com o Coronel Malhães.Se observarem bem,o fator principal desse "assassinato" são os "documentos" a qual "estavam de posse" na casa do Cel. que poderiam ser provas ou fatos ocorridos durante o governo dos militares e não a morte em si.Um absurdo a que ponto a justiça brasileira caminha...Inter esses pessoais e políticos de uma nação perdida no futuro.FFAA caladas,heróis brasileiros sendo execrados em vias públicas,cubano s vindo para "programas médicos".. só falta importarem comandantes militares para o nosso Brasil varonil.Um absurdo!! Acordaaaaa Brasil!!
#1 Chatoque raciocina 29-04-2014 20:04
Brasil acima de tudo! Assim se queimam arquivos. Coloca-se alguém como boi de piranha, para atravessar o rio ou talvez até o mar! Maus brasileiros devem pagar caro. Afinal, aí tem muito mais protagonistas do que o caseiro e família. Os protagonistas verdadeiros, pagaram uma indenização alta ao executor. Nesses crime tem mandantes. Vamos passar o Brasil a limpo: impeachment na guerrilheira, comunista, assassina e fora foro de São Paulo e seu mentor. Os ali babas que não sabem de nada têm que ser expurgados. Viva a Democracia. Viva o Brasil e aqueles que o salvaram e salvaram os brasileiros da escravidão comunistas. Seus maus agradecidos: as FFAA têm que ganhar três mais do que ganhar e urgente. Portanto triplicar o efetivo das FFAA, como escola modelo para o Brasil, não é nenhum favor. Chega de roubos e corrupção bilionários. Essas peste, capetas do poder inconstituciona l, pois, manipularam urnas e pagaram os votos caríssimos. Outrossim, sem perdão. Revoguem a anistia e pagarão.
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