28/03 - A verdade sobre o terrorismo no Brasil
 VOCÊ SABIA?
Por Carlos I. S. Azambuja

- Que no governo João Goulart algumas organizações de esquerda condenavam a  luta pela reforma agrária, porque seu triunfo daria origem a um campesinato conservador e anti-socialista?

Isso está escrito na página 40 do livro  "Combate nas Trevas", de Jacob Gorender, que foi dirigente do PCB e um dos  fundadores do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, em 1967.

- Que no governo João Goulart já existiam campos de treinamento de guerrilha  no Brasil?

Em 4 de dezembro de 1962, o jornal "O Estado de São Paulo" noticiou a prisão de diversos membros das famosas Ligas Camponesas,  fundadas  por Francisco Julião, num campo de treinamento de guerrilhas, em  Dianópolis,  Goiás. 

Texto completo

- Que afora o PCB, por seu apego ao ortodoxo "caminho pacífico" para a  tomada do poder, foram os trotskistas o único segmento da esquerda  brasileira que não pegou em armas nos anos 60 e 70?


- Que o primeiro grupo de 10 membros do Partido Comunista do Brasil -  então  partidário da chamada linha chinesa de "guerra popular prolongada" para a  tomada do poder - viajou para a China ainda no governo João Goulart, em 29  de março de 1964, a fim de receber treinamento na Academia Militar de  Pequim?

E que até 1966 mais duas turmas foram a Pequim com o mesmo  objetivo? 

(livro "Combate nas Trevas", de Jacob Gorender).


- Que no regresso da China, esses militantes, e outros, foram mandados, a  partir de 1966, para a selva amazônica a fim de criar o embrião da "guerra  popular prolongada" que resultou naquilo que ficou conhecido como  Guerrilha  do Araguaia, somente descoberto pelas Forças Armadas em abril de 1972, graças à prisão de um casal, no Ceará, que havia abandonado a área,  desertando?


- Que mais da metade dos cerca de 60 jovens que morreram no Araguaia, para onde foram mandados pela direção do PC do B, eram estudantes  universitários, secundaristas ou recém-formados, segundo as profissões descritas na Lei que, em 1995, constituiu a Comissão de Desaparecidos Políticos?


- Que a expressão "socialismo democrático" - hoje largamente utilizada por  alguns partidos e candidatos - induz a um duplo erro: o de apontar no rumo de um hipotético socialismo que prescindirá do Estado da Ditadura do Proletariado, acontecimento nunca visto no mundo, e o de introduzir a idéia de que o Estado mais democrático que o mundo já conheceu, o Estado  Proletário não é democrático?

(livro "História da Ação Popular", página  63, de autoria dos atuais dirigentes do Partido Comunista do Brasil, Aldo  Arantes e Haroldo Rodrigues Lima).


- Que no início de 1964, antes da Revolução de Março, Herbert José de Souza,  o "Betinho" já pertencia à Coordenação Nacional da Ação Popular?

(livro  "No  Fio da Navalha", do próprio "Betinho", páginas 41 e 42).


- Que em 31 de março de 1964, quando da Revolução, "Betinho" era o coordenador da assessoria do Ministro da Educação, Paulo de Tarso, em  Brasília?

(livro "No Fio da Navalha", páginas 46 e 47).


- Que pouco tempo antes da Revolução de Março de 1964, o coordenador nacional do "Grupo dos Onze", constituídos por Leonel Brizola, era  "Betinho", designado pelo próprio Brizola?

(livro "No Fio da Navalha",  páginas 49 a 51).


- Que em março de 1964 o esquema armado de João Goulart "era uma piada"; e  que "o comandante Aragão , comandante dos Fuzileiros Navais, era um  alucinado e eu nunca vi figura como aquela"?

(livro "No Fio da Navalha",  página 51).


- Que já em 1935, Luiz Carlos Prestes, o "Cavaleiro da Esperança", era um  assalariado do Komintern (3ª Internacional)? Isso está escrito e  comprovado  no livro "Camaradas", do jornalista William Waak, que teve acesso aos  arquivos da 3ª Internacional, em Moscou, após o desmanche do comunismo.


- Que Luiz Carlos Prestes foi Secretário-Geral do Partido Comunista Brasileiro por 37 anos, ou seja, até maio de 1980, uma vez que foi eleito em  setembro de 1943, quando ainda cumpria pena por sua atuação na Intentona  Comunista?

(livro "Giocondo Dias, uma Vida na Clandestinidade", de Ivan  Alves Filho, cujo pai, Ivan Alves, pertenceu ao partido).


- Que 4 ex-militares dirigiram o PCB desde antes de 1943 até 1992:  Miranda,  Prestes, Giocondo Dias e Salomão Malina? Ou melhor, comandaram o PCB por cerca de 50 anos?


- Que após o desmantelamento do socialismo real, que começou pela queda do  Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, foi considerado que "o marxismo-leninismo deixou de ser uma ferramenta de transformação da  História  para tornar-se uma espécie de religião secularizada, defendida em sua ortodoxia pelos sacerdotes das escolas do partido"?

(livro "Nos Bastidores  do Socialismo", de autoria de Frei Betto).


- Uma frase altamente edificante: "Quero deixar claro que admito a pena de morte em uma única exceção: no decorrer da guerra de guerrilhas". Seu  autor?  Frei Betto, em seu livro "Nos Bastidores do Socialismo", página 404.


- Que em fins de agosto de 1995 - 16 anos após a anistia - o governo enviou  ao Congresso Nacional um projeto, logo transformado em lei, dispondo sobre "o reconhecimento das pessoas desaparecidas em razão de participação, ou  acusação de participação, em atividades políticas, no período de 2 de  setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979"?


- Que esse projeto definiu que deveria ser criada uma Comissão Especial, composta por 7 membros, com a atribuição de proceder ao reconhecimento de  pessoas que tenham falecido de causas não naturais "em dependências policiais ou assemelhadas"?


- Que da relação de pessoas desaparecidas que acompanhou o projeto constavam os nomes de 136 militantes da esquerda considerados desaparecidos políticos que, por opção própria, pegaram em armaspara instalar em nosso País uma República Democrática Popular semelhante àquelas que o povo, nas ruas do Leste Europeu, derrubou, nos anos de 1989 e 1990?


- Que entre esses nomes, estavam os de 59 guerrilheiros desaparecidos no Araguaia, quando tentavam implantar o embrião do modelo chinês de "guerra popular prolongada"?


- Que as famílias de todos esses guerrilheiros do Araguaia já foram  indenizados com quantias que variam de 100 mil a 150 mil reais?


- Que, por conseguinte, à vista do que está escrito na lei, para que essa indenização fosse concedida, a área de selva de cerca de 7 mil quilômetros quadrados em que a guerrilha se instalou, foi considerada uma "dependência policial ou assemelhada"?


- Que duas senhoras, integrantes da Comissão que representam as famílias dos desaparecidos, Iara Xavier Pereira e Suzana Kiniger (ou Suzana Lisboa)  foram  militantes da ALN e receberam treinamento militar em Cuba?


- Que Iara Xavier Pereira participou de diversas "ações" armadas, conforme ela própria revela, na página 297, do livro "Mulheres que Foram à Luta Armada", de autoria de Luiz Maklouf?


- Que essas senhoras ou suas famílias foram indenizadas pela morte de 4 pessoas? Iuri Xavier Pereira, Alex de Paula Xavier Pereira e Arnaldo Cardoso Rocha (todos membros do Grupo Tático Armado da ALN, com treinamento  militar  em Cuba, mortos nas ruas de São Paulo em tiroteio com a polícia), irmãos e  marido de Iara Xavier Pereira, que também recebeu treinamento militar em Cuba, e Luiz Eurico Tejera Lisboa (treinado em Cuba), marido de Suzana  Lisboa, que com ele também recebeu treinamento na paradisíaca "ilha da  liberdade"? Que, no total, 600.000 mil reais, foi quanto os contribuintes  pagaram a essas duas senhoras?


- Que a mídia, a famosa mídia que faz a cabeça das pessoas, jovens e adultos, nunca registrou esse "pequeno trecho" altamente edificante da  História recente de nosso país?


Mas, há mais, muito mais!
VOCÊ SABIA
que o guerrilheiro do Araguaia, Rosalino Cruz Souza, conhecido  na  guerrilha como "Mundico", incluído na relação de "desaparecidos  políticos",  sabidamente "justiçado", no Araguaia, pela também guerrilheira "Dina"  (Dinalva Conceição Teixeira) - cujos familiares foram também indenizados -  teve sua família indenizada? Não pelo Partido que o mandou para lá e o  matou, mas por nós, contribuintes?

 

VOCÊ SABIA

 

que a família do coronel aviador Alfeu Alcântara Monteiro,  morto  em 2 de abril de 1964 - cuja esposa, desde sua morte, recebe pensão  militar  - foi também aquinhoada com os tais 150 mil reais, com o voto favorável do general que, na Comissão, representava as Forças Armadas? Que, depois, esse  mesmo general, em entrevista ao jornal "Folha de São Paulo", buscando justificar seu voto, disse que no processo organizado pela Comissão constava que o coronel havia sido morto com "19 tiros pelas costas"? E, diz o general: "depois vim a saber que ele foi morto com um único tiro". Caso o  ilustre general, que também é advogado, antes de dar seu voto, tivesse consultado o Inquérito Policial Militar instaurado na época, para apurar o  fato, arquivado no STM como todos os demais inquéritos, teria constatado a versão real: dia 2 de abril de 1964, o brigadeiro Nelson Freire Lavanère Wanderley deveria receber o comando da então Quinta Zona Aérea, em Porto Alegre, do mais antigo oficial presente que era o coronel Alfeu Alcântara Monteiro, reconhecidamente janguista. O coronel recusou-se a transmitir o comando e reagiu, atirando e ferindo o brigadeiro Wanderley, sendo morto com um tiro de pistola 45 pelo também coronel-aviador Roberto Hipólito da Costa, que acompanhava o brigadeiro. Ou seja, o coronel Hipólito matou em legítima defesa de outrem, conforme concluiu o Inquérito, sendo absolvido pela Justiça Militar.


 - Que Carlos Marighela, morto nas ruas de São Paulo, delatado voluntária ou  involuntariamente por seus companheiros do Convento dos Dominicanos, e Carlos Lamarca, morto no sertão da Bahia, tiveram seus familiares  indenizados, embora a esposa de Carlos Lamarca já recebesse pensão militar?  Ou seja, as ruas de São Paulo e o sertão baiano foram considerados,  também,  pela Comissão, "dependências policiais ou assemelhadas".


Mas não terminou; eles querem mais, muito mais.


VOCÊ SABIA

que membros da Comissão pensaram reivindicar a promoção de  Lamarca a general?


VOCÊ SABIA

que o atual Ministro da Justiça também propôs a promoção de Apolônio de Carvalho (um ex-militar expulso do Exército em 1935 e  posteriormente, fundador e militante do PCBR, e, posteriormente ainda, banido do  país em troca de um embaixador seqüestrado) a general?

 - Que amplos setores da mídia e toda a esquerda vêm difundindo por todos esses anos a versão de que "a resistência armada" à "ditadura" no Brasil  dos  anos 60, foi uma resposta ao Ato Institucional nº. 5, que "fechou" o  regime ?

- Que isso não é verdade, pois o Ato Institucional nº. 5, que teria  "fechado" o regime, foi assinado em 13 de dezembro de 1968?

- Que, antes disso, a esquerda armada já havia atirado uma bomba no Aeroporto dos Guararapes, em 25 de julho de 1966, matando um jornalista e  um  Almirante e ferindo um General?

- Que já havia atirado um carro-bomba contra o Quartel-General do II  Exército, em São Paulo, matando o soldado sentinela Mario Kosel Filho, em  26  de junho de 1968?

 Que já havia assassinado, ao sair de casa, na frente de seus filhos, o  Capitão do Exército dos EUA Charles Rodney Chandler, tachado nos  panfletos  deixados sobre seu corpo, de "agente da CIA"?

- Que um dos assassinos - um sargento expulso da Polícia Militar de São Paulo pela Revolução de 1964 - várias vezes entrevistado, vive hoje, tranqüilamente, em São José dos Campos, após ter sido anistiado pela ditadura militar, "fascista", indenizado e reintegrado à PM, como  reformado?

- Que em 1968, antes, também, do Ato Institucional nº. 5, o Major do  Exército da Alemanha Edward Von Westernhagen , que cursava a Escola de  Comando e Estado-Maior do Exército, na Praia Vermelha, Rio de Janeiro, foi  morto na rua por um grupo do Comando de Libertação Nacional (COLINA),  constituído por dois ex-sargentos, um da Aeronáutica e outro da Polícia  Militar do Rio de Janeiro, sendo o crime, na época, atribuído a marginais?

- Que ele foi morto por ter sido confundido com o capitão do Exército  boliviano Gary Prado, que participou da caçada a Che Guevara, no ano  anterior, em seu país, e que, por isso, deveria ser "justiçado", que  também  cursava a Escola de Comando e Estado-Maior?

(livros "A Esquerda Armada no  Brasil", e "Memórias do Esquecimento", de Flávio Tavares).

- Que antes do Ato Institucional nº. 5, guerrilheiros do PC do B chegados da China em 1966 já se encontravam no Brasil Central preparando a Guerrilha do Araguaia?

- Que era essa a tática utilizada pela esquerda armada para instalar no  Brasil um pleonasmo (uma República Popular Democrática): matar, matar e matar?

- Que a alucinada esquerda armada não matava apenas seus "inimigos", mas  também os amigos e companheiros (JUSTIÇADOS)?

Veja a relação dos "companheiros" assassinados, a título de  "justiçamento",  sob a alegação de que sabiam demais, demonstravam desejo de pensar com suas  próprias cabeças e que, por isso, representavam um perigo em potencial. Não que tenham traído, mas porque poderiam (futuro do pretérito) trair:

- Márcio Leite Toledo (ALN) em 23 de março de 1971;

- Carlos Alberto Maciel Cardoso (ALN) em 13 de novembro de 1971;

- Francisco Jacques Alvarenga (RAN-Resistência Armada Nacionalista) em 28  de  junho de 1973;

- Salatiel Teixeira Rolins (PCBR) em 22 de julho de 1973;

- Rosalino Cruz - "Mundico", na Guerrilha do Araguaia;

- Amaro Luiz de Carvalho - "Capivara" (PCR), em 22 de agosto de 1971,  dentro  de uma Penitenciária, em Pernambuco;

- Antonio Lourenço (Ação Popular), em fevereiro de 1971, em  Pindaré-Mirim/MA;

- Geraldo Ferreira Damasceno (Dissidência da Var-Palmares) em 19 de maio de  1970, no Rio de Janeiro;

- Ari da Rocha Miranda (ALN), em 11 de junho de 1970, em São Paulo.

 

- Que o militante da Resistência Armada Nacionalista, Francisco Jacques  Alvarenga, "justiçado" dentro do Colégio em que era professor, no Rio de  Janeiro, por um Comando da ALN, teve seus passos previamente levantados  por  Maria do Amparo Almeida Araújo, também militante da ALN?

 - Que foi ela própria quem revelou esse detalhe no livro "Mulheres que Foram  à Luta Armada", de Luiz Maklouf ?

- Que Maria do Amparo Almeida Araújo é atualmente a presidente do "Grupo Tortura Nunca Mais" de Pernambuco, entidade criada para denunciar as  torturas e assassinatos da chamada "repressão"?


- Finalmente, leiam este trecho, altamente significativo, considerando a identidade de seu autor:

"No curso de Estado-Maior, em Cuba, esmiúço a história da revolução cubana  e  constato evidentes contradições entre o real e a versão divulgada pela  América Latina afora (...) 

Muitas ilusões foram estimuladas em nossa juventude pelo mito do punhado de barbudos que, graças ao domínio das táticas guerrilheiras e à vontade  inquebrantável de seus líderes, tomou o poder numa ilha localizada a 90 milhas de distância de Miami. Balelas, falsificações (...)

O poder socialista instituiu a censura, impediu a livre circulação de idéias e  impôs  a versão oficial. Os textos encontrados sobre a revolução cubana são meros  panfletos de propaganda ou relatos factuais, carentes de honestidade e  aprofundamento teórico (...)

O Partido Comunista é o único permitido, e em  seus postos importantes reinam os combatentes de Sierra Maestra ou gente  de  sua confiança, em detrimento dos quadros oriundos do movimento operário (...)

Os contatos com as organizações de luta armada (de toda a América  Latina) são feitos através do S2 (Inteligência), conseqüência das  deturpações do regime. A revolução na América Latina não seria uma questão política e sim, usando as palavras do caricato Totem, "de mandar bala". 

Nos relacionamos com os agentes secretos, que tentam influenciar na escolha de  nossos comandantes, fortalecem uns companheiros em detrimento de outros, isolam alguns para criar uma situação de dependência psicológica que  facilite a aproximação, influência e recrutamento; alimentam melhor os que  aderem à sua linha e fornecem informações da nossa Organização, concedem status que vão desde a localização e qualidade da moradia à presença em  palanques nos atos oficiais; não respeitam nossas questões políticas e  desconsideram nosso direito à auto-determinação".

(Totem, acima mencionado, é o general Arnaldo Ochoa, comandante do Exército em Havana, no início dos anos 70, fuzilado nos anos 80, sob a acusação de  ser narcotraficante).

O que acima foi transcrito está nas páginas 178 a 181 do livro "Nas  Trilhas  da ALN", de autoria de Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz ("Clemente"),  o último dos "comandantes" da Ação Libertadora Nacional que recebeu  treinamento militar em Cuba.

"Clemente" foi autor de vários assaltos a bancos, estabelecimentos  comerciais, assassinatos e "justiçamentos" - ou planejamento deles - como  o  do seu próprio companheiro Márcio Leite Toledo e do presidente da Ultragaz  em São Paulo, Henning Albert Boilesen, em 15 de abril de 1971.

Ao concluir o curso em Cuba, nos idos de 1973, "Clemente" foi viver em  Paris, somente regressando ao Brasil após ter sido um dos anistiados pelo  presidente Figueiredo, derrubando outro mito até hoje difundido pelas  esquerdas de todos os matizes: o de que a Anistia não foi Ampla, Geral e  Irrestrita Hoje, vive no Rio de Janeiro. Dá aulas de violão para crianças  e  participa de eventos culturais organizados pelo Movimento dos Sem-Terra.


Carlos I. S. Azambuja é historiador

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