Caros amigos - Gen Bda Paulo Chagas  
A conquista da “opinião pública” é, e sempre será, importante objetivo do poder político, qualquer que seja o regime. Contraditoriamente, ela tanto garante a saúde de uma democracia, quanto sustenta tiranias e aventuras populistas. O que distingue os dois cenários são o nível cultural do povo, a honestidade dos instrumentos utilizados pelos governantes, a liberdade de imprensa e a boa fé de todas as partes.
Infelizmente, no Brasil de nossos dias, a manipulação da opinião pública avança perigosamente, e quase sem resistência, sobre nossa frágil democracia.

É esse o esforço dos que hoje conspiram contra a nossa liberdade: Capturar o espírito crítico de toda a Nação por intermédio da ditadura do politicamente correto, da imposição do pensamento único e pela reconstrução da realidade, passada e presente.
Seu esclarecimento só interessa às pessoas honestas que, no ambiente político brasileiro, tentam sobreviver como mariposas em festa de sapos.
Assegurar o regime democrático, restaurar a moral e a ética e dar fim à corrupção, à incompetência e à malversação dos recursos públicos só será possível a partir da perfeita percepção da perversa deterioração de costumes que hoje testemunhamos todos no nosso país.
O concurso de instituições como as Forças Armadas, externas ao quadro político nacional, pode ajudar a reverter este quadro nos assuntos que lhes são afetos pela Constituição Federal.
Como qualquer segmento da sociedade, com direito a voto e participação na vida pública, os militares têm o direito de opinar, afinal, mais de 80% de confiança e de prestígio, comprovados em todas as pesquisas de opinião, dão às Forças Armadas um honesto e significativo poder de convencimento que põe em pânico qualquer político ou governante.
Sua "força política" não está, portanto, no poder das armas, mas no prestígio conquistado pelo irrestrito cumprimento do dever constitucional.
Há algum tempo, o General Augusto Heleno, representando a opinião do Exército, manifestou-se em um canal de televisão sobre os problemas da Amazônia e, em particular, sobre a influência dos equívocos da política indigenista do governo sobre a soberania nacional.
A opinião do Exército, através da palavra daquele soldado, sacudiu a Nação, deu asas à esperança dos brasileiros esclarecidos e ávidos por honestidade. A repercussão foi tanta que muitos chegaram a cogitar, e ainda cogitam, sobre a candidatura do Gen Heleno à Presidência da República!
Cumpre repetir que isto só aconteceu porque a manifestação representou a posição do Exército e não apenas a do General Heleno.
A opinião dos militares, destarte, tem força e eficácia sobre a opinião pública quando, dentro dos limites da lei e das prerrogativas democráticas, representa a posição das Instituições a que pertencem, nos assuntos que lhes dizem respeito e que interferem em sua missão constitucional.
O prestígio conquistado oferece o respaldo da fé pública enquanto a democracia dá direito de voz a todas as instituições e correntes de pensamento. Ela permite a manifestação de todos os segmentos da sociedade, principalmente dos que podem e devem contribuir para a sua boa prática e para o Bem Comum.
Temos assistido, nos últimos dias, a uma saraivada de mensagens, artigos, atitudes, ordens, manifestações e declarações que objetivam, justamente quando se comemora o cinquentenário da “Revolução Redentora”, construir uma imagem distorcida do papel das Forças Armadas na luta pela democracia que hoje desfrutamos no Brasil.
O bom senso, qualidade que todos acham que têm na justa medida do necessário, indica aos manipuladores da opinião pública, particularmente aos que, para consecução de seus compromissos, dependem do concurso e do apoio das Forças Armadas, que o momento não é propício para provocações descabidas de lógica e de fundamentos.
Afinal, tolerância tem limites!
Assim, fazendo apelo a essas qualidades de difícil mensuração, é de bom alvitre que o tom dos discursos e das atitudes tome, o quanto antes, outro rumo, mais coerente com a dependência da Nação e de seus governantes de seus Soldados, já que  o desprestígio, o desconforto moral e o fim da tolerância dos Militares não são bons para ninguém!

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