Foram roubados documentos da empresa que deveriam ser entregues à PF e ao Conselho de Ética nesta sexta.
O assalto ao Matadouro e Frigorífico de Alagoas (Mafrial) - empresa que comprou a maior parte do gado vendido por Renan Calheiros (PMDB-AL) e apresentou notas fiscais de empresas fantasmas para comprovar o negócio - pode ter sido forjado. Existe a suspeita de que ação tenha sido planejada por pessoas interessadas em extraviar documentos do caso Renan.
 
 
Coincidentemente, o Mafrial teria de entregar nesta sexta-feira, 3, documentos à Secretaria de Estado da Fazenda para serem encaminhados à Polícia Federal e ao Conselho de Ética do Senado.

O Mafrial está no centro da investigação que apura a origem dos rendimentos do senador. Suspeito de ter as contas pessoais pagas por Cláudio Gontijo, lobista da empreiteira Mendes Júnior, o presidente do Senado apresentou vários documentos de venda de gado para comprovar que tinha renda suficiente para pagar o aluguel e a pensão para jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de três anos fora do casamento.

A suspeita foi levantada nesta sexta-feira, 3, pelo secretário-geral da Associação Autônoma dos Fornecedores de Carne de Alagoas, João Baptista, que representa cerca de 1.500 pequenos vendedores de carne no Estado. "Esse assalto foi orquestrado", afirmou Baptista, que trabalha há mais de 20 anos no mercado de carnes em Alagoas. Para ele, é muito estranho que os assaltantes tenham entrado no Mafrial e a primeira coisa que perguntaram aos vigilantes foi onde estavam os documentos do frigorífico.

"É no mínimo suspeito esse interesse todo pela documentação do matadouro, exatamente no dia marcado para a entrega dos documentos solicitados pela fiscalização da Secretaria Estadual da Fazenda", observou Baptista.


Assalto

O assalto aconteceu na madrugada da última quinta-feira, quando seis homens, fortemente armados, renderam o motorista de um caminhão de bois e entraram no Mafrial, sem encontrar nenhuma resistência dos vigilantes. Dentro da indústria, os assaltantes fizeram os vigilantes reféns e foram direto ao gabinete da diretora-geral do frigorífico, Zoraide Beltrão. A ação durou pouco mais de meia hora. Os assaltantes levaram dinheiro e muitos documentos.

Segundo Zoraide Beltrão, os assaltantes arrombaram os quatro cofres do Mafrial, da onde levaram R$ 17 mil em dinheiro e cerca de R$ 200 mil em cheques, além de muitos documentos do matadouro.

O assalto está sendo investigado por Haroldo Gonçales, delegado de Satuba, cidade a 40 quilômetros de Maceió onde fica o frigorífico. Em entrevista à imprensa, ele disse que funcionários do frigorífico contaram que os ladrões perguntaram pelos documentos do senador. Por isso, Gonçales não descarta a possibilidade de o assalto ter sido forjado.
Agência Estado

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