SAUDAÇÃO DO CH EME AOS NOVOS OFICIAIS-GENERAIS -09/04/12
General  de Exército Joaquim Silva e Luna
Chefe do Estado-Maior do Exército 
Sabe-se que a promoção a general é o reconhecimento maior a que pode aspirar um soldado vocacionado, corresponde ao ápice da trajetória castrense e é  alcançada após longa jornada de dedicação e sacrifícios.

O ingresso e a ascensão a esse círculo  se dão por escolha. É um processo  difícil e sofrido de seleção para

o Alto-Comando e de confiança  para as autoridades que referendam esse ato. No caso, o  Sr Ministro da Defesa e a Sra  Presidenta da República.

Sabemos que, por  limitação de vagas, muitos, igualmente capazes, ficam de fora ao  final do processo. A estes, e a seus familiares, os agradecimentos do Exército por suas vidas de dedicação ao serviço.

Senhores Generais de Brigada recém-promovidos, parabéns!

O Exército os saúda, a cada um e a todos, pela vitória alcançada, e se alegra com os familiares e amigos nesse momento festivo.

Para os senhores, uma nova etapa se inicia. Vivam ainda mais  intensamente o propósito, os princípios e os valores da Instituição.

Quando o homem avança, o que vai à sua frente é o seu passado. Mas o passado é uma carta de apresentação. O que se quer do novo Chefe é o novo que ele representa e pode produzir  para atender as necessidades do presente, particularmente aquelas  que constroem o futuro. Essa é a natureza primária da evolução.

Não tenham dúvida, a entrada dos senhores no círculo dos  oficiais-generais vem marcada por esta expectativa. Fujam, portanto, da mesmice, da zona de conforto, das certezas empoeiradas.

O tempo é um algoz. O que se subordina a ele obedece à lei  implacável da sucessão. Os que passam o bastão para os senhores,  sabem que não fizeram tudo que podiam; mas sabem também que,  nas condições existentes, hipotecaram o melhor de suas energias para deixar aos sucessores uma plataforma mais adequada – base para novos avanços – confiantes de que os que os sucederão  farão mais e melhor. A melhoria contínua, a evolução e a própria transformação do Exército decorrem desse credo. E agora estão nas mãos dos senhores.

No contexto internacional, estamos em um ponto de inflexão  importante. A tecnologia está reformulando a maneira como os  conflitos ocorrem, permitindo-se estar em guerra sem qualquer  declaração. O futuro dessa natureza de conflito está sendo  moldado pelo emprego de aviões não tripulados, por robôs, pela  guerra cibernética, pela capacidade extraordinária de vigilância –  do campo de batalha e de indivíduos –, pela maior dependência de  forças especiais em ações não convencionais, pela militarização do  espaço e pelo avanço da biotecnologia. Nada disso deleta velhas ameaças. Mas são novos tempos, novos desafios, exigindo novas  formas de defesa e nova gente, de cabeça arejada e imaginação  criativa – exatamente como os senhores.

No contexto nacional, vislumbramos o emprego do Exército,  como já está ocorrendo, em diferentes eventos no ano em curso e  nos vindouros. Busquem a clareza em tudo. Poderão estar atuando  na proteção de patrimônios ou em GLO, contra gente que tem estado fora do alcance da lei – e que tem conseguido ter voz no  processo decisório por meio da violência. Busquem claras regras  de engajamento e segurança jurídica antes de partirem para o  cumprimento das missões.

O exercício da autoridade, particularmente para dissuadir  intenções hostis, não combina com flacidez de normas nem com  tolerâncias. Tolerância, nesses casos, não é uma virtude. No  convívio diário, em situação de normalidade, até pode ser. No  emprego de Força Armada, não o é. Tolerar é fazer vista grossa ao erro, é ser indulgente com a transgressão, é suportar magoado.  Tolerar é aguardar que a indefinição e o tempo resolvam o  problema. O tolerante não pratica a justiça, trata igualmente  desiguais, afrouxa a disciplina, compromete a hierarquia,  desagrega a coesão, inibe o espírito de corpo e amplia o risco.

Fortaleçam o trabalho interagências, busquem soluções compartilhadas, mas não as confundam com “jeitinho”. Deem o  nome certo às coisas. Eufemismos não mudam a realidade dos  fatos.

A era do discurso vazio acabou. Tem que haver entrega. Ou se  entregam resultados ou se vai ficar falando sozinho. Ninguém inaugura  mais promessas. Tenham, portanto, aguçado senso de legado.

Nesse sentido, sejam protagonistas das causas e deixem que  inaugurem as consequências.

A coragem continua sendo o principal atributo do chefe militar. Tendo coragem, as outras virtudes serão potencializadas.

Os valores do nosso Exército precisam ser transmitidos por  meio de ações cada vez mais tangíveis. Mostrem com o trabalho  de suas mãos o que pregam com os lábios.

Liderança alinha hierarquia e disciplina e mantém a coesão da Força. Seu rosto é o exemplo.

É vital a prontidão. Mas ela é insuficiente sem a prevenção.

Há princípios de guerra que são milenares e que continuam  cada dia mais atuais. Se perderem a iniciativa, por algum momento,  busquem recuperá-la o mais rápido possível. Preservem o espaço  de manobra. Não se tornem reféns das circunstâncias.

Para o Exército manter sua destinação constitucional, não basta “fazer um pouco mais do mesmo” – há que agir  com maturidade estratégica, ou seja, entregar valores, ter  representatividade e conquistar confiança e respeito nos corações  e mentes da sociedade a que serve.

Volto a este momento presente para encerrar.

A síntese da caminhada de sacrifícios, superações e conquistas vê-se estampada no rosto emocionado de cada um dos  senhores, neste momento em que estão perfilados à nossa frente,  para receberem a réplica da espada de CAXIAS. Ao atenderem,  daqui a pouco, ao primeiro toque de clarim de oficial-general,  verão que seus corações nunca bateram tão forte e que nunca fizeram uma continência com tanta “atitude, gesto e duração”.

A vitória dos senhores, alegria e orgulho dos familiares e  amigos, é também vitória, alegria e orgulho do nosso Exército  Sob a proteção de Deus e reafirmando compromissos,  sigam em frente, impulsionados pela energia da confiança que a  Instituição acaba de lhes emprestar!

Foram estas as ideias que o Sr Comandante do Exército orientou-me a que lhes transmitisse.

Muito obrigado a todos que nos honram com suas presenças.

General de Exército Joaquim Silva e Luna

Chefe do Estado-Maior do Exército






Sabe-se que a promoção a general é o reconhecimento maior a que pode aspirar um soldado vocacionado, corresponde ao ápice da trajetória castrense e é  alcançada após longa jornada de dedicação e sacrifícios.

O ingresso e a ascensão a esse círculo  se dão por escolha. É um processo  difícil e sofrido de seleção para

o Alto-Comando e de confiança  para as autoridades que referendam esse ato. No caso, o  Sr Ministro da Defesa e a Sra  Presidenta da República.

Sabemos que, por  limitação de vagas, muitos, igualmente capazes, ficam de fora ao  final do processo. A estes, e a seus familiares, os agradecimentos do Exército por suas vidas de dedicação ao serviço.

Senhores Generais de Brigada recém-promovidos, parabéns!

O Exército os saúda, a cada um e a todos, pela vitória alcançada, e se alegra com os familiares e amigos nesse momento festivo.

Para os senhores, uma nova etapa se inicia. Vivam ainda mais  intensamente o propósito, os princípios e os valores da Instituição.

Quando o homem avança, o que vai à sua frente é o seu passado. Mas o passado é uma carta de apresentação. O que se quer do novo Chefe é o novo que ele representa e pode produzir  para atender as necessidades do presente, particularmente aquelas  que constroem o futuro. Essa é a natureza primária da evolução.

Não tenham dúvida, a entrada dos senhores no círculo dos  oficiais-generais vem marcada por esta expectativa. Fujam, portanto, da mesmice, da zona de conforto, das certezas empoeiradas.

O tempo é um algoz. O que se subordina a ele obedece à lei  implacável da sucessão. Os que passam o bastão para os senhores,  sabem que não fizeram tudo que podiam; mas sabem também que,  nas condições existentes, hipotecaram o melhor de suas energias para deixar aos sucessores uma plataforma mais adequada – base para novos avanços – confiantes de que os que os sucederão  farão mais e melhor. A melhoria contínua, a evolução e a própria transformação do Exército decorrem desse credo. E agora estão nas mãos dos senhores.

No contexto internacional, estamos em um ponto de inflexão  importante. A tecnologia está reformulando a maneira como os  conflitos ocorrem, permitindo-se estar em guerra sem qualquer  declaração. O futuro dessa natureza de conflito está sendo  moldado pelo emprego de aviões não tripulados, por robôs, pela  guerra cibernética, pela capacidade extraordinária de vigilância –  do campo de batalha e de indivíduos –, pela maior dependência de  forças especiais em ações não convencionais, pela militarização do  espaço e pelo avanço da biotecnologia. Nada disso deleta velhas ameaças. Mas são novos tempos, novos desafios, exigindo novas  formas de defesa e nova gente, de cabeça arejada e imaginação  criativa – exatamente como os senhores.

No contexto nacional, vislumbramos o emprego do Exército,  como já está ocorrendo, em diferentes eventos no ano em curso e  nos vindouros. Busquem a clareza em tudo. Poderão estar atuando  na proteção de patrimônios ou em GLO, contra gente que tem estado fora do alcance da lei – e que tem conseguido ter voz no  processo decisório por meio da violência. Busquem claras regras  de engajamento e segurança jurídica antes de partirem para o  cumprimento das missões.

O exercício da autoridade, particularmente para dissuadir  intenções hostis, não combina com flacidez de normas nem com  tolerâncias. Tolerância, nesses casos, não é uma virtude. No  convívio diário, em situação de normalidade, até pode ser. No  emprego de Força Armada, não o é. Tolerar é fazer vista grossa ao erro, é ser indulgente com a transgressão, é suportar magoado.  Tolerar é aguardar que a indefinição e o tempo resolvam o  problema. O tolerante não pratica a justiça, trata igualmente  desiguais, afrouxa a disciplina, compromete a hierarquia,  desagrega a coesão, inibe o espírito de corpo e amplia o risco.

Fortaleçam o trabalho interagências, busquem soluções compartilhadas, mas não as confundam com “jeitinho”. Deem o  nome certo às coisas. Eufemismos não mudam a realidade dos  fatos.

A era do discurso vazio acabou. Tem que haver entrega. Ou se  entregam resultados ou se vai ficar falando sozinho. Ninguém inaugura  mais promessas. Tenham, portanto, aguçado senso de legado.

Nesse sentido, sejam protagonistas das causas e deixem que  inaugurem as consequências.

A coragem continua sendo o principal atributo do chefe militar. Tendo coragem, as outras virtudes serão potencializadas.

Os valores do nosso Exército precisam ser transmitidos por  meio de ações cada vez mais tangíveis. Mostrem com o trabalho  de suas mãos o que pregam com os lábios.

Liderança alinha hierarquia e disciplina e mantém a coesão da Força. Seu rosto é o exemplo.

É vital a prontidão. Mas ela é insuficiente sem a prevenção.

Há princípios de guerra que são milenares e que continuam  cada dia mais atuais. Se perderem a iniciativa, por algum momento,  busquem recuperá-la o mais rápido possível. Preservem o espaço  de manobra. Não se tornem reféns das circunstâncias.

Para o Exército manter sua destinação constitucional, não basta “fazer um pouco mais do mesmo” – há que agir  com maturidade estratégica, ou seja, entregar valores, ter  representatividade e conquistar confiança e respeito nos corações  e mentes da sociedade a que serve.

Volto a este momento presente para encerrar.

A síntese da caminhada de sacrifícios, superações e conquistas vê-se estampada no rosto emocionado de cada um dos  senhores, neste momento em que estão perfilados à nossa frente,  para receberem a réplica da espada de CAXIAS. Ao atenderem,  daqui a pouco, ao primeiro toque de clarim de oficial-general,  verão que seus corações nunca bateram tão forte e que nunca fizeram uma continência com tanta “atitude, gesto e duração”.

A vitória dos senhores, alegria e orgulho dos familiares e  amigos, é também vitória, alegria e orgulho do nosso Exército  Sob a proteção de Deus e reafirmando compromissos,  sigam em frente, impulsionados pela energia da confiança que a  Instituição acaba de lhes emprestar!

Foram estas as ideias que o Sr Comandante do Exército orientou-me a que lhes transmitisse.

Muito obrigado a todos que nos honram com suas presenças.

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