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20/02 - Vasculhando o Orvil - VPR - Capítulo VI
 Pela editoria do site: www.averdadesufocada.com
 Logo após a transcrição da matéria do Orvil, o site fez uma relação de militantes da luta armada citados na matéria, que, caso a Comissão da Verdade seja aprovada pelo Congresso, poderiam ser  chamados para relatar os crimes cometidos e qual a verdadeira intenção da luta armada. Se forem honestos em seus depoimentos,  a verdade que a esquerda deturpa, reescrevendo a história, começaria a ser desvendada. Mas, que não façam como a equipe que pesquisou para produzir  o livro BRASIL: NUNCA MAIS , que esquadrinhou documentos no STM, sem honestidade e isenção. Essa equipe fez a triagem a seu modo, publicando o que interessava, distorcendo os fatos e ignorando os crimes e as intenções dos militantes dessa luta insana. No livro, seus crimes foram omitidos e terroristas e subversivos são endeusados. Vejam a introdução:
"Escreve isto para memória num livro"
(Êxodo 17,14)
  
 Iluminadas por Deus, segundo a
 Bíblia,  pessoas que pregam paz
"Lembrem-se do que aconteceu no passado:
Naqueles dias,
depois que a luz de Deus brilhou sobre vocês,
vocês sofreram muitas coisas,
mas não foram vencidos na luta. "
BRASIL: NUNCA MAIS
Desde quando assaltantes, assassinos, sequestradores e terroristas que matam e mutilam inocentes em atentados a bomba, são pessoas sobre as quais a "luz de Deus "brilhou sobre elas ?
.
VPR: meses de planejamento e sigilo
A VPR iniciou o ano de 1970 com uma linha política estabelecida no seu último congresso de novembro do ano anterior, logo após o "racha" - quando se desligou da  VAR - Palmares..
Em janeiro, o Comando Nacional (CN) expediu o "Informe nº 3" no qual analisava a situação do Pais, da esquerda e da organização, e estabelecia um plano de trabalho para esse ano. Ao mesmo tempo, publicou parte dos documentos aprovados no congresso, dos quais se destaca o capitulo referente à "Propaganda Armada". Depois de considerar o novo presidente eleito -  General Emílio Garrastazu Médici - como "um militar totalmente inexpressivo" e o novo governo como o "politicamente mais fraco desde 1964", a VPR apontava o seu inimigo: a burguesia.
Privilegiando a luta armada como a única forma de tomada do poder,
a VPR estabelecia duas tarefas fundamentais para esse ano: a propaganda armada, as ações armadas e a guerrilha rural.
Para a organização, a agitação e a propaganda não deveriam, como até agora acontecia, simplesmente inocular nas massas a necessidade de fazer a revolução,  mas mostrar- lhes um quadro revolucionário pronto, para que nele ingressassem, inicialmente, a reboque da vanguarda. 
Dentre as ações de propaganda armada, a VPR as caracterizava como sendo de três tipos: as "de repercussão nacional, de grande vulto" ; as "de repercussão local"; e as "de repercussão. interna, dentro da vanguarda, como troca de prisioneiros, justiçamentos de torturadores, etc".  Nestas últimas ações, a VPR enquadrava os justiçamentos dos "dedos-duro" e dos "traidores ", condenados por um "tribunal revolucionário", que poderiam ou não ser divulgados pela organização. As discussões sobre a propaganda armada durariam todo esse ano e seriam intensificadas, a partir do sequestro do embaixador suiço, planejado para dezembro.
Sobre a guerrilha rural a segunda tarefa fundamental desse ano, a VPR afirmava que ela seria desencadeada através de 3 fases:
- na primeira, a preparação dos quadros em áreas de treinamento . A VPR já havia feito um treinamento , de outubro a dezembro de 1969, e, naquele momento, janeiro de 1970, iniciava a implantação de uma nova área de treinamento, na região de registro.
 - na segunda, a implantação de área táticas (AT), onde seriam desencadeadas guerrilhas irregulares; e
- na terceira, a Coluna Móvel Guerrilheira, de fundo, estratégico,e que seria o embrião de um Exército Popular .
. Em carta "Aos Comandantes - de  Unidades de Combate", datada de 7 de janeiro, Carlos Lamarca afirrnava que
"a palavra de ordem é aguçar a luta, em todos os níveis, em todos os lugares".
Para realizar todo esse ambicioso plano, a VPR precisava ter uma organização dinâmica que lhe permitisse, com mais facilidade, acionar suas bases sem os entraves de uma estrutura complexa, com excessivos comandos interrnediários.
  
 Na época que militava na luta armada era
conhecido como Ladislas Dowbor  - Jamil
Seu CN era composto por três militantes: Carlos Lamarca, nomeado comandante-em-chefe, Ladislas Dowbor ("Jamil") e Maria do Carmo Brito. Ligados diretamente ao CN, havia as Unidades de Combate (UC), .nos Estados da Guanabara, São.Paulo e Rio Grande do Sul. Apesar de falarem, comumente, em Comando Urbano e Comandos Regionais, eles não existiam como organismos estruturados - o comando de UC confundia-se com o comando regional.
Na Guanabara  havia duas UC. Uma, denominada de  "João Lucas Alves" - UC/JLA -, era comandada por José Ronaldo Tavares de Lira e Silva, ex-Sargento do Exército, e possuía duas bases 
A primeira base era coordenada por Darcy Rodrigues, ex-sargento do Exército, e integrada por Gerson Theodoro de Oliveira , sua companheira Tereza ângelo, Maurício Guilherme da Silveira e Flávio Roberto de Souza; e a segunda, coordenada por José Maurício Gradel e integrada por Sonia Eliane Lafoz, Jesus Paredes Souto, Adair Gonçalves Reis e Cristóvão da Silva Ribeiro.
A UC/JLA, como as demais, possuía uma vida própria, com um Setor de Imprensa, um de Documentação, um de Inteligência, e uma Base Médica, onde se destacava Almir Dutton Ferreira. Os responsáveis eram os seguintes militantes:

 Documentação - Melcides Porcino da Costa e sua companheira Ieda dos Reis Chaves

Inteligência - Celso Lungaretti, Maria Barreto Leite Valdez, Richard Domingues Dulley e sua esposa Ana Maria Aparecida  Peccinini Dulley                                                                 
 Base Médica - Almir Dutton Ferreira.

A outra UC estava em gestação e fora denominada "Severino Viana Colou". Era comandada  por Herbert Eustáquio de Carvalho, um ex-estudantede Medicina, vindo do COLINA de

 
       Darcy Rodrigues
Minas Gerais . Ao dirigir-se para a área de treinamento de guerrilha em Registro Herbert  foi substituído por Juarez Guimarães de Brito.
Essa UC era  encarregada de executar pequenas açoes. Integrada, fundamentalmente, por militantes oriundos do Comando Secundarista (COSEC), possuía duas bases :

A primeira, coordenada por Alex Polari de Alverga, era integrada por sua companheira Lúcia Velloso  Maurício,´Paulo Cesar de Amorim Chagas e Vera Lúcia Thimóteo;
a segunda, coordenada por Alfredo Hélio Sirkis, constituía-se de Júlio Cesar Covello Neto e Marco Antonio Esteves da Rocha. Como homem de confiança de Juarez e encarregado de contatos com outras organizações, havia Wellington Moreira Diniz. 

Em São Paulo havia apenas a UC coordenada por José Raimundo da Costa , que possuia  cerca de 20 militantes , e que, em seguida passaria para a cordenação de Ladislas Dowbor.No Rio Grande do Sul, havia a UC "Manoel Raimundo Soares" (UC/MRS), dirigida por Félix Silveira Rosa Neto. Integrada pela companheira de Félix, Eliana Lorentz  Chaves, Fernando Damatta Pimentel, Irgeu João Menegon, Luiz Carlos Dametto, José Clayton da Silva Vanini e Isko Germer, ex-tenente da PM gaúcha. Essa UC havia sido reforçada, em dezembro de 1969, com a entrada de mais  de uma dezena de militantes oriundos do POC.

 Além da área urbana, a VPR passava, nesse início de ano, a dar maior atenção ao trabalho de campo
  
 Alfredo Hélio Sirkis PT/RJ
dirigido pelo próprio Lamarca. Estava iniciando os trabalhos na área de treinamento do Vale do Ribeira, na região de Registro, em São Paulo, e implantava uma futura área tática ( ( AT ) na região de Três Passos, no Norte do Rio Grande do Sul. Fracassara a tentativa de criar uma AT em Goiás, para onde havia sido enviado Manoel Dias do Nascimento.
A mando da organização Antonio Nogueira da Silva Filho comprara uma fazenda no. interior goiano, mas "desbundou" (ou seja, desistiu da subversão) e pediu para sair. Julgado por um Tribunal Revolucionário, por pouco não foi justiçado, sendo expulso pela contagem de 2 x I, com o voto isolado a favor do fuzilamento. O tribunal, constituído por Celso Lungaretti, Ladislas Dowbor e Carlos Alberto Soares de Freitas, expulsou -o em 24 de setembro  de 1969. Com medo, Antonio Nogueira da Silva Filho , ainda em 1969, fugiu para Milão , na Itália.
Em  termos de "frente"- ações praticadas em conjunto  com outras organizações-, a VPR participava com a ALN, a REDE, o POC e o MRT. A VPR fazia, tambèm, contatos com o grupo denominado de Frente de.Libertação Nacional (FLN), liderado pelo ex--major do Exército Joaquim Pires Cerveira. Juntas VPR e FLN realizaram o planejamento de diversas ações, dentre os quais o do seqüestro do embaixador alemão, na Guanabara.
Nesse inicio de 1970, os órgãos de segurança empenhavam - se em descobrir as infiltrações da VPR no Exército, através das declarações do ex-Cabo José Mariane Perreira Alves. Preso ,o Capitão Altair Luchesi Campos negou peremptoriamente as suas ligacões com a VPR e com Lamarca. Ao ser acareado com o Cabo esse lhe disse:
" Vamos ser homens, capitão! Eu caí, estou falando a verdade e, se faço neste momento esta declaração, não é por vingança. Não tenho raiva de nenhum oficial que tenha me dado punição quando soldado. O senhor realmente esteve no aparelho do Lamarca".
Então , em prantos, o Capitão Luchesi confessou suas ligações com a organização.
No exterior, a VPR iniciava a montagem·de uma estrutura em
  
 Fernado Damatta Pimentel - durante a
  luta armada
Cuba, onde se encontrava Onofre Pinto, banido em setembro do ano anterior. Inclusive, já havia conseguido recrutar diversos marinheiros do. ex-MNR que possuiam curso de guerrilha lá realizado. Ao longo dos meses seguintes, esses militantes integrar-se-iam à VPR no Brasil
Os ex-integrantes do MNR recrutados foram : José Maria Ferreira de Araújo, Evaldo Luiz Ferreira de Souza, Edson Neves Quaresma e José Anselmo dos Santos , além de Aluizio Palhano Pedreira Ferreira, bancário, ex-vice presidente da CGT e ex-presidente da OLAS -organização Latino-americana de Solidariedade..
  

Fernando Pimentel hoje , ex-pre-
feito BH - Coordenador da campa-
nha  eleitoral

Nos dois primeiros meses do ano, a VPR decidiu diminuir o ritmo de suas ações, a fim de não arriscar alguma prisão que pudesse por em risco a área de treinamento. O sigilo era prioritário.  Sua única ação armada, nesse período, foi o assalto ao Centro de Transmissores de Manguinhos, perto da Avenida Brasil, na Guanabara, realizado em 30 de.janeiro. Quatro militantes fardados de militares da Aeronáutica subjugaram a guarda da FAB e levaram três fuzis e àlgumas fardas.
 Na manhã de 27 de fevereiro, um acidente de carro na  estrada das Lágrimas, em São João Clímaco/SP, colocava na mão da polícia Chizuo Ozava ("Mário Japa"), que sabia onde era a área de treinamento. Perguntado sobre o assunto, "Mário Japa" disse que estava localizada em Goiás. Mais uma vez, os órgãos de segurança foram desviados em suas buscas, naturalmente em decorrência do erro inicial. Entretanto, a simples prisão de "Mário Japa" preocupou a VPR e, particularmente Lamarca, internado nas matas de Jacupiranga.
Era preciso, urgentemente, fazer um seqüestro para libertá-lo, ação concretizada em 11 de março, quando foi sequestrado o cónsul japonês em São Paulo.
No Rio Grande do Sul, a  fim de desviar de São Paulo a atencão dos Órgãos de Segurança, a UC/MRS iniciava as ações armadas.
 No dia 2 de março, assaltou um Volks do Banco Brasul, que transportava dinheiro da Companhia Ultragás, levando 65.000 mil cruzeiros.
A relativa inação da VPR nesses dois primeiros meses do ano, seus planejamentos, sua preparação e particularmente o sigilo com que procurava cercar suas ações permitiam prenunciar grandes atividades da organização nos meses  seguintes.
 
 Alex Polari Alverga e
  o Santo - Daime

Transcrito do Projeto Orvil

Outros nomes podem ser encontrados em todas as matérias da série Projeto Orvil e Memórias Reveladas. Relação proposta nessa matéria, pessoas fáceis de serem localizadas:

 
 Maria do Carmo Brito
José Ronaldo Tavares de Lira e Silva
Darcy Rodrigues
Sonia Eliane Lafoz
Celso Lungaretti - blogueiro
Alex Polari de Alverga
Alfredo Hélio Sirkis - Deputado pelo RJ
Ladislas Dowbor.
 Fernando Damatta Pimentel - ex-prefeito de Belo Horizonte e  indicado para coordenar a campanha eleitoral de dilma Rousseff
Chizuo Ozava


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Não deixe de conhecer o livro A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça

Comentários
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Creso Magalhães - Escola IP:189.25.79.xxx | 20-02-2010 14:48:32
O pior é que essa gente fez escola: o assassino do menino João Hélio está aí, soltinho da Silva..., e incluído no Programa de Proteção a Adolescentes. O anjinho, durante a sua estada no 'colégio interno', cometeu três delitos, tendo, inclusive, tentado asfixiar um funcionário do referido 'colégio'. Eu, se fosse ele, pediria indenização por... hum... deixe-me ver... ah, por qualquer coisa, pô!
PS: O ex-titular da Vara da Infância e Juventude do Rio, desembargador Siro Darlan, defendeu que o rapaz tenha mais uma chance. De acordo. Por que não o leva para brincar com os netinhos?
Alexander - Memórias Reveladas IP:189.60.28.xxx | 20-02-2010 15:36:38
Bem que poderíamos fazer uma campanha por uma CPI e convocar todos estes cidadãos a esclarecerem seus atos.

Assim, a História seria resgatada e a tal Comissão da Verdade, se não chegasse a "Verdade", ao menos traria mais fatos concretos, ao invés de ficar fazendo politicagem, mentiras e revanchismos.
Carlos A.P.Silva - Editora - A mídia vermelha IP:189.10.116.xxx | 20-02-2010 22:34:10
Prezada Sra.Editora.

Não sei se foi do seu conhecimento uma reportagem datada de 02/09/2007 que vasculhando na Internet por acaso encontrei.
Não precisa ser publicada, uma vez que o tempo decorrido já a tornou decrépita.
No entanto, transcrevo só para conhecimento de V.Sa.

02/09/2007
Exército mantém mentalidade golpista
KENNEDY ALENCAR
Colunista da Folha Online

A nota do Alto Comando do Exército sobre o livro "Direito à Memória e à Verdade" é uma triste notícia para o país. Divulgada na sexta-feira (31/08), a nota mostra que continuam firmes e fortes nas Forças Armadas a mentalidade golpista, certa resistência ao poder civil e uma dose de indisciplina incompatível com a vida militar.

O livro conta uma verdade histórica. Pela primeira vez, um documento do governo federal relata em detalhes atos cruéis da ditadura militar (1964-1985).

A reação do Alto Comando deveria ter sido de vergonha. Uma autocrítica e um pedido de desculpas soariam muito bem. Instituições como a Igreja Católica já agiram assim a respeito do que consideraram erros e abusos do seu passado. Mas qual foi a reação dos nossos militares, em pleno século 21?

"Não há Exércitos distintos. Ao longo da história, temos sido o mesmo Exército de Caxias, referência em termos de ética e de moral, alinhado com os legítimos anseios da sociedade brasileira", diz a nota do Alto Comando, que se reuniu extraordinariamente para discutir o livro.

Lamentável constatar que os atuais generais consideram integrar o mesmo Exército daqueles que executaram presos que já não podiam reagir. Torturaram intensamente militantes de esquerda. Abusaram sexualmente de homens e mulheres. Estupraram. Decapitaram. Esquartejaram. Ocultaram cadáveres. Enganaram famílias, exigindo dinheiro em troca de informações que se comprovaram falsas. Deram versões falsas ao público.

A reação do Exército, disseram reservadamente os generais, aconteceu porque o ministro da Defesa, Nelson Jobim, fez um discurso duro na quarta-feira (29/08) durante a solenidade de lançamento do livro que relata onze anos de trabalho da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos.

"Não haverá indivíduo que possa reagir e, se houver, terá resposta", disse Jobim, num aviso a críticas de bastidor que a colunista Eliane Cantanhêde revelou na edição impressa da Folha.

Jobim agiu corretamente na quarta. Fundou o Ministério da Defesa, pasta que os militares nunca engoliram. No entanto, o ministro da Defesa errou na sexta, ao aceitar a nota do Alto Comando do Exército. No mínimo, Jobim perdeu capital político.

A nota é um ato de indisciplina contra o ministro civil que comanda os militares. A alegação de que Jobim os afrontou, ainda que fosse verdadeira, não justifica a reação. Militar tem de bater continência por dever de ofício. É pago para, se necessário, suportar afronta do superior hierárquico. E, convenhamos, esse negócio de afronta foi desculpa para bater no livro.

Mas há coisa pior: a nota afirma que a Lei de Anistia, de 1979,

"produziu a indispensável concórdia de toda a sociedade, até porque os fatos históricos têm diferentes interpretações, dependendo da ótica de seus protagonistas".

Se a mira do Exército brasileiro for tão certeira quanto a sua interpretação da história, estamos todos perdidos. Não haverá soldados aptos a defender o país.

A repressão política agiu com consentimento dos mais altos dirigentes da ditadura, inclusive de generais-presidentes. O livro relativizou a tese de que a Lei da Anistia de 1979 se estendeu a todos os crimes cometidos pelos militares. Cortes internacionais afirmam claramente: são imprescritíveis os crimes contra os direitos humanos. Portanto, há, sim, controvérsia a respeito da Lei da Anistia.

Por razão política, Lula fez um discurso moderado no lançamento do livro, dizendo que o ato não era revanche. Por razão política, o Brasil pode fingir que os crimes contra os direitos humanos prescreveram. Mas estará passos atrás de outros países da América Latina, que já realizaram um ajuste de contas com o seu passado ditatorial. O Chile levou Augusto Pinochet ao banco dos réus, por exemplo.

*

Desequilíbrio

Na discussão "ditadura x guerrilheiros", há um aspecto sempre abordado com desequilíbrio. O livro da comissão de direitos humanos reconhece que ações dos militantes de esquerda fizeram vítimas entre os defensores da ditadura.

A geração que enfrentou a ditadura cometeu erros. O maior deles foi ter avaliado que a luta armada era o melhor caminho a ser seguido. Os militares afirmam que os guerrilheiros de esquerda eram autoritários que queriam transformar o Brasil numa ditadura comunista.

Esse argumento é fajuto e desequilibrado. Quem rompeu a legalidade institucional do país foi a direita. Golpistas como Carlos Lacerda se arrependeriam logo depois da "revolução" de 1964.

Se a esquerda tivesse assumido o poder, torturado e assassinado, faria sentido dar aos seus erros a dimensão dos erros da direita. Foi a direita que assumiu o Estado brasileiro. Foi a direita que torturou e matou em nome do Estado. Cometendo equívocos que o país também merece conhecer, a esquerda reagiu.

A palavra está agora com o ministro Nelson Jobim. Se fizer de conta que a nota do Alto Comando do Exército faz parte da paisagem, seguirá o destino dos antecessores. Ministros da Defesa que viraram fantoches.

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Kennedy Alencar, 42, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal "RedeTVNews", de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas "É Notícia", aos domingos à meia-noite.

E-mail: kennedy.alencar@grupofolha.com.br
Leia as colunas anteriores
A editora - Para Carlos Alberto A.P Silava IP:189.6.15.xxx | 20-02-2010 23:07:35
Sr Carlos Alberto na época do lançamento do livro o site se pronunciou a respeito.
Mario T. Silva - 1º de abril IP:189.48.167.xxx | 21-02-2010 10:21:43
Quanto ao livro "Brasil nunca mais", êles trocam até a data da vitória do povo democrático, de 31 de março de 1964 para 1º de abril(popularmente conhecido como o dia da mentira), demagógica e tendenciosamente. A corja não tem escrúpulo. Este livro para mim È LIXO! A mentira começa ali.
Carlos Alberto Pires da Silva IP:189.10.124.xxx | 21-02-2010 20:34:47
No "Sêfer Shemôt" ou livro do Êxodo o Capítulo 17, versículo 14 está destorcido para atender a propósitos escusos.
Na tradução da Vulgata um dos melhores, senão o melhor tradutor Pe. Matos Soares assim nos transmite:
“E o Senhor disse a Moisés: Escreve isto no livro para memória, e faze-o saber a Josué, porque eu hei de extinguir a memória de Amalec de debaixo do céu”.(Baruch HaShen).
Como se explica que um blasfemo traga-nos um texto totalmente adaptado as suas proposições? Conforme abaixo:
"Escreve isto para memória num livro"
(Êxodo 17,14)
Iluminadas por Deus, segundo a
Bíblia, pessoas que pregam paz
“Lembrem-se do que aconteceu no passado”:
Naqueles dias,
depois que a luz de Deus brilhou sobre vocês,
vocês sofreram muitas coisas,
mas não foram vencidos na luta. "
O Eterno fala de luz, brilho, Zohar àqueles que seguem seus mandamentos e não a ateus comunistas que professam ser a religião o ópio da civilização.
Hereges e anatematizados católicos, propagadores da Teologia da Libertação.
A luz, o brilho, o esplendor são matizes que vocês não conhecem. A cor preferida de vocês é o Vermelho que
representa o sangue, a guerra e o fogo da Geena que queimará a todos no dia do juízo.
Já que gostam tanto do vermelho padrecos dominicanos que levaram tantos ao queimadeiro é chegada à hora de colocá-los sob julgamento do Tribunal do Santo Ofício e entregá-los ao braço secular para derreterem suas banhas.
Como esse já é o terceiro comentário que faço sobre esse artigo e não os vi ainda publicados. Solicito que os anteriores sejam desprezados se porventura não está sob censura.
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