Sempre que vocês lerem, ouvirem ou assistirem alguma coisa relativa à Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, podem ter certeza que um nome surgirá: Wadih Damous!
            Último presidente da OAB-RJ, onde colecionou inimigos e desafetos, fez o seu sucessor e se instituiu como o responsável pelos Direitos Humanos. Além disso, pressionou o governador Sérgio Cabral a assinar o decreto de criação da Comissão Estadual da Verdade, que dormia lá numa gaveta.
            O proselitismo do Wadih tem uma finalidade: manter o nome dele na mídia a qualquer custo, posto que será candidato a um cargo eletivo em 5 de outubro. E detesta farda, qualquer uma, até do mata-mosquito!

            As Organizações Globo, desde outubro do ano passado, renegaram o apoio que proporcionaram, junto com toda a sociedade, à reação democrática de março de 1964 e ao regime de exceção que se seguiu, certamente fazendo corar de vergonha o patriarca Roberto Marinho, se vivo fosse. Depois que os black blocs entulharam esterco nas portarias das sedes do Rio de Janeiro e de São Paulo e que os seus principais repórteres tiveram que sair das ruas, ameaçados que foram de agressão, substituídos por jornalistas menos conhecidos e descaracterizados nos equipamentos, as coberturas passaram por modificação substancial.

            Corre a boca pequena que os principais executivos da emissora foram visitados ou visitaram um certo senhor de nove dedos, que lhes teria lembrado certas pendências fiscais, mas isto eu juro que é intriga.

            O certo é que a cobertura dos órgãos de comunicação da Globo se modificou. E, ao se aproximar a comemoração dos 50 anos da reação democrática de 31 de março de 1964 apresentou-se a situação ideal para por em prática esta mudança. Confiram a grade de programas dos canais de TV aberto e fechado, confiram a programação das rádios, confiram os debates, confiram as exposições em cartaz em várias cidades do país e ali terá um logotipo, um patrocínio, um apoio cultural das Organizações Globo.

            Não é privilégio dela o revisionismo histórico, eu diria  enfurecido, Brasil afora, em relação ao regime de exceção, mas afinal os melhores índices de audiência estão com eles. Assim, repercutem mais.

            O jornal O Globo já vem há algum tempo apresentando algumas reportagens sobre os 50 anos do que eles chamam de "golpe militar". Recentemente fez uma intensiva e numa delas unem-se duas pontas Wadih e Globo, num daqueles casos que mais propiciam atenção geral: Rubens Paiva.

            Depois de controversas histórias vazadas de depoimentos que teriam sido dados às Comissões da Verdade Nacional e Estadual, inclusive com o uso sempre oportunista de Elio Gaspari, que acusou toda uma geração de oficiais do Exército Brasileiro de assassinos, chega-se ao coroamento da reportagem levada ao ar pelo Jornal Nacional na data de hoje, 21 de março de 2014.

            Ela teve início no domingo, 16 de março, quando em reportagem que ocupou seis páginas da edição, destacou-se a primeira delas intitulada "O corpo que saiu para o oceano"! Ali, um militar identificado por agente Y, ao qual Elio Gaspari e outras reportagens já haviam se referido, conta uma rocambolesca história de como ele foi chamado para resolver um problema, fazer desaparecer os restos mortais de Rubens Paiva. O roteiro faria qualquer profissional de Hollywood babar, tal a criatividade, mas o jornal o "comprou" e divulgou. O agente Y, coronel reformado do Exército, exigia permanecer incógnito.

            O jornal continuou a execrar o "golpe militar", diariamente, até que ontem, 20 de março, o agente Y reapareceu, desta vez se identificando, só que para outro jornal, um dos poucos concorrentes de O Globo na cidade do Rio de Janeiro: O Dia! E, mudou a história! Desta feita ele não tinha mandado jogar os despojos de Rubens Paiva no mar, mas sim num dos rios que banha Petrópolis, junto à famosa Casa da Morte, Casa esta que ele mesmo havia denunciado a localização e tudo que ali acontecia.  

            O jornal O Globo correu atrás da barriga e foi se socorrer em quem? No Wadih e numa de suas prepostas que havia entrevistado o coronel Paulo Malhães. Hoje o jornal publica o que teria sido o relato desta personagem contando detalhes de como se livrar de um corpo sem deixar vestígios,utilizando-se dos rios, inclusive o de Rubens Paiva. A reportagem termina entrevistando a pessoa que colheu o depoimento do coronel. A advogada coloca em dúvida as assertivas apresentadas.

            Chego, finalmente, ao Jornal Nacional e ao William Bonner. Ele e sua companheira de bancada capricham na pose grave para fazer uma denúncia: o corpo de Rubens Paiva, ou o que seriam seus despojos, foram jogados num rio em Petrópolis. E, entrevistam quem? Bingo: Wadih Damous, exigindo um pedido de desculpas do Exército Brasileiro, ao mesmo tempo que clama pela verdade! E a advogada volta a questionar a veracidade do depoimento!

            Aguardem cenas dos próximos capítulos! Mas, algumas conclusões já podem ser tiradas, não é verdade?

            Marco Antonio Esteves Balbi - Rio de Janeiro, 21 de março de 2014

 

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