Por José Maria Mayrink, no Estadão
O comandante do Exército na Amazônia, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, advertiu ontem, na abertura de um curso sobre segurança internacional e defesa - promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Universidade de São Paulo -, que o Brasil está caminhando para perder parte de Roraima, por causa da demarcação de terras indígenas.

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            “Roraima está acabando, porque o território indígena é maior que o do Estado”, disse o general, depois de criticar a política indigenista brasileira que, em sua avaliação, “está na contramão da sociedade, conduzida à luz de pessoas e ONGs estrangeiras” . Segundo o comandante da Amazônia, “não há consenso sobre a questão indígena nem mesmo na Funai”.

           Interrompido várias vezes por aplausos de empresários, professores, militares e alunos, o general Heleno afirmou que os ianomâmis não precisam da terra contínua que, de acordo com a demarcação feita pelo governo, lhes foi atribuída contra parecer da Casa Militar.

           O general Heleno criticou também restrições a atividades militares em terras indígenas. “Enquanto eu for comandante militar, minha tropa vai entrar onde for necessário”, disse, referindo-se à Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) com voto favorável do Brasil, que garante aos índios a posse e controle autônomo de territórios por eles ocupados.

“Segundo essa disposição, se um chefe ianomâmi resolver proclamar-se imperador, já que pode escolher o regime político, vamos ter de acatar sua decisão”, ironizou o general. “Estão instalando malocas onde não existem e distribuindo gado aos índios para, daqui a alguns anos, alegarem que essa terra sempre foi indígena.”

O comandante da Amazônia observou que um indício de que as ONGs estão por trás da questão indígena é que muitos índios não têm condições de formular reivindicações que fazem. “Há ONGs picaretas entre as 220 mil que atuam no Brasil.”

“Os índios querem ter TV, geladeira e internet”, afirmou o general Heleno, citando uma índia que disse seguir a tradição de seu povo, mas que quer ter os benefícios do século 21.

Referindo-se à reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, onde os não-índios deverão ser retirados pela Polícia Federal, advertiu que a situação é difícil, mas extrapola a ação do Exército, pois está nas mãos da Presidência da República e do Supremo Tribunal Federal. Ele disse estranhar que não haja problemas desse tipo em áreas indígenas como a de Dourados (MS), mas sim numa região onde há urânio e outras riquezas minerais.

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