Gen Clovis Purper Bandeira 

Com a proximidade do Carnaval, as escolas de samba e blocos carnavalescos afinam seus tamborins e capricham no rebolado das passistas, nos ensaios técnicos para a grande festa. No Sambódromo e nas ruas, treinam para a apresentação.

No final da semana passada, outro tipo de ensaio aconteceu. Nas capitais estaduais onde ocorrerão jogos da Copa do Mundo de Futebol, saíram às ruas grupos de manifestantes, gritando palavras de ordem contra a Copa e seu custo absurdo – até agora, quase nove bilhões de reais foram “torrados” na construção de “arenas” que ficarão, a maior parte, ociosas depois da competição.

Não se trata, como querem fazer parecer, de movimento espontâneo. Basta ver que as passeatas ocorreram no mesmo dia, quase na mesma hora, em diversas cidades, o que denuncia uma coordenação de âmbito nacional.

Os organizadores não tentam se esconder: lá estavam as bandeiras do PSTU, PSol, PCB, PT e outros condôminos da corruptocracia  no poder há mais de dez anos. Não faltou nem mesmo, em algumas cidades, a adesão de “movimentos sociais” teleguiados pela corte esquerdista. Os mesmos que comemoraram efusivamente a escolha do Brasil para sediar a Copa, então uma vitória do prestígio internacional de seu guru eterno.

Em São Paulo, palco predileto das demonstrações mais violentas, para obrigar a reação também violenta da Polícia Militar e desgastar o governo estadual – que por coincidência não é do PT – apareceram os famigerados black blocs, com sua sanha destruidora, atacando bancos e empresas comerciais que julgam representar o capitalismo. Nada a ver com Copa ou esporte.

Na manifestação anticopa há, sem dúvida, pessoas desgostosas com o desperdício de dinheiro público, com a submissão às exigências exageradas da FIFA, com o atraso ou a não realização das obras de mobilidade urbana que seriam o resultado durável de benefícios para a população. Mas a cúpula dos manifestantes, que encampa qualquer tipo de reclamação para aumentar o efetivo que protesta, está mesmo interessada na agitação política e no domínio de seu desenrolar, assumindo desde já a organização e o comando das passeatas, cujo tamanho e violência aumentarão com a maior proximidade do campeonato.

Desta maneira, os políticos não correrão o risco de assistirem, estupefatos, a manifestações sem controle dos partidos que as dominam desde sempre, como aconteceu em julho passado.

Assim, cada grupo ensaia para sua festa particular.

Os blocos e os blocs estão nas ruas. Vai dar samba. E, não se iludam, dançaremos todos.

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