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Categoria: Forças Armadas
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 JB Online
A operação de retirada de não índios para consolidar uma reserva contínua de 1,7 milhão de hectares em Roraima, o equivalente a mais de 17 mil quilômetros quadrados – área superior a de muitos países europeus – não envolve apenas os riscos de um conflito anunciado envolvendo os atores da região. Será, também, o primeiro grande teste do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com as Forças Armadas que, por alegado nacionalismo, são radicalmente contra a demarcação. É por essa razão que o Exército, que mantém um pelotão especial de fronteira, em Uiramutã, no coração da reserva, se recusou a fornecer equipamentos, veículos ou a demonstrar qualquer gesto para viabilizar a operação, apesar das insistentes sondagens patrocinadas pelo Ministério da Justiça.

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Por uma questão de hierarquia, os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica não têm se manifestado sobre o assunto, mas há fartura de estudos de estrategistas militares alertando que a reserva contínua diminui os controles e facilita a ampliação do vazio demográfico numa região de fronteira, suscetível aos mais variados tipos de conflito por interesses externos. É um tema que afeta a área militar por se tratar de soberania e se choca contra o direito dos índios, cuja legitimidade sobre a área foi reconhecida por todos os tribunais do país.

 

A questão envolvendo as duas áreas, Raposa e Serra do Sol, se arrasta na Justiça há pelo menos cinco anos. Agora não há mais recuo: ou o governo faz a retirada dos não-índios, arcando com o bônus e o ônus de uma ação de resultado incerto ou refaz a estratégia, admitindo que interferiu equivocadamente na vida social e econômica de um estado ainda em formação.

 

A prisão do prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero e a reação manifestada antes mesmo da operação ser deflagrada, são indícios de que não será fácil a tarefa da Polícia Federal. Os próprios federais admitem (V.C.)