18/01 - Juiz Garzón, no banco dos réus Imprimir E-mail
Notícias - Política Externa
 Pesquisado pela editoria do site www.averdadesufocada.com
 
               Juiz Baltasar Garzón
Baltasar Garzón se apresentou com toga preta e punhos de renda, ontem, no Supremo Tribunal de Madri para ser julgado na ação em que é acusado de ter ordenado supostas escutas ilegais em um caso de corrupção. É o primeiro processo contra Garzón , que se tornou mundialmente conhecido por pedir a extradição do ex-ditador chileno Augusto Pinochet no fim dos anos 1990 .
É o primeiro julgamento, mas não será o último. Além desse processo ele responde a mais dois outros  Se declarado culpado - o que a imprensa acha provável -  o magistrado poderá ser condenado a uma pena de 17 anos, o que representaria o fim de sua carreira .
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Baltazar Garzon está hoje imobilizado, desde maio de 2010, por abuso de autoridade, quando ordenou a abertura de um inquérito aos crimes cometidos durante o regime de Francisco Franco. O juiz ficou assim, automaticamente, afastado de todos os casos que estava a investigar na Audiência Nacional. Os membros do Conselho Geral do Poder Judicial, o órgão que tutela os juízes em Espanha, votaram por unanimidade a suspensão de Baltasar Garzón. Garzón é acusado do delito de prevaricação. Ou seja, de emitir uma ordem judicial que sabia de antemão ultrapassar os limites da sua jurisdição
A decisão era esperada, mas representou um duro golpe para o magistrado de 54 anos, que gozava de grande prestígio internacional pelo seu empenho em levar à Justiça crimes contra a humanidade cometidos em todo o mundo, tendo inclusive  visitado o Brasil por várias vezes, se imiscuindo na política brasileira, opinando sobre a nossa Lei de Anistia e pedindo a extradição de militares brasileiros que atuaram no combate à luta armada nas décadas de 60 e 70.
Durante o julgamento ontem, em frente ao tribunal, cerca de 100 pessoas realizaram uma manifestação de apoio ao juíz. O grupo Solidários a Garzón, do qual participam artistas, como Pedro Almodóvar, o poeta Marcos Ana - detido durante a ditadura franquista - e a atriz Pilar Bardem, mãe do ator Javier Bardem, prometeu protestar todos os dias enquanto durar o julgamento.
Garzón voltará ao banco dos réus na próxima terça-feira para ser julgado pela tentativa de investigar os mais de 100 mil desaparecidos da Guerra Civil espanhola(1936 -39) e da ditadura franquista (1939 -75), apesar da lei de anistia aprovada na Espanha em 1977.
Segundo a imprensa local, Garzón tem poucas chances de passar ileso do banco de réu.
No Brasil, entre alguns setores e algumas autoridades de esquerda, ele é o maior sucesso.
Em 2008, a justiça brasileira - Tarso Genro, Paulo Vannuchi e companhia -  aguardava a chegada de um documento que seria emitido pela Justiça espanhola - Garzón - que pedia a extradição de 11 militares brasileiros que participaram do combate à luta armada (na época, já mortos). O ministro da Justiça, Tarso Genro, e o juiz espanhol, Baltasar Garzón, requentavam o assunto, já discutido entre eles e outras autoridades do atual governo no ano de 2007.
 Na Espanha, a Justiça Espanhola, diferente das autoridades brasileiras, colocou um basta nas atitudes de Baltasar Garzón,  que outros países não tiveram a coragem de colocar. Por isso a Espanha chegou onde está. Porque deixou, há muito tempo, de preocupar com o passado. Passou a viver o presente e, principalmente, passou a olhar para o futuro.
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