NÃO PODEMOS E NÃO VAMOS ESQUECER O 31 DE MARÇO DE  1964. (continuação 2)
Por Aluísio Madruga de Moura e Souza
Para entender a Contrarrevolução de 1964 é importante ter em mente que desde o término da 2º Guerra Mundial em 1945,  o mundo estava mergulhado no chamado período da  guerra fria e que a China em  1949 se tornou comunista e que, dois anos  antes da renúncia de Jânio Quadros, ou seja, em 1959, Cuba se tornara o primeiro  país comunista das américas, transformando-se em satélite da URSS(União das Repúblicas Socialistas Soviéticas que tinha interesse em exportar sua ideologia para a América Latina e em particular para o Brasil pela liderança que exercia no continente.
 
 
Com a renúncia de Jânio Quadros em 1961, o País entrou em crise porque os militares e grande parte dos políticos tinham restrições à posse do Vice-Presidente, João Goulart(Jango), por considerá-lo populista, fraco, corrupto e próximo do comunismo para atingir seus objetivos. Como já citamos Jango se encontrava em viagem oficial a Pequim, na China Comunista e sabedor da situação na qual se encontrava o Brasil decidiu retornar por Buenos Aires, entrando no País  por Porto Alegre, capital de seu estado de origem e que tinha como governador seu cunhado Leonel Brizola também gaúcho. Este havia montado todo um aparato militar, visando a apoiar politicamente Jango, exigindo o cumprimento da Constituição que lhe dava o direito de assumir a Presidência da República. Defendia o que era legal, razão pela qual o movimento ficou conhecido como a “Campanha da Legalidade” e seus defensores passaram a ser conhecidos como os legalistas. Tancredo Neves, político experiente, negociou com uma solução para o impasse com os militares e políticos que se opunham à posse de Jango, surgindo assim o  Parlamentarismo no Brasil como solução, evitando-se dessa maneira uma provável guerra civil.  João Goulart então assumiu a Presidência sob um novo sistema  implantado a partir  de 07 de setembro de 1961, tendo como seu Primeiro Ministro o Sr. Tancredo Neves. Inicia-se a partir dessa data um período de grande instabilidade que resumimos da seguinte maneira: em 06 de junho de 1962, Tancredo Neves renuncia com todo o seu Gabinete; João Goulart decide então indicar ao Congresso para ser o novo Ministro o professor San Thiago Dantas, que teve seu nome rejeitado por ter sido considerado “ simpatizante” das esquerdas.  Segue-se a indicação de Auro de Moura Andrade, que se viu aprovado em 03 de julho de 1962. Moura Andrade, porém, renunciou logo em seguida, porque Jango não aceitou a composição de seu Gabinete, permanecendo o impasse até 10 de julho do mesmo ano, quando foi aprovado o nome de Francisco Brochado da Rocha, que veio a renunciar em 14 de setembro de 1962. Assumiu então o posto Hermes Lima, em consequência de um acordo político pelo qual seu nome não necessitaria do referendo do  Congresso, já tendo sido empossado com a missão  de realizar um  Plebiscito. Este ocorreu em 06 de janeiro de 1963, quando aproximadamente 80% do eleitorado foi contrario ao Parlamentarismo, tendo o sistema Presidencialista sido restabelecido em 21 de janeiro do mesmo ano. Na realidade, durante todo esse período , o governo Jango concentrou-se, principalmente, na luta pelo restabelecimento do presidencialismo. 
Nesse espaço de  enquanto tempo, enquanto Jango sonhava com suas reformas de base, Brizola propunha o fechamento do Congresso Nacional e a convocação de uma Constituinte. Seguiu-se, dessa maneira, um governo populista e sem perspectiva que acabou por enfraquecer  o poder civil.  Fato também importante foi a Rebelião dos sargentos da Aeronáutica  já citada  ocorrida no âmbito de Brasília em 12 de setembro de 1963, mas que não contou com o apoio dos sargentos do Exército. No entanto, as sementes da Revolução Comunista já tinham sido plantadas.
Neste contexto é importante destacar que a posição da Igreja Católica em relação ao governo posteriormente deposto era de total oposição ao mesmo, o que contribuiu para a realização de duas marchas  da “Família com Deus pela Liberdade” tendo ocorrido a primeira em 19 de março e a segunda em 02 de abril de 1964, com a presença  em cada uma com aproximadamente 1.000.000(um milhão) de pessoas.(continua)
 
  NÃO PODEMOS E NÃO VAMOS ESQUECER O 31 DE MARÇO DE 1964 (continuação 3)
Por Aluísio  Madruga de Moura e Souza
Diferentemente de 1964, hoje, a “Teologia da Libertação” domina grande parte da Igreja Católica e, certamente, o governo do Sr. Jango Goulart contaria com o apoio de, pelo menos, 50% dos padres católicos, o que, aliás, ocorre no momento com relação ao partido dos trabalhadores em particular no que diz respeito a pastoral da terra.
O   certo é que a verdade sobre o que foi a Contrarrevolução de 1964 desencadeada pela sociedade brasileira e assim sim apoiada pelas Forças Armadas e que teve como objetivo impedir que o Brasil se transformasse em um País comunista não pode continuar sendo contada de maneira mentirosa pelos vencidos. Ela tem que ser contada, isto sim,  de maneira real, verdadeira pelos vencedores pois estes não têm consigo a marca amarga da derrota, prevalecendo o espírito que os levou a decretar em 1979 a Anistia, Geral e Irrestrita.
Vamos então às principais razões pelas quais o Sr.  João Goulart foi deposto. 
Em verdade, ainda bem antes de 1964 a infiltração comunista havia chegado a vários seguimentos sociais, principalmente, naqueles mais sensíveis à ideia de justiça tão decantada pelas esquerdas.  Assim é  que no próprio mês de março de 1964, portanto dias antes do desencadear da Contrarrevolução um grupo de teólogos  se reuniu  em Petrópolis/RJ  para refletir sobre os problemas  da população latino- americana. A intenção era criar uma nova teologia  que reunisse todo o pensamento do homem e o caráter libertador do cristianismo. Ao término do encontro, o pensamento dessa nova teologia, marcada por influência   marxista ficou focado  na necessidade de libertação do homem  em relação aos aspectos dogmáticos da Igreja. Essas foram as bases da “Teologia da Libertação” que, orientando o estudo teológico para a sociologia e para a política acabou por assumir o caráter  de uma política profana que hoje sempre está   ao lado do Partido dos Trabalhadores, das invasões de terras, totalmente desvirtuada de sua missão religiosa.
Para aqueles que estudam o tema com afinco e isentos de qualquer preconceito ideológico, em busca dos  principais acontecimentos que determinaram o desencadeamento do 31 de março e a consequente deposição de Jango é fácil concluir, como afirmamos, que a revolução comunista já vinha sendo planejada e executada paulatinamente desde 1961 e que em 1964, isto sim,  já estava prestes a atingir seus objetivos quando foi interrompida. 
Quanto a Contrarrevolução esta foi vitoriosa porque esse era o desejo da população brasileira e porque  de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica , greves, desordem social e corrupção generalizada. Por esta razão, Jango caiu exatamente no momento em que, abandonando a tática de conciliação política adotada nos seus dois primeiros anos de governo, começou a comandar ostensivamente o esquema radical, que tinha em uma entidade legal, o Comando de Greve dos Trabalhadores, o centro de suas atividades revolucionárias. 
Foi exatamente a partir do comício de 13 de março  de 1964 na Central do Brasil que as posições políticas radicalizaram-se  e as Forças Armadas começaram a sensibilizar-se. O Decreto de desapropriação de terras, o de tabelamento dos aluguéis e o de encampação das refinarias de petróleo foram fatos menos importantes na crise que se desenvolvia, contando  Jango com o apoio do CGT(Comando Geral dos Trabalhadores), da UNE(União Nacional dos Estudantes), da Frente Parlamentar Nacionalista e ,ainda, com o apoio dos grupos de ação de seu cunhado Deputado Federal Leonel Brizola e do Governador de Pernambuco Miguel Arrais, além de outros.
Embora já tenhamos falado da importância da Igreja Católica à  época , entendemos não ser justo comentar 1964, sem dar uma ênfase maior, o que faremos amanhã, ao que foi a    segunda “Marcha com Deus pela Liberdade”, organizada por dona Amélia Bastos católica fervorosa.(continua)
 

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