O ARAGUAIA SEM MÁSCARA
por Carlos I.S. Azambuja
     O texto abaixo é a Apresentação do livro “O Araguaia sem Máscara”, escrita pelo general Sergio Augusto de Avelar Coutinho, autor do livro “A Revolução Gramscista no Ocidente”, falecido no Rio de Janeiro em 27 de dezembro de 2011. “O Araguaia sem Máscara” é de autoria de Carlos I. S. Azambuja, e foi editado em 2016 pelo Clube Naval:
     O que hoje é denominada, na literatura e na imprensa, Guerrilha do Araguaia foi, na verdade, uma tentativa do Partido Comunista do Brasil de conduzir a “Guerra Popular” para realizar a tomada do Poder e implantar o socialismo marxista no Brasil, a “luta prolongada do campo par a cidade”, modelo da revolução de Mao Tsetung na China.

Obs do site www.averdadesufocada.com :José   Genoino ,preso , esperando condução para Brasília, na região do Araguaia.

     A opção pela “via chinesa” nasceu da dissidência dos fundadores do PC do B ao romperem com o Partidão – PCB – que, obediente a Moscou, aceitou a “via pacífica para o socialismo”, preconizada por Nikita Kruschev, crítico e acusador de Stalin. O PC do B permaneceu adepto da violência armada e buscou a alternativa stalinista na China Popular. Para lá mandou vários militantes a fim de receberem treinamento de guerrilha.
     A decisão de instalar uma área de guerrilha no Brasil foi tomada antes da eclosão do movimento político-militar de 1964. Depois de considerar algumas alternativas, o Partido decidiu pelo Sul do Pará, na região compreendida pela Transamazônica ao Norte e o Rio Araguaia a Leste, com rala população de posseiros e extrativistas.
     Os primeiros militantes foram introduzidos na área no início de 1966 e, pouco depois e acidentalmente, as autoridades militares tomaram conhecimento do projeto. A contra-insurreição surpreendeu os revolucionários ainda na fase de implantação da guerrilha, despreparados e mal armados. Cerca de 80 veteranos do Partido e jovens aliciados nas cidades, rapazes e moças, foram levados para a “área tática” para lutarem “contra a ditadura militar e pelo ideal da democracia”. Destes, uns 54 acabaram morrendo em confronto com as forças legais; os outros foram presos ou desertaram. Exatamente esta é a história, a verdadeira história que o Autor conta em detalhes em seu livro.
     O assunto é recorrente. Vários outros autores, com diferentes opiniões e perspectivas têm escrito, geralmente com enfoque limitado ou preso a certos aspectos particulares dos acontecimentos.
     Azambuja escreveu com uma visão histórica, partindo dos antecedentes, passando pela experiência guerrilheira do Partido Comunista do Brasil, chegando à autocrítica dos derrotados. Reuniu também informações detalhadas quer servirão de referência para a pesquisa do historiador do futuro. Seu livro é para ser lido, é claro, mas também para ser posto nas Bibliotecas abertas, disponível para pesquisadores e estudiosos da História.
     Ao final deste precioso livro, o leitor poderá facilmente chegar a duas conclusões intuitivas sobre a Guerrilha dôo Araguaia:
     A primeira, de que não é verdade de que ela tenha sido uma alternativa de luta contra a ditadura militar com o objetivo de restaurar a Democracia. Como deixa claro o autor, desde sempre o objetivo do Partido era a implantação do socialismo marxista; o Partido era e ainda é comunista. Sua denominação continua a ser a mesma. Com ou sem ditadura militar, o projeto revolucionário encontraria um pretexto para tomar o Poder. Não para restabelecer a democracia, mas para impor o socialismo totalitário.
     A segunda conclusão, as Forças Armadas, profissionalmente competentes e aparelhadas, foram capazes de derrotar decisivamente a insana tentativa guerrilheira antes que ela tivesse evoluído para o estágio de um “Exército Popular de Libertação”. Se não houvesse sido derrotada, talvez hoje tivéssemos em nosso território uma “área liberada” e uma guerra interna eternizada, como na Colômbia, onde as FARC narcoguerrilheiras, também maoístas, aterrorizam o país há mais de 40 anos. 
General Sergio Augusto de Avelar Coutinho (in memoriam)
  
    
     
 
 

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