A representação do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra, na Suíça, publicou no Twitter críticas ao ex-deputado federal Jean Wyllys após a discussão da sexta-feira (15/03) entre ele e a chefe da delegação brasileira, embaixadora Maria Nazareth Farani Azevêdo, durante um evento na sede europeia do órgão.
"Na mesa, ex-deputado, vestido de vermelho, mostra sua incapacidade de aceitar o resultado das urnas", diz um texto na conta oficial da delegação no Twitter, acompanhando uma foto mostrando Wyllys numa mesa, entre os participantes da mesa-redonda realizada na ONU.
Também foram publicados vídeos do instante em que a embaixadora faz um discurso da plateia, num painel sobre novas formas de autoritarismo e suas implicações para os direitos humanos no mundo, do qual Wyllys era um dos palestrantes.

A postagem destaca que a fala da diplomata foi um ato "contra acusações despropositadas e fake news" e pela "defesa do Brasil e de suas instituições".

Farani Azerêdo pediu a palavra nos últimos minutos da mesa-redonda, e leu um discurso em inglês previamente preparado, defendendo o presidente brasileiro e criticando Wyllys, sem citá-lo nominalmente. "O presidente Bolsonaro não fugiu do Brasil mesmo após uma tentativa real de tirar a sua vida ter sido perpetrada", afirmou a diplomata.

A embaixadora frisou também que o governo Bolsonaro "não é uma organização criminosa, nem o presidente Bolsonaro é racista, fascista ou autoritário" e que ele "não cuspiu na cara da democracia" - referência velada à votação do impeachment de Dilma Rousseff, quando o então deputado do PSOL cuspiu em direção a Bolsonaro.

Farani Azerêdo disse ainda que "parlamentares que abandonaram seus eleitores para viajar pelo mundo para disseminar fake news, com discurso de intolerância e ódio, não têm credenciais para falar pela democracia. Muito menos pelo povo brasileiro", se referindo indiretamente à Wyllys, que desistiu de assumir seu terceiro mandato de deputado federal e deixou o Brasil, após receber ameaças de morte.

O texto do discurso também foi divulgado na conta da delegação brasileira no Twitter, sendo também foi retuitado pela conta do Ministério das Relações Exteriores.

Após a fala, mediadores do evento deram a palavra ao ex-deputado e pediram que a embaixadora permanecesse na sala. Ela, entretanto, optou por abandonar o evento ainda durante a resposta de Wyllys, após dizer que só ficaria se tivesse direito à tréplica, o que lhe foi negado.

"Por favor, embaixadora, ouça a minha resposta", apelou Jean Wyllys. "Se a senhora gosta de debate, a senhora deveria ouvir a minha resposta", acrescentou. "O fato de a senhora ter saído do seu lugar e vir com um discurso pronto para esta sala é um sintoma mesmo de que a minha presença aqui amedronta a senhora e o seu governo", frisou.

"Sua presença aqui envergonha o Brasil", acusou a embaixadora, antes de sair da sala.

A discussão foi registrada num vídeo gravado pelo jornalista Jamil Chade, do portal UOL. "Em 20 anos cobrindo a ONU, jamais vi o Brasil protagonizar uma cena tão triste como a que a embaixadora do governo Bolsonaro promoveu hoje. O Itamaraty, contaminado por um vírus extremamente perigoso: o da intolerância", lamentou Chade, em sua conta no Twitter.

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