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Categoria: Diversos
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 OPINIÃO - O GLOBO
Não se trata de mais um desvio de dinheiro público – desses que tristemente entraram na rotina da vida publica do país. Se fosse, já seria escandaloso. Mas a constatação, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), de que o Movimento dos Trabalhadores Sem -Terra  (MST) desviou R$ 4,4 milhões recebidos do Ministério da Educação para alegadamente alfabetizar jovens e adultos, vai além de um escândalo trivial.

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O golpe – pelo qual o TCU pede acertadamente ressarcimento aos cofres públicos, fora medidas punitivas – mostra o que já era visível, mas faltava comprovar: dinheiro do contribuinte repassado pelo governo ao MST com suposta finalidade social é gasto de forma diversa, no financiamento de ações violentas, ilegais, contra o estado de direito.

O caso requer, portanto, uma investigação profunda também dos órgãos de segurança do Estado. O escândalo reproduz um método de drenagem de dinheiro do erário para operações ilegais do MST e outras organizações políticas também alimentadas nos guichês do governo federal: como o MST, e certamente outros movimentos do tipo, não tem existência legal, usam-se ONGs, fundações ou similares para serem beneficiárias de convênios ditos sociais. No caso do desvio dos R$ 4,4 milhões, foi usada como laranja, segundo o TCU, a Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca), denominação inocente e anódina de uma fachada atrás da qual esconde-se o MST.

Quem observa ações como as que o MST tem comandado no Norte contra a Vale constata que só uma fonte generosa e perene de recursos pode financiar gastos para a mobilização de pessoas de outros estados e sua estadia em acampamentos onde ficam dias a treinar para invasões e depredações. Esses convênios são uma das fontes.

Outra, que também acaba de ficar evidente, é o “ouro de Caracas”, como ficou claro na solenidade organizada quinta –feira em São Luis para o caudilho Hugo Chávez fazer proselitismo na assinatura de convênios “sociais” com o governador Jackson Lago. Qual será um dos destinos do dinheiro de Chávez? O MST, cujo líder nacional, João Paulo Stédile, fez questão de estar presente ao lado de Chávez – um dos seus patrocinadores, hoje fica evidente.

Toda essa história ganha proporções de extrema gravidade, por se tratar de interferência externa na política nacional, feita com intenções desestabilizadoras.

Emergiu a malha de interesses e alianças firmadas entre grupos aparelhados no governo e movimentos de esquerda radical, com ramificações no exterior, cuja proposta vai contra os interesses do regime democrático brasileiro.

Os poderes constituídos do Estado e a sociedade precisam estar conscientes da ameaça e enfrentá-la com rapidez.