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10/02 - VASCULHANDO O ORVIL - ALN - Capítulo VI
 Pela editoria do site
Expansão da ALN -  1969

Em 1969 a ALN já atuava  no Rio de Janeiro (Guanabara), em Ribeirão Preto, no Ceará, Recife , Goiás e Distrito Federal. O projeto da organização era expandir os focos de guerrilha por todo o Brasil.  Em Ribeirão Preto e no Ceará, inicialmente, os grupos que aderiram à ALN, não obtiveram muito sucesso. Em Ribeirão Preto, alguns atentados a bomba e assaltos a banco foram frustrados. O grupo não conseguiu desenvolver nenhuma ação de vulto e no início de novembro, com prisões em São Paulo, Ribeirão e cidades vizinhas, foi desbaratado. No Ceará a ALN estruturou-se a partir da dissensão de militantes do PCB. Esse grupo, inicialmente,  também, não obteve muito sucesso.

Texto completo  

 

Atuação da ALN em Brasília e Goiânia

Desde o segundo semestre de 1968, Edmur Péricles de Carvalho foi enviado  para o Distrito Federal, por Marighela, com a finalidade de ser o responsável pelo levantamento de áreas para implantação da guerrilha rural nos estados de Goiás e Minas Gerais. No início de 1969, os levantamentos no campo já estavam prontos e Edmur aguardava instruções da direção da ALN para o prosseguimento das atividades ligadas à guerrilha rural.

Em agosto de 1969, Jeová Assis Gomes foi enviado de São Paulo a Brasília,  por Joaquim Câmara Ferreira, “Toledo” - segundo homem da organização -, para contatar com José Carlos Vidal. Nesses contatos ficou decidido o deslocamento do grupo para Goiânia e Anápolis. A idéia inicial era formar uma rede de apoio para a futura guerrilha rural.

Marighela, enviou dinheiro e Jeová arrendou a Fazenda Imbira,  na rodovia Goiânia - Neropólis, onde o grupo realizava treinamento de tiro e de guerrilha.

A adesão do soldado do Exército Paulo César Lopes da Silva Rodrigues ao grupo que atuava em Brasília, rendeu dividendos à ALN. Ao desligar-se  do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília, Paulo César retirou duas metralhadoras INA , que foram aumentar o arsenal da organização subversiva. Foram entregues, também por ele, à organização subversiva, uma relação de nomes de oficiais do BPEB e um croquis da unidade.

 Em setembro e outubro, em função das investigações sobre o desaparecimento do menor Carlos Gustavo do Nascimento, foi descoberta a trama subversiva e foi  desmantelada a ALN em Brasília e em Goiânia. Ficou constatado que o menor estava, em Brasília, na casa de um diplomata que, na ocasião, servia na embaixada do Brasil na Romênia. Na realidade o menor estava homiziado nessa casa , que  servia de “aparelho” para a ALN. Com as diligências foram presos Marcos Estelita Lins de Salvo Coimbra, Gastão Estelita Lins de Salvo Coimbra,   Benedito José Cabral e Ricardo Moreira Pena. O grupo preso tinha em seu poder uma metralhadora INA e 10 revólveres de diversos calibres, que eram utilizados nos treinamentos, além de munição.

Esse fato ocasionou outras prisões  em Brasília. Dentre os presos, apenas um jornalista - Flávio Tavares - e um pedreiro. O restante, jovens universitários egressos da UNB. Com eles, foi apreendido farto armamento O plano do grupo era desencadear ações de guerrilha no norte de Goiás, enquanto São Paulo era mantido como área prioritária para as ações de guerrilha urbana.

 

As ações da ALN na Guanabara ( atual Rio de Janeiro )

No Rio de Janeiro ( Guanabara), os militantes da ALN iniciaram a preparação para a guerrilha. Do início do ano até abril, limitaram-se a treinamentos e distribuição de textos  de Marighela.

 Em função da ligação que tinham com o líder da ALN, João Batista e Zilda de Paula Xavier Pereira eram considerados os coordenadores da organização na Guanabara.

Em março, um grupo de estudantes, liderados por Carlos Eduardo Fayal de Lira,  resolveu ingressar na ALN. Faziam parte desse grupo: Ronaldo Dutra Machado, Newton Leão Duarte, Flávio de Carvalho Molina, Frederico Eduardo Mayr, Jorge Wilson Fayal de Lira e Jorge Raimundo Júnior.

A primeira ação da ALN na Guanabara foi um assalto ao Cine Ópera, em Botafogo, em 27 de abril de 1969. A  tentativa foi  frustrada pelo guarda Antônio Guedes de Moraes que reagiu , dando início a intenso tiroteio. Surpreendidos com a reação, os  cinco terroristas  fugiram sem conseguir efetuar o roubo, deixando o guarda seriamente ferido.  

O fracasso da ação provocou a ida de Frei Oswaldo Augusto de Rezende Júnior ( “Cláudio”) , orientador dos dominicanos em São Paulo, para o Rio de Janeiro, com a finalidade de estruturar a organização. Com o reforço de Fayal e o assessoramento de frei Oswaldo, a ALN/GB reiniciou suas atividades. Já mais preparados, no dia 12 de junho, assaltaram a agência Uruguai, do Banco Boa Vista. O levantamento, a título de ensinamento, foi feito pelo próprio Frei Osvaldo, assessorado por Valentim Ferreira. O assalto, comandado por Domingos Fernandes, foi um sucesso.

Confiantes, a partir dessa ação, a ALN/GB realizou os seguintes assaltos no ano de 1969:

08/07 -  A agência São Cristóvão do Banco de Crédito Territorial, Rua Bela Vista, 597;

12/07 -  Agência de automóveis Novocar, Rua Uruguai, 234;

29/07  - Agência Sans Peña do Banco do Estado de Minas Gerais, Rua Carlos de Vasconcelos;

Faziam parte do bando assaltante: Dulce Chaves Pandolfi, Carlos Roberto Nolasco Ferreira e Nelson Luis Lott de Morais Costa.

 As prisão de Newton Leão Duarte gerou uma crise de insegurança na regional da ALN. O caminho escolhido foi a clandestinidade. O grupo conseguiu um “aparelho” na rua Mourão do Vale, em São Cristóvão , que além de servir de esconderijo para os militantes, era usado como depósito de armas da organização.

No rastro da ALN, a polícia chegou a Zilda de Paula Xavier Pereira, que, presa e posteriormente internada no Hospital Pinel, acabou fugindo para o exterior.

Os militantes, “ queimados “ em suas áreas de atuação eram constantemente  transferidos, para não serem presos. Do Rio foram, transferidos para São Paulo: Sebastião Mendes Filho e Joseph Berthold Calvert. Este último, posteriormente, foi transferido para  São Leopoldo, de onde seria retirado do país, mas foi preso na fronteira com o Uruguai. De São Paulo vieram para o Rio, Aton Fon Filho e Maria Aparecida Costa.

"As ações de violência , praticadas por 29 organizações diferentes, atemorizavam a população, mas  já não causavam o impacto desejado, pela freqüência com que aconteciam.

Franklin de Souza Martins, da direção da Dissidência da Guanabara (DI/GB), propôs uma ação inédita. Sugeriu um seqüestro.

Estudados os alvos, concluiu-se que o de maior repercussão seria o de um embaixador. A idéia foi logo aprovada por Cid Queiroz Benjamin, da Frente de Trabalho Armado (FTA), um dos setores da DI/GB.

Após reuniões, decidiram que o alvo ideal, que teria repercussão nacional e internacional, seria o embaixador dos EUA, Charles Burke Elbrick. O objetivo principal do seqüestro, além de destacar a guerra revolucionária por meio da propaganda e de tentar a desmoralização do governo, era libertar os principais líderes do movimento estudantil que se encontravam presos.

Franklin de Souza Martins estivera preso com Vladimir Gracindo Soares Palmeira (Marcos), José Dirceu de Oliveira e Silva (Daniel), militante da ALN, e Luíz Gonzaga Travassos da Rosa, militante da AP.

A direção da DI/GB, após os planejamentos iniciais, concluiu que seria necessária a participação de outra organização, com maior experiência, para apoiá-la nessa empreitada. A ALN, dispondo de gente com treinamento em Cuba, já que os seus primeiros militantes haviam regressado ao Brasil - tendo realizado cerca de trinta assaltos a bancos e carros pagadores, duas dezenas de atentados a bombas, roubos de armas, “justiçamentos”, ataques a quartéis e radiopatrulhas -, foi considerada pela direção da DI/GB como a parceira ideal para tão audaciosa ação. Ajudava muito na decisão pela ALN a figura de Marighella que, pelos seus textos, incentivando a iniciativa e a violência, os levava a supor que conseguiriam o seu apoio para o seqüestro.

Em julho de 1969, Cláudio Torres da Silva (Pedro ou Geraldo), também membro da FTA, recebeu a incumbência da direção da DI/GB de contatar com Joaquim Câmara Ferreira (Toledo ou Velho), segundo homem na hierarquia da ALN, para conseguir o seu apoio. Toledo aprovou a idéia imediatamente.

O período escolhido foi a Semana da Pátria, para esvaziar as comemorações do Sete de Setembro.

 No dia 4 de setembro, a nação  foi surpreendida  com o primeiro seqüestro  no país. “Em frente” com a Dissidência da Guanabara - DI/GB , que depois do seqüestro passaria a chamar-se MR-8  a ALN  praticaria o primeiro seqüestro de  um  embaixador. O escolhido Charles Burke Elbrick, dos Estados Unidos da América." (Trecho do livro A Verdade Sufocada)

O objetivo foi plenamente atingido. A imprensa nacional e estrageira deu grande cobertura ao fato.

No dia 9 de setembro a ALN realizou mais uma ação audaciosa para “expropriação”  de armas. Nesse dia, em dois Volkswagen, a ALN atacou dois soldados da Polícia Militar do Estado da Guanabara ( PMEG) que armados de metralhadora , patrulhavam as dependências da TV Excelsior. Rendidos os soldados Sérgio Rodrigues Teixeira e Hélio Guimarães Monteiro tiveram suas metralhadoras roubadas e incorporadas ao arsenal da ALN. O soldado Sérgio Rodrigues Teixeira foi ferido na cabeça, com violenta coronhada, desferida por Ronaldo Dutra Machado.

Em agosto, Ronaldo Dutra Machado recebeu de Marighela a incumbência  de fazer contato com um grupo em Recife e cooptá-lo para a ALN. O contato foi feito com Francisco  Vicente Ferreira, o líder do grupo, e o convenceu a atuar dentro da orientação de Marighela. Ronaldo voltou ao Rio , mas continuou como coordenador das atividades no nordeste. Ainda em 1969,  a ALN começou a estruturar-se em Recife, tendo como coordenador Ronaldo Dutra Machado  .

Em outubro novo contato foi feito,  no nordeste, por Ronaldo. Os contatos foram feitos com Rholine Sonde Cavalcanti Silva, Luciano Almeida , Perly Cipriano e Maurício Anísio  de Araújo. Como o grupo aumentava,  Ronaldo se estabeleceu em Recife, junto com Dulce Chaves Pandolfi para impulsionar os atos criminosos da organização e juntamente com o grupo assaltou a agência do Banco Financial, em Jaboatão.

No Rio, foi presa Maria Aparecida Costa, em companhia de Valetim Ferreira. Valetim, estudante de 18 anos, guardava em sua casa, na rua das Palmeiras 77, casa 4 , um fuzil Mauser , munição, um mimeógrafo e vários estênceis prontos para rodar. Era o “aparelho “ de imprensa da organização

Em decorrências dessas prisões, foram presos Aton Fon Filho e Linda Tahyah. Em dezembro foram presos: Tânia Regina Rodrigues Fernandes, Pedro Henrique e Alfredo de Miranda Pacheco ( irmãos, que facilitavam a saída, de militantes que, com nomes falsos , iam    fazer curso de guerrilha em Cuba.

A ALN, em 1969,  praticou cerca de 30 assaltos somente no Rio de Janeiro . Entre eles os seguintes:

27/08 - Agência Catete do Banco Novo Mundo;

25/09 – Agência Bonsucesso do Banco de Crédito Territorial;

15/10 - Agência da Rua Bela vista do Banco da Bahia;

29/11 – Firma Construtora Presidente, Rua Mayrink Veiga

05/12 – Agência Castelo do Banco Bordalo Brenha; e

16/12 – Agência Méier do Banco da Bahia.

 

 

Fontes: Orvil



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Não deixe de conhecer o livro A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça

Comentários
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A editora - Franklin Martins IP:189.6.23.xxx | 10-02-2008 22:54:16
Franklin De Souza Martins ("Waldir", "Francisco", "Miguel", "Rogerio", "Comprido", "Grande", "Nilson", "Lula")
Filho de um senador, ingressou no PCB em 1966, atuando no Comitê Secundarista do então Estado da Guanabara, foi militante da DI/GB (Dissidência da Guanabara do PCB) e do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro). Foi presidente do DCE/UFRJ (Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e vice-presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes). Em outubro de 1968, foi preso no Congresso da UNE, em Ibiúna sob o comando do indigitado José Dirceu ("Daniel"), na época presidente da UEE (União Estadual dos Estudantes de Sâo Paulo).
Em abril de 1969, foi eleito para a Direção Geral do MR-8 e, em meados desse mesmo ano, participou do seqüestro do embaixador dos EUA, Charles B. Elbrick. Em fins de 1969, fugiu do Brasil no esquema da ALN (Aliança Libertadora Nacional), indo fazer cursos de guerrilha e terrorismo em Cuba (emboscadas, armamentos, explosivos, túneis e táticas militares), sob os auspícios do seu venerável ídolo Fidel Castro.
Também viveu em Santiago do Chile, onde, em dezembro de 1972, foi eleito para a nova Direção Geral do MR-8, regressou ao Brasil em fevereiro de 1973, indo estruturar o Comitê Regional de São Paulo .
FRANKLIN DE SOUZA MARTINS é Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República do governo Lula. Presidência da República - SECOM
Vivi - à Editora IP:201.22.39.xxx | 10-02-2008 23:34:31
Como é possível um General de Exército sentar-se ao lado de um elemento desses, e merecer respeito?
David - Gen Félix IP:189.12.123.xxx | 11-02-2008 13:24:26
Dinheiro, cara Vivi, dinheiro. Infelizmente, dinheiro compra tudo, até mesmo bons homens, como esse general de Exército. Coneci-o como Diretor de Movimentação. Era extremamente rígido com a coisa pública. Vejam só onde chegou?!?
Vivi - A FARRA DO SIGILO! IP:201.86.0.xxx | 11-02-2008 15:12:28
O Estado de S. Paulo

Carlos Alberto Di Franco


A Presidência da República tem pelo menos 150 cartões corporativos, conforme levantamento obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo
A Presidência da República tem pelo menos 150 cartões corporativos, conforme levantamento obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo. Segundo a repórter Sônia Filgueiras, juntos, os titulares desses cartões gastaram no ano passado R$ 6,2 milhões. Do grupo, apenas 68 servidores tiveram suas despesas divulgadas no Portal da Transparência, mantido pela Controladoria-Geral da União (CGU) na internet. Ou seja, cerca de 80 funcionários ligados à Presidência realizaram despesas que foram omitidas no site. Os servidores cujos nomes e despesas não são divulgados no portal gastaram, conforme o levantamento, R$ 5,3 milhões ao longo de 2007, e R$ 1,4 milhão foram sacados em espécie.

A farra com o dinheiro público já derrubou uma colaboradora do presidente Lula. Matilde Ribeiro, ex-ministra da Igualdade Racial, pediu demissão, 19 dias depois de o Estado ter revelado que ela foi a campeã de gastos com o cartão. Incapaz de justificar os abusos com o cartão de crédito corporativo, seguiu o receituário dos envolvidos no escândalo do mensalão: renunciar e submergir. Na seqüência, o ministro do Esporte, Orlando Silva, anunciou a devolução de cerca de R$ 31 mil também gastos com o cartão.

Na lista dos funcionários da Presidência da República divulgada no portal estão dois servidores que fizeram compras quase integralmente em São Bernardo do Campo (SP), onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem residência. Nessa relação está também o tenente-coronel de Infantaria Rawlinson Souza, ajudante-de-ordens do gabinete do presidente da República. Ele gastou R$ 5,1 mil com papelaria e compras em supermercados em 2007.

O portal traz ainda os gastos realizados por dois militares destacados para fazer a segurança da filha do presidente Lula, Lurian Cordeiro Lula da Silva, em Florianópolis (SC). Um deles, João Roberto Fernandes Júnior, usou o cartão corporativo para pagar despesas em lojas de materiais de construção, autopeças, ferragens, supermercados e postos de gasolina. Entre abril e dezembro de 2007, foram gastos R$ 55 mil, como divulgou o jornal Folha de S.Paulo.

O que chama mais a atenção são os gastos na loja Comércio de Autopeças Badu. Desde o início de 2007, são gastos mensais, em vários dias diferentes, com notas que variam de R$ 100 a R$ 800, valor-limite de cada nota por dia. No dia 13 de novembro, por exemplo, Fernandes registra notas diferentes de R$ 650, R$ 800 e R$ 750. Segundo o controlador-geral da União, Jorge Hage, para gastos previsíveis é necessária licitação.

Segundo o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Félix, os gastos desses funcionários são sigilosos e não deveriam estar no Portal da Transparência. A afirmação do ministro está na contramão dos valores que compõem um país democrático. A sociedade tem o direito legítimo de saber o que se faz com o dinheiro do contribuinte. E a autoridade pública tem o dever de informar. Ademais, é ridículo ocultar gastos em supermercado, postos de gasolina, churrascaria, magazines e outros comércios sob o manto protetor da segurança nacional. O princípio constitucional da publicidade, pelo qual qualquer cidadão tem direito a obter das autoridades públicas informações de interesse pessoal e geral, é a pedra de toque da democracia. O secretismo de Estado é um perigo para as instituições e uma poderosa alavanca da corrupção.

"A imprensa", dizia Ruy Barbosa, "é a vista da Nação. Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam. (...) O poder não é um antro: é um tablado. A autoridade não é uma capa, mas um farol. A política não é uma maçonaria, e sim uma liça. Queiram, ou não queiram, os que se consagraram à vida pública, até à sua vida particular deram paredes de vidro. Agrade, ou não agrade, as constituições que abraçaram o governo da Nação pela Nação têm por suprema norma: para a Nação não há segredos; na sua administração não se toleram escaninhos; no procedimento dos seus servidores não cabe mistério; e toda encoberta, sonegação ou reserva, em matéria de seus interesses, importa, nos homens públicos, traição ou deslealdade aos mais altos deveres do funcionário para com o cargo, do cidadão para com o país."

Pois bem, caros leitores, um abismo separa os ideais de Ruy Barbosa dos usos e costumes dos nossos governantes. É preciso, insisto, derrubar a esdrúxula alegação de que as despesas presidenciais devem ser mantidas em sigilo por questão de segurança. Os brasileiros, como bem lembrou o jornalista Merval Pereira, estão cansados das mentiras seguidas de confissões públicas de acordos eleitorais azeitados a dinheiro; dos pagamentos na boca do caixa; do troca-troca de partidos estimulado a partir da Casa Civil, no que parecia uma estratégia política superior e se revelou, ao final, uma simples compra e venda de consciências; dos dólares na cueca e nas malas; do pagamento recebido em contas no exterior pelo publicitário oficial do governo; etc.

Precisamos rediscutir um novo conceito de espaço público que, sem prejuízo da presunção de inocência e da legítima preservação da intimidade, reconheça a imperiosa necessidade da informação transparente como valiosa arma da sociedade democrática no combate à chaga da corrupção.

A imprensa está fazendo um bom trabalho. Cabe ao governo, por iniciativa própria ou empurrado pela força investigativa do Congresso Nacional, lancetar um tumor que pode comprometer todo o organismo.

Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo, professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor da Di Franco - Consultoria em Estratégia de Mídia

E-mail: difranco@ceu.org.br
A editora - ministro Franklin Martins IP:200.140.7.xxx | 12-02-2008 12:05:43
Um panfleto foi redigido por Franklin e Gabeira para ser deixado no local
do seqüestro.(...)

(...)Nessa mesma noite, relaxaram ao ouvir pelas emissoras de rádio a divulgação
do manifesto.
“Grupos Revolucionários detiveram, hoje, o Sr. Burke Elbrick,
embaixador dos Estados Unidos, levando-o para algum ponto do
País. Este não é um episódio isolado. Ele se soma aos inúmeros
atos revolucionários já levados a cabo: assaltos a bancos, em que
se arrecadam fundos para a revolução, tomando de volta o que os
banqueiros tomam do povo e de seus empregados; tomadas de
quartéis e delegacias, onde se conseguem armas e munições para
a luta pela derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando
se libertam revolucionários para devolvê-los à luta do povo; as
A verdade sufocada - 3ª edição.pmd 229 13/2/2007, 14:35
230 -
explosões de prédios que simbolizam a opressão; e o justiçamento
de carrascos e torturadores. Na verdade, o rapto do embaixador é
apenas mais um ato de guerra revolucionária, que avança a cada
dia e que este ano iniciará a sua etapa de guerrilha rural.
A vida e a morte do senhor embaixador estão nas mãos da
ditadura. Se ela atender a duas exigências o Sr. Burke Elbrick
será libertado. Caso contrário, seremos obrigados a cumprir a justiça
revolucionária. Nossas duas exigências são:
- a libertação de 15 prisioneiros políticos;
- a publicação e leitura desta mensagem, na integra, nos principais
jornais, rádios e televisões em todo o País.
Os 15 prisioneiros políticos devem ser conduzidos em avião
especial até um país determinado - Argélia, Chile e México - onde
lhes será concedido exílio. Contra eles não deverá ser tentada
qualquer represália, sob pena de retaliação.
A ditadura tem 48 horas para responder publicamente se aceita
ou rejeita nossa proposta. Se a resposta for positiva, divulgaremos
a lista dos 15 líderes revolucionários e esperaremos 24 horas
por sua colocação num país seguro.
Se a resposta for negativa ou se não houver nenhuma resposta
nesse prazo, o Sr. Burke Elbrick será justiçado.
Queremos lembrar que os prazos são improrrogáveis e que
não vacilaremos em cumprir nossas promessas.
Agora é olho por olho, dente por dente.
Ação Libertadora Nacional (ALN)
Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).”
Oficialmente, a DI/GB assumia seu novo nome, em homenagem ao dia da
morte de Che Guevara na Bolívia.
jaime edmundo dolce - assalto a casa de saude dr eir IP:200.225.159.xxx | 13-02-2008 14:09:58
foi essa facçao subversiva,que no dia 2 de setembro de 1971,um comando de subversivos covardes e assassinos,invadiram a casa de saude dr eiras norio,e assassinaram friamente tres funcionarios,entree eles meu pai cardenio jayme dolce,um delegado aposentado.esse anbimais tiveram o fim que mereceram a vala;
Fernanda de Oliveira IP:187.14.118.xxx | 01-07-2010 21:17:41
Gostaria de saber o e-mail do Professor Vladimir gracindo soares.
A editora - Para Fernanda Oliveira IP:187.104.219.xxx | 02-07-2010 19:01:27
Infelizmente não podemos ajudá-la . Não temos o e-mail solicitado.
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