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A  prisão de César de Queiroz Benjamin - o "Menininho" e a morte de Lamarca
Transcrito do Projeto Orvil - www.averdadesufocada.com

Em 07/12/1970   a VPR sequestrou o embaixador suiço Giovanni Enrico Bucher. O sequestro foi o mais longo ( 40 dias) e a mais dramática negociação com o governo. Por todos os problemas ocorridos durante o sequestro, foi considerado uma derrota política para a VPR  e uma das causas que provocaram a saída de Lamarca e de sua amante Iara Ialveberg da organizaçaõ e o seu ingresso no MR-8, no final de março de 1971.

Texto completo

Nos meses de  abril, maio e junho, Lamarca e Iara passaram escondidos de "aparelho" em "aparelho", dentre os quais o de José Gomes Teixeira. A prisão deste,  em 11 de junho de 1971, precipitou a  decisão de enviá-los para o sertão da Bahia, junto ao trabalho de .campo na região do médio São Francisco. Para o transporte, conseguiu-se um Volks e uma Kombi, cujos motoristas e proprietários eram, respectivamente, Rui Berford Dias e Waldir Fiock da Silva. No inicio da noite de 25 de junho os quatro encontraram-se junto ao BOB'S  da Avenida Brasil (RJ), com José Carlos de Souza, que viera especialmente para buscá-los. No Volks seguiram Lamarca, Iara e José Carlos. Um pouco mais à frente, para verificar as barreiras policiais, seguiram Waldir e Rui.

 No dia seguinte, ao chegarem em Vitória da Conquista, Rui retornou com seu Volks e os outros quatro seguiram com a Kombi' até Jequié. Depois de pernoitarem, Iara e Waldir seguiram de ônibus para Salvador, enquanto Lamarca e José Carlos dirigiram-se para Itaberaba e Ibotirama. Ao chegarem na ponte da BR-242 sobre o Rio Paramirim, encontraram-se, no fim da tarde de 27, com José Campos Barreto, o "Zequinha". Depois de dormirem numa pensão, no início da estrada que demanda a Brotas de Macaúbas,chegaram nessa cidade na tarde de 28. No dia seguinte, Lamarca e Zequinha  chegaram a Buriti Cristalino, enquanto José Carlos seguia com a Kombi para Salvador, para encontrar-se com Iara e Waldir.

Na tarde de 6 de agosto, encontraram-se, no Centro de Salvador, César de Queirós Benjamin - "Menininho"-, e José Carlos de Souza. Como assunto principal, discutiram e estabeleceram que Iara seguiria para Feira de Santana, onde havia melhores condições de segurança, e ele, José Carlos, incorporar-se-ia ao trabalho de campo, em Brotas. Há algum tempo na vigilância, policiais deram voz de prisão aos dois militantes. "Menininho" atracou-se com os agentes, chegou a atirar e conseguiu fugir pela segunda vez ao cerco, dirigindo- se para a Guanabara. Menos feliz, José Carlos foi preso e começou a denunciar diversos companheiros. 

 Iara Iavelberg, que fora para Salvador, desde o dia 17 de agosto, residia no apartarnento 201, do Edifício Santa Terezinha, na Pituba, com Jaileno  Sampaio da Silva e sua  companheira Nilda Carvalho Cunha,  além da irmã desta, Lúcia Bernardeth Cunha.

No dia 20 de agosto de 1971, através de  declarações de José Carlos, a policia cercou o Edifíicio Santa Terezinha e exigiu a rendição dos ocupantes do apartamento 201.  Lúcia, Jaileno e.Nilda foram presos. Iara tentou fugir mas foi encontrada no apartamento nº 202, onde se escondera no início do cerco. Não vendo possibiIidade de fuga e assolada por bombas de gás lacrimogênio, a amante  de Lamarca suicidou-se com um tiro no coração.

Às 19 horas de 21 de agosto, logo depois de passar  um telegrama para Iara (sem saber que ela já estava morta) , "Menininho", num Volks com Ney Roitman, Alberto Jak Schprejer  e sua amante Teresa Cristina de Moura Peixoto, foi detido no Rio de Janeiro, por uma operação "Pára-Pedro", na Avenida Vieira Souto, na altura do Jardim de Alá. Ao serem solicitados os documentos, "Menininho" saiu rapidamente do carro, fugindo correndo entre os transeuntes. Pela terceira vez, conseguiu escapar de um cerco policial. No veículo, o diário de Lamarca e cartas para Iara forneceram aos órgãos de segurança a certeza de onde deveriam procurar. Apesar saber da prisão de José Carlos havia mais de dez dias (seu último assentamento era de16 de agosto), Lamarca permanecia na região. Teve início, então, uma operação de informação, visando à sua prisão.

Com as declarações de José Carlos de Souza, mais dois dirigentes do CR/BA, Diogo Assunção de Santana e Milton Mendes Filho, foram presos em 27 de agosto.

No dia seguinte, os órgãos de segurança chegaram em Buriti Cristalino, dando voz de prisão aos ocupantes da casa dos irmãos Campos Barreto, que reagiram com intenso tiroteio. Ao final, Olderico foi preso, ferido no rosto e na mão direita, enquanto Otoniel foi morto  quando tentava a fuga. Dentro da casa, estava o cadáver de Luiz Antonio Santa Bárbara, que se matara com um tiro na cabeça. Era o terceiro suicídio de militantes do MR-8, possivelmente para não denunciarem Lamarca, que, acampado a poucos quilômetros do lugarejo de Buriti Cristalino, provavelmente ouvira os tiros e fugira, internando-se  corn José Campos Barreto ("Zequinha"), mata a dentro.

Sem saber do acontecido e sentindo-se "queimado" na Guanabara, César de Queiroz Benjamin retomou a Salvador, sendo preso em 30 de agosto, num "ponto"  no Rio Vermelho, delatado  por Jaileno. Após longa série de assaltos e ter escapado de três choques com a polícia,"Menininhó" mostrou-se extremamente dócil nos interrogatórios. Suas extensas declarações, todas de próprio punho, desvendaram a linha política e as ações do MR-8. Muitos militantes foram, então, identificados. Chegou, inclusive, a fazer uma análise dos métodos de interrogatório aplicado, declarando-se surpreso com o bom tratamento recebido e com o nível de seus interlocutores.

Na manhã de 6 de setembro recebia-se o primeiro informe da permanência de Lamarca e "Zequinha" na região de Brotas de Macaúbas, confirmado no final da tarde e  no dia 7. Haviam obtido alimentação na área, tentado obter informes e amedrontado os moradares. Nos dias 10 e 11 houve informes da presença de ambos em Ibotirama. Os órgãos de segurança, que a partir de 4 de setembro já haviam retirado boa parte de seus agentes da região, retornaram à area .

. Apesar de o MR-8 estar trabalhando nessa área de campo por mais de um ano, os órgãos de segurança eram procurados pelos moradores, que levavam informes sobre os subversivos. Os informes começaram a indicar a presença dos dois terroristas na região de Cana Brava.

No dia 17, uma equipe que chegou à localidade de Pintada foi informada de que dois homens descansavam à sombra de uma árvore, nos arredores do lugarejo. Ao se acercarem dos mesmos, dois elementos da equipe, que se haviam lançado através da caatinga, provocaram ruído de mato quebrado. Isto alertou os terroristas, e um deles exclamou: "Capitão, os homens estão aí!". À voz de prisão, iniciou-se intenso tiroteio, findo o qual os dois terroristas estavam mortos.

Este foi o fim do desertor, traidor, sequestrador, assaltante, ladrão e assassino Carlos Lamarca.

Comentários  

0 #1 Valdeke Silva 04-04-2015 16:58
Aos que idolatram este assassino e fizeram parte deste triste momento da História - inclusive, a Presidente Dilma Rousseff - só resta uma coisa a fazer: comparecer em algum veículo de comunicação isento e com credibilidade e pedir desculpas a toda a sociedade brasileira por todos estes anos de mentiras e acusações contra os órgãos de segurança nacionais.Apare çam, provem que a história não é esta! Duvido que apareça alguém.

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