CONHEÇA A HISTÓRIA

 
www.livrariabrasil.net, 1 kB
Início arrow Projeto ORVIL arrow 24/11 - Histórico da Intentona Comunista II
24/11 - Histórico da Intentona Comunista II
Extraído do Projeto Orvil pela Editoria do site www.averdadesufocada.com  

CAPITULO II

 O PARTIDO COMUNISTA - SEÇÃO BRASILEIRA DA INTERNACIONAL COMUNISTA (PC-SBIC)

1. A Internacional Comunista

O lançamento do "Manifesto Comunista" de Marx e Engels situa-se no exato momento em que duas correntes vão chocar-se na doutrina e nos fatos: 1848 é, com efeito, o ano das revoluções européias. O brado lançado no Manifesto - "proletários de todos os países uni-vos"- teria consequência prática. Em breve seria tentada a união dos operários, acima das fronteiras nacionais, para combater o capitalismo e implantar o socialismo .

O conceito de internacionalismo proletário daí derivado deu origem à formação das Internacionais, verdadeiras multinacionais ideológicas, que, sob o pretexto de dirigir a luta em nome da classe operária, passaram a fomentar a criação de partidos em vários países, que subordinariam seus programas partidários às resoluções de seus Congressos.

Em 1864, foi fundada em Londres a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT). que ficou posteriormente conhecida como I Internacional. Reunia diferentes correntes do movimento operário europeu, que se opunha ao capitalismo, destacando-se entre elas a dos marxistas e anarquistas. Não suportando as dissensões de grupos anarquistas que não queriam se submeter à autoridade centralizadora de Marx e ao processo da Comuna de Paris, encerrou suas atividades em 1876 .

Texto completo

A II Internacional surgiu em 1889. A II Internacional perdurou até a 1ª Guerra Mundial, quando o nacionalismo mostrou-se, na prática mais forte e decisivo do que o internacionalismo.Depois de depurada dos anarquistas e dos comunistas e de ter passado por alguns períodos de crise e recesso, ressurgiu, em 1951, já Com o nome de Internacional Socialista.

A III Internacional, também conhecida como Comintern ou Internacional Comunista (IC), foi criada em  1919, por Lenin. Aproveitando-se da base física conseguida com a revolução russa, em 1917, a IC pode colocar em prática sua doutrina de expansão mundial do comunismo, aIicerçada na experiência dos sovietes. No seu II Congresso Mundial, realizado em 1920, a IC aprovou seu estatuto e estabeleceu  as 21 condições exigidas para a filiação dos diversos partidos comunistas, das quais algumas são transcritas abaixo:

"3ª - Nos países burgueses, a ação legal deve ser combinada com a ação ilegal. Nesses países deverá ser criada uma aparelhagem clandestina do Partido, capaz de atuar decisivamente no mommento oportuno.".

"4ª- Deverá ser feita uma ampla campanha de agitação e propaganda nas organizações militares, particularmente no Exército ".

"6ª- Todos os partidos comunistas devem ser internacionalistas e renunciar ao patriotismo e ao pacifismo social . Deverá ser demonstrado aos operários , sistematicamente, que sem a derrubada revolucionária do capitalismo não haverá desarmamento nem paz mundial".

"14ª - Todos os partidos comunistas são obrigados a prestar todo o auxílio necessário às Repúblicas Soviéticas, na sua luta face à contra - revolução ".

"16ª - Todos os partidos comunistas são obrigados a obedecer às resoluções e decisões da Internacional Comunistas, considerada como um partido  mundial ùnico".

Essas condições, que espelhavam a rigidez da linha leninista, proporcionaram ao Partido Comunista da União Soviética ( PCUS) a oportunidade de expandir o  Movimento Comunista Internacional ( MCI) , subordinando os interesses internacionais dos países submetidos aos dos soviéticos e facilitando a interferência nas políticas internas das demais nações.

2. A formação do PC-SBlC

 No Brasil, as duas primeiras décadas deste século foram marcadas por algumas poucas agitações de cunho social.

O movimento operário e sindical, por nove anos, desde 1908, dirigido pela Confederação Operária Brasileira ( COB ), possuia traços anarquistas e voltava-se, basicamente, para agitações contra a guerra mundial, inclusive, com ameaças de greve geral.

o marxismo-Ieninismo, ainda pouco conhecido e freqüentemente confundido com o anarquismo, procurava florescer em 7 ou 8 cidades brasileiras com a criação de alguns grupos que, apesar de se intitularem comunistas, não passavam, na verdade, de anarco-sindicalistas.

Foi quando, no inicio da década de 20, a Internacional Comunista (IC) e suas 21 condições de filiação chegaram ao nosso País, e nossos "comunistas" as assumiram, pressurosos.

Em 25 de março de 1922, nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói, num congresso que durou três dias, 9 pessoas fundaram o Partido Comunista - Seção Brasileira da Internacional Comunista (PC-SBIC).

De acordo com Haroldo Lima, Deputado Federal pelo PC do B da Bahia:

..o Congresso discutiu e aprovou as 21 condições de ingresso na Internacional Comunista, elegeu uma Comissão Central Executiva, criou um Comitê de Socorro Aos Flagelados Russos, tratou de questões práticas e encerrou seus trabalhos entoando o hino internacional dos trabalhadores, a Internacional" - Lima, H: "Itinerário das Lutas do PC do Brasil", 1981, página 4

Desde o nome e a sigla (PC-SBIC), obedecendo a 17ª condição, até à renúncia ao pacifismo social, o novo Partido aceitava a agitação permanente e a tese da derrubada revolucionária, das estruturas vigentes, renegava as regras de convivência da sociedade brasileira, propunha-se a realizar atividades legais e ilegais e subordinava-se às Repúblicas Socialistas Soviéticas.

3. As atividades do PC-SBIC

o PC-SBIC surgiu legal, registrado como entidade civil. Três meses depois, o estado de sitio, decorrente da revolta tenentista, colocava-o na ilegalidade e inibia o

desenvolvimento de suas atividades de agitação.

Em 1924, um fato viria repercutir no PC-SBIC: a realização  do V Congresso da IC, em junho/julho, já sob o impacto da morte de Lenin. Nesse Congresso a IC,  mudando de tática, passou a adotar a da  "Frente Única'",  vista por Zinoviev, como "um  método para agitação e mobilização das massas".

Zinoviev foi o primeiro chefe do Comintern e o encarregado de expor , no seu V Congresso, a estratégia que seria aplicada tanto à "Frente Única" quanto às atividades das organizações de frente.

No final de 1926, modificou-se o quadro político-institucional, com o governo de Washington Luís trazendo ventos liberalizantes, tendo o PC inclusive, um curto período de legalidade, de 1º de julho a 11 de agosto de 1927. Obedecendo aos ditames do V Congresso da IC, a direção do Partido lançou a palavra de ordem "Ampla agitação das massas", justificada pela necessidade de "fazer surgir o Partido da obscuridade ilegal à luz do sol da mais intensa agitação política".

Partindo da teoria à prática, criou o Bloco Operário e Camponês BOC) como uma "frente única operária", que, não por acaso, tinha na sigla as mesmas letras da conhecida e já extinta COB.

 Ainda seguindo a tática de frente, o PC-SBIC iniciou um trabalho de aproximação com Prestes, que se encontrava na Bolívia e , nessa época, ainda não se tornara comunista. .

Mas, o ano de 1928 foi marcado pela crise econômica mundial.

Pensando em aproveitar a miséria que adviria para os operários,a IC realizou o seu VI Congresso, de julho a setembro, mudando a tática de "frente única" para a de "classe contra classe". O proletariado mundial, premido pela crise, poderia ser arrastado para a revolução. Era a oportunidade para os comunistas isolarem-se e lutar contra todas as posições antagônicas, desde as burguesas até as operárias. A IC determinara o fim da "frente". Na URSS, iniciava-se a "cortina de ferro".

Tal resolução pegou o PC-SBIC de surpresa. Para as eleições de outubro de 1928, já lançara candidatos através do BOC, que, gradativamente, se vinha tornando o substituto legal do PC.

Imediatamente, o PC-SBIC convocou o seu III Congresso, realizado em dezembro de 1928 e janeiro de 1929, em Niterói. Além de reeleger  Astrojildo Pereira como secretário-geral, o Congresso do PC-SBIC determinou a intensificação do trabalho clandestino do PC,a fim de não ser ultrapassado pelo BOC. Com tal medida, pensava acalmar os chefes moscovitas, que viam no BOC a continuação da antiga tática de "frente única".

Ledo engano. Não compreendiam, ainda, os comunistas brasileiros, que a curvatura dos dorsos não era apenas temporária à guisa de um cumprimento. Ela teria que ser permanente.

Vivia-se, em Moscou, a plena época dos expurgos. O poderoso Stalin, com mão de ferro, mandava assassinar os principais dirigentes do Comitê Central (CC) e o fantasma do trotskismo servia de motivo para o prosseguimento das eliminações, tanto na "pátria-mãe" como nos partidos satélites.

A I Conferência dos Partidos Comunistas da América Latina, realizado em junho de 1929, em Buenos Aires, condenou "a politica do PC-SBIC frente à questão do Bloco Operário e Camponês e o seu atrelamento a este õrgâo" 

O ano de 1930 foi decisivo para o PC-SBIC. Em fevereiro, a IC baixou, a "Resolução sobre a questão brasileira", com base na Conferência de Buenos Aires. Nesse documento, critica a politica de frente ainda adotada pelo PC-SBIC e ironiza o BOC como sendo um "segundo partido operário". Ao mesmo tempo, induz o partido a "preparar-se para a luta, a fim de encabeçar a insurreição revolucionária".

Os dias de Astrojildo Pereira estavam contados. Em novembro de 1930, uma Conferência do PC-SBIC expulsa o secretário-geral. Em São Paulo, foi afastada uma dissidência trotskista liderada por Mário Pedrosa.

Numa guinada para a esquerda, o Partido encerra sua política de alianças, expurga os intelectuais de sua direção e inicia uma fase de proletarização.

4. A fase do obscurantismo e da indefinição

O periodo compreedido entre o final de 1930 e os meados de 1934 caracterizou-se por um quase obscurantismo do PC-SBIC, que, empregando uma linha dúbia e equivocada, se emaranhava em sucessivas crises.

 A agitação politica no Brasil, entretanto, foi intensa. Em 1930, ainda sob influência dos ideais do tenentismo, formou-se a Aliança Liberal, um agrupamento de oposições.Em outubro e novembro desse ano, não acatando o resultado das eleições presidenciais que indicara o o paulista Júlio Prestes, a Aliança, a frente de um movimento revolucionário, alçou Getúlio Vargas ao poder.

Nesse início da década de 30, o prestígio de Luiz Carlos Prestes, então exilado no Prata, ainda era muito grande. As repercussões nacionais da sua Coluna faziam-no um dos mais respeitados líderes entre os tenentes. No entanto, era, ainda, um revolucionário em busca de uma ideologia.

Em maio de 1930, Prestes criou a Liga de Ação Revolucionária (LAR), definindo-se contra a Aliança Liberal. Em março de 1931, aderiu, publicamente, ao comunismo. O PC-SBIC logo tentou incorporar a LAR. Prestes, no entanto, com a força de sua liderança, tentava engolfar o PC-SBIC.

O maior líder comunista do Brasil não pertencia aos quadros do PC!

Essa insólita situação foi, aparentemente, resolvida com uma insólita solução: Prestes deixou a Argentina e foi residir na URSS, para ser o representante brasileiro na Internacional Comunista.

Na área internacional, a política de "classe contra classe" revelara-se desastrosa para o PCUS. Não houve a tão deseja da recessão mundial, e a força de Hitler, aproximando-se, gradualmente, do Japão e da Itália, aterrorizava os soviéticos. Esses fatos marcaram uma nova linha política: foi aliviado o isolamento e retomado o diálogo com as nações ocidentais, culminando com o ingresso da URSS na Liga das Nações em 1934.

A tudo isso assistia o PC-SBIC, atarantado. Debatendo-se entre as ordens de Moscou, padecia de uma correta definição da linha política e era envolvido por sucessivas crises de direção.

Apesar do sectarismo obreirista, característico desse período, a intensificação da atividade clandestina do PC-SBIC trouxe-lhe um dividendo: o relativo sucesso no trabalho militar, de infiltração e recrutamento nas Forças Armadas.

Aproveitando o idealismo revolucionário, e até certo ponto ingênuo, do movimento tenentista conseguiu a simpatia de muitos militares. A atuação de militares no Partido, como Mauricio Grabois, Jefferson Cardin, Giocondo Dias, Gregório Bezerra Agliberto Vieira, Dinarco Reis, Agildo Barata e o próprio Prestes, são exemplos desse trabalho de infiltração e recrutamento.

Esse trabalho militar foi decisivo para o advento da primeira tentativa de tomada do poder pelos comunistas, por meio da luta armada.



O site "AVerdadeSufocada.com" não pertence ao Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, embora o mesmo faça parte da equipe que produz seus textos. Caso queira nos enviar algum texto de sua autoria e que se encaixe no contexto do site, utilize o mecanismo "Fale conosco" que o mesmo será avaliado. Não publicaremos textos que contenham qualquer tipo de referência racista, pornográfica, discriminatória ou muito agressiva. Os autores dos textos de forma alguma serão remunerados pois o site não possui finalidade econômica e financeira.

Não deixe de conhecer o livro A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça

Comentários
AdicionarPesquisar
Luiza Fraga. - O VELHO - Nelson Rodrigues. IP:189.25.25.xxx | 25-11-2009 12:31:49
Nelson Rodrigues, em sua genialiadade, deixou-nos esta crônica. Fiel e ferina, retratam sua genialiade e o predizem as gerações vindouras. A atual.

Em, " A Cabra Vadia". pg. 173, Ed.Agir.1ªedição. Publicada originalmente em "O Globo", 05/05/1968.



Em recente confissão, contei minha visita a uma grã-fina que, de três em três meses é capa de Manchete. E, de fato, sempre que Justino Martins está em apertos, vai ao arquivo e apanha a cara da minha belíssima anfitriã. O leitor nem desconfia que já viu a mesmíssima capa umas quinze vezes. Não há nada mais parecido com uma grã-fina do que outra grã-fina. Por dentro e por fora todas se parecem. Quem viu uma, viu as outras.

Entro no palácio e nada descreve minha perplexidade. Conheço, de longa data, a dona da casa. Mas como identificá-la, se lá todas se parecem entre si como soldadinhos de chumbo? Cumprimentei umas oito na ilusão de que era a própria. Até que uma delas, ligeiramente mais lânguida, ligeiramente mais afetada do que as demais, suspirou: - "Até quem fim veio à minha casa". Fez-se luz em meu espírito; era aquela.

Bom. Estou-me perdendo no secundário em prejuízo do essencial. O que eu queria dizer é que lá passei umas cinco horas. E, até o fim da noite, só se ouviu um nome e só se falou de uma figura: - Marx. Tudo era marxista. O mordomo de casaca devia ser outro marxista. Idem os garçons dos salgadinhos, uísque e champanhe. E Marx não era apenas Marx. Não. De um momento para o outro, passou a ser "o velho". Damas e cavalheiros diziam "o velho" com uma salivação intensa.

Foi quando, às folhas tantas, alguém lembrou que "o velho" era dado a furúnculos. Houve um frêmito de volúpia geral e inconfessável. Parece meio difícil emprestar-se qualquer transcendência a uma furunculose. Pois bem. Havia ali um tal clima marxista que os furúnculos do "velho" pareciam mais resplandecentes do que as chagas de Cristo. Os decotes palpitaram. Os cílios postiços tremeram. Havia como que uma voluptuosidade difusa, volatilizada, atmosférica. E, de repente, Marx deixava de ser o profeta, o gênio, o santo. Parecia mais um fauno de tapeta, torpe e senil. As damas presentes seriam ninfas também de tapete.

Por aí se vê que uma simples furunculose pode deflagrar um misterioso surto erótico. Sai de lá às quatro horas da manhã e sem me despedir. Não foi incivilidade, absolutamente. É que eu reincidia na mesma confusão visual. Como reconhecer a anfitriã, se todas as presentes eram iguaizinhas umas às outras? Vim para casa e pensara em tudo o que vira e ouvira no sarau grã-fino.

Eis o que pensava - "Como a nossa alta burguesia é marxista!". E não só a alta burguesia. Por toda parte, só esbarramos, só tropeçamos em marxistas. Um turista que por aqui passasse havia de anotar no seu caderninho: "o Brasil tem 80 milhões de marxistas". Hoje o não-marxista sente-se marginalizado, uma espécie de leproso político, ideológico, cultural, etc, etc. Só um herói, um santo, ou um louco ousaria confessar publicamente: "Meus senhores e minhas senhoras, eu não sou marxista, nunca fui marxista. E mais, considero os marxistas de minhas relações uns débeis mentais de babar na gravata".

Mas contei o episódio da furunculose para concluir: - como nós conhecemos Marx! E o conhecemos na sua intimidade mais doméstica, prosaica e profunda. Somos autoridades em seus furúnculos. Da mesma forme estamos informadíssimos sobre as suas tosses, bronquites, asmas, aerofagias, etc, etc. Resta apenas uma pergunta: - e teremos a mesma intimidade com seus escritos? Aqui se insinua a minha primeira dúvida.

Senão, vejamos. Há três ou quatro dias, fui eu a um sarau político. Lá, como no grã-finismo, o marxismo reinava. Cheguei disposto às provocações mais sórdidas. Meus bolsos estavam entupidos de notas. Reuni a fina flor da "festiva" e comecei: - "Venham ouvir umas piadas bacanérrimas. Ouçam. ouçam!". E, de repente, tornei-me extrovertido, plástico, histriônico, como um camelô na rua Santa Luzia.Promovia idéias como quem vende laranja, canetas-tinteiro, pentes, isqueiros, calicidas.

Logo juntou gente. E comecei a ler frases de recente leitura: - "O imperialismo é tarefa dos povos dominantes - Alemanha, França, Inglaterra, Estados Unidos". Estes últimos "eram os países mais progressistas do mundo". "Contra o imperialismo Russo a solução é o imperialismo britânico". Outra: -"O defeito dos ingleses é que não são bastante imperialistas".Quanto à história, "avança de leste para o oeste". O colonialismo é progressista porque os povos, domináveis e colonizáveis, só têm para dar "a estupidez primitiva".

E que dizer da China? "É uma civilização que apodrece". Por outro lado a vitória dos Estados Unidos sobre o México, em 1848, foi uma felicidade para o próprio México. Dizia o autor que eu citava: - " Presenciamos a conquista do México e regozijamo-nos porque este país, fechado em si mesmo, dilacerado por guerras civis e negando-se a toda evolução seja precipitado violentamente no movimento histórico. No seu próprio interesse, terá que suportar a tutela que, desde este momento, o Estados Unidos exercerão sobre ele".

Por outro lado, é maravilhosa a sujeição da Índia à Inglaterra. "A Alemanha é um povo superior e os latinos e os eslavos, mera gentalha". Ainda sobre os eslavos: - "Povos piolhentos, estes do Balcãs, povos de bandidos". Os búlgaros, em especial, são "povos de suínos" que "melhor estariam sob domínio turco". Em suma, todos esses povos eslavos são "povos anões", "escória de uma civilização milenar". Mais ainda: - "a expansão russa para o ocidente é a expansão da barbárie", etc. e etc.

Durante duas horas li para a "festiva". Por fim embolsei as notas, e, arquejante falei: -" Vocês ouviram. O autor ou autores citados já morreram. Quero saber se alguém tem coragem de cuspir na cova de quem escreveu tudo isso?" E outra pergunta -"Quem pensa assim ou escreve assim é um canalha? Respondam". Em fulminante resposta todos disseram:- "É um canalha!. Ainda os adverti - "Calma, calma. São dois autores! Vocês têm certeza que são dois canalhas? E canalhas abjetos?" Não houve uma única e escassa dúvida. Os marxistas ali presentes juraram que os dois autores eram "canalhas" e abjetos. E Então, só então. alcei a fronte e anunciei - "Agora ouçam os nomes dos canalhas". Pausa e disse: - "Marx e Engels". Fez-se na sala um silêncio ensurdecedor. Repeti - "Marx e Engels, os dois pulhas, segundo vocês."

Tudo aquilo estava em Marx et la politique internacionale, por Kostas Papaloanou etc. etc. Os dois, Marx e Engels, eram paladinos fanáticos do imperialismo, do colonialismo, admiradores dos ianques, russófobos. Disseram mais - "A revolução proletária acarretará um implacável terrorismo até o extermínio de todos esses povos eslavos".

Os marxistas que me ouviam eram poetas, romancistas, sociólogos, ensaístas. Intelectuais da mais alta qualidade. E entendiam tanto de Marx quanto de um texto chinês de cabeça para baixo. Eis a verdade: somos analfabetos em Marx, dolorosamente analfabetos em Marx.
[3/05/1968]
Charles Carwal - Comunismo x capitalismo IP:189.21.75.xxx | 25-11-2009 17:50:41
Millor Fernandes certa vez disse que o "capitalismo era a exploração do homem pelo homem e o comunismo o inverso". Eu acrescentaria: com a diferença substancial de que no capitalismo você tem liberdade para reclamar da exploração. No comunismo esse desejo é reprimido pelo sistema perverso.
Capiau - Continuação do comentário acim IP:200.223.251.xxx | 03-12-2009 18:09:35
Quem não for comunista que vá tomar no sul lições de exploração do homem pelo homem, se reclamar, sairá do Rio e São Paulo do jeito que chegou, com uma mão na frente e outra atras!
Não sei se Branchú existiu, contudo, suas lições foram importantes para o Brasil.
Capiau - Ia me esquecendo! IP:200.223.251.xxx | 03-12-2009 18:10:55
Com relação ao comunismo ele disse que não sabia nada, pois, o mesmo nunca existiu!
Escrever comentário.
Nome:
Tí­tulo:
Security Image

Powered by JoomlaCommentCopyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved.Homepage: http://cavo.co.nr/

 
< Anterior   Próximo >
© 2010 A verdade sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça.
Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.