Correio Braziliense - Ministra da Casa Civil é temida não só por causa do poder que acumula, mas pela personalidade intempestiva no dia-a-dia. 
Por UGO BRAGA -DA EQUIPE DO CORREIO
 

   As articulações do governo rm torno da ida da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao Congresso revelaram uma face oculta da personalidade política da "mãe do Pac" : ela tem tão pouca habilidade para dialogar com divergentes que chegou mesmo a temer o açoite dos oposicionistas na Conissão de Infra-Estrutura do Senado. O medo, no caso , era o de ela  perder a fleuma ao ser provocada e destruir sua própria candidatura presidencial, ainda em construção.

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   O potencial explosivo de Dilma virou motivo de aflição especialmente entre os funcionários mais humildes do Planalto — secretárias, copeiros e garçons. Recentemente, a ministra iniciara uma reunião com um colega da Esplanada e mais um grupo de técnicos quando o garçom serviu chá aos presentes. Dilma alongou-se na exposição sem sorver uma gota do líquido, que esfriou. O garçom, atento, entrou na sala e recolheu todas as louças, inclusive a da ministra. Ela, então, interrompeu o encontro e vociferou uma bronca homérica no serviçal, diante da platéia constrangida.

Entre os servidores do Planalto ninguém acha mais graça na história que virou uma norma. Agora, serventes provam abacaxis para certificar se estão maduros. Tudo por causa de insultos ouvidos da ministra em duas ou três ocasiões em que foi servido suco que ela julgou azedo. As assessoras tremem quando ela, impaciente, as chama com o prefixo de “santinha”. É a senha de que o tempo vai fechar.

   Embora o tom das queixqs amenize quando o interlocutor detém cargo maior na hierarquia, diz-se nos bastidores palacianos que um dos ministros em cuja pasta estão alocados bilhões de reais do Programa de Aceleração do Crescimento ( PAC )  já ouviu iompropérios da chefe da Casa Civil em reuniões de trabalho. O mesmo teria ocorrido com um secretário do Ministério da Fazenda e, em grau mais elevado, com o presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi.(...)
 
 
   A doce felicidade da Rua Major Lopes acabou para Dilma em meados da década de 1960, quando ela trocou o exclusivo para moças Sion pelo misto Colégio Estadual , E depois, seguindo a trilha, ingressou no curso de economia da Universidade Federal de Minas Gerais. O movimento Estudantil borbulhava. No meio dele, a guerrilheira " Estella" nasceu.

   Dilma entrou para a luta política não pelas vias sindicais ou associações classistas. Foi recrutada pelo então namorado (depois marido), Cláudio Galeno de Magalhães Linhares, para militar no Política Operária (Polop), grupo marxista. Desentendimentos sobre os rumos da resistência fizeram nascer o Comando de Libertação Nacional (Colina), ao qual Dilma, ou Estella, perfilou-se, junto com Cláudio. A mocinha da Rua Major Lopes agora dava aulas de marxismo nas células comunistas. Perseguido pela polícia mineira, o casal fugiu para o Rio e caiu na clandestinidade.

No Rio, já alçada ao topo do Colina, Estelkla planeja três assaltos a bancos - dinheiro que financiava as atividades da conspiração.  Diante das bem sucedidas operações do Colina, outros grupos marxistas se integraram. O comabndo chefiado por Dilma se funde à vanguarda Popular Revolucionária (VPR onde despontava o já famoso capitão Carlos Lamarca, adepto da tomada do poder pelas armas. Surge  daí a Vanguarda Armada Revolucionária- Palmares ( Var- Palmares), da qual Estella e Lamarca são os líderes, junto com um gaúcho chamado Carlos Araújo.

   Em julho de 1969, três carros com 11 guerrilheiros da VAR-Palmares estacionam em frente à casa no bairro carioca de Santa Teresa onde morava um irmão de Ana Capriglioni, notória amante do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros. Lá, executando uma operação minuciosamente planejada por Estella, que não tomou parte na ação, a VAR-Palmares rouba um cofre de chumbo pesando 300kg, recheado com uma bolada de US$ 2,5 milhões.

Pouco tempo depois, a VAR-Palmares se desintegra, por desentendimentos entre Estella e Lamarca. A maior parte do grupo segue Estella — na época, Cláudio, o primeiro marido, partira para Cuba a bordo de um avião seqüestrado e Dilma já se enamorava de Carlos, o gaúcho da VAR-Palmares (com quem veio a se casar e com quem teve Paula, a única filha, hoje juíza do Trabalho em Porto Alegre, e de quem se separou já depois da redemocratização). (...)
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