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30/10 - Dando um jeito na porcaria

Por Alon Feuerwerker - Nas Entrelinhas - Correio Braziliense
A regra nas relações internacionais é o cinismo. Especialmente quando países fortes buscam justificar moralmente seus interesses imediatos. Mas movimentos cínicos e dissimulados também são úteis às nações menores, no equilibrismo que praticam para sobreviver no mundo dominado por outros.

A função dos ideólogos e doutrinários é acessória, subsidiária. Como o genial personagem (“the cleaner”, o limpador) vivido por Harvey Keitel em Pulp Fiction, a obra-prima de Quentin Tarantino. Na política mundial que conta, os homens de ideias são chamados à cena só para dar um jeito na porcaria deixada para trás pelos homens de ação.

Texto completo

O caso de Honduras é emblemático. Vamos recapitular. O presidente constitucional, Manoel Zelaya, ensaiou dar um golpe de estado. Como? Organizando uma consulta ilegal para angariar apoio à convocação de uma Assembleia Constituinte, que por sua vez revogaria a cláusula constitucional impeditiva da reeleição.

Zelaya diz que era só uma inocente “pesquisa de opinião”. Mas pesquisas se fazem por meio de empresas especializadas e gente com prancheta na mão. Não com urnas colocadas em quartéis. Elementar.  

Só que o presidente de Honduras errou no cálculo e tomou o que classicamente é o golpe de estado preventivo. Foi capturado em casa pelos militares e posto de pijama para fora do país. Tempos depois voltou clandestinamente, para abrigar-se na embaixada brasileira em Tegucigalpa. Onde está até hoje.

Ao longo destes meses, os dois lados travam uma queda-de-braço. Zelaya tem, em teoria, amplo apoio internacional. Mas a “indivisível” frente mundial zelayista está na verdade dividida. Seus aliados bolivarianos lutam para reinstalá-lo com amplos poderes. Já os Estados Unidos querem recolocar Zelaya na cadeira mas de mentirinha, sem músculos ou hormônios suficientes para retomar o projeto original. O Brasil aceita a saída americana, mas gostaria de salvar as aparências com Hugo Chávez.

Se Zelaya tivesse em Honduras um décimo do apoio que vem de fora, já estaria de volta ao poder, dando as cartas e jogando de mão. Aí o primeiro erro brasileiro no caso. Quando houve o golpe, o Itamaraty superestimou a força do presidente hondurenho e subestimou os adversários  dele. Na diplomacia, como na guerra, tomar decisões sem inteligência (informação) adequada é caminho certo para enrolar-se. E se você não tem informação, aja com cautela.

O Brasil enrolou-se em Honduras. Retirou de lá o embaixador, num gesto tão grandiloquente quanto inútil. E envolveu-se num bate-boca vazio com os golpistas. Como resultado prático, enquanto os Estados Unidos comandam o processo político local em busca de soluções, restou a nós oferecer hospedagem ao mandatário deposto. No que aliás fazemos bem. Melhor coadjuvante do que nada.

Feita a porcaria, agora aparecem os explicadores, “the cleaners”. Teoricamente, nossa posição “rígida” em Honduras decorre de firmes convicções democráticas, da repulsa a soluções autoritárias. Exigimos inclusive que os Estados Unidos promovam um bloqueio econômico àquele país. Ao mesmo tempo que pedimos o fim do bloqueio americano a Cuba, em nome da soberania que cada nação deve ter para conduzir sua política interna.

 A posição brasileira sobre Cuba é plenamente defensável à luz da história diplomática do Brasil e dos nossos interesses nacionais. Já em Honduras, o resultado prático colhido até agora é o enfraquecimento da nossa posição relativa. Se Zelaya voltar com tudo, o vencedor terá sido Chávez. Se retornar desidratado ou se tiver que aceitar fora do poder o resultado da eleição marcada para este novembro, o troféu vai para Barack Obama e Hillary Clinton.

 

Neocons

Como já repisado aqui, os movimentos brasileiros na crise hondurenha servem para cristalizar e legitimar a ideia de que a “comunidade internacional” (as grandes potências) tem o direito de imiscuir-se na economia interna de países que estejam em “déficit democrático”.

Apenas para registro, é o pilar doutrinário central do neoconservadorismo que regeu a orquestra ideológica no governo George W. Bush. Claro que ali a ideia era os Estados Unidos funcionarem como “polícia democrática” do mundo. Mas o conceito é o mesmo. Relativizar a autodeterminação nacional diante da necessidade de expandir a liberdade.
 



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Comentários
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Luiza Fraga - Recado de Lula. IP:189.25.21.xxx | 30-10-2009 11:34:44
A intervenção direta do governo brasileiro foi o que fez nascer crise em Honduras, pois a retirada de Zelaya foi legítima e constitucional, portanto, sua saída não fez nascer crise alguma.

Sua resistência a não obedecer à constituição de seu país e tentar, de forma escusa, burlá-la é que deu origem à crise no país. Absolutamente previsível com a legislação local. Previsível, pois, na esteira bolivariana, sua saída não seria fácil, mas foi, diferentemente de nós, coibida a tempo.

E veio então, o governo Petista e dá apoio ao que sofreu sanção legal, imposta por quem de direito e obrigação deveria fazê-lo. Tal ato não foi de apoio à pessoa de Zelaya, mas sim, uma afronta à soberania da força constitucional em afirmar que, obedeceremos às leis enquanto estas nos servirem.

Está Dado o Recado.

Isto foi severa intromissão em política interna de outros países. Somente para lembrar, o Brasil pleiteia cadeira permanente no Conselho de Segurança, meta que não é do governo Lulla, mas uma persecução do excelente trabalho de diplomacia que tínhamos. NA PÁGINA DAS ORGANIZAÇÕES UNIDAS, LÊ-SE A SEGUINTE NOTÍCIA:

http://www.un.org/spanish/News/fullstorynews.asp?newsID=16919&criteria1=Honduras&criteria2=Brasil – acesso em 30/10/2009


29 de octubre, 2009

GOBIERNO DE FACTO DE HONDURAS ACUSA A BRASIL ANTE CIJ

EL GOBIERNO DE FACTO DE HONDURAS ACUSÓ ANTE LA CORTE INTERNACIONAL DE JUSTICIA (CIJ) A BRASIL DE VIOLAR LA CARTA DE LA ONU Y LA CONVENCIÓN DE VIENA SOBRE RELACIONES DIPLOMÁTICAS AL ALBERGAR AL PRESIDENTE CONSTITUCIONAL, MANUEL ZELAYA, EN SU SEDE DIPLOMÁTICA DE TEGUCIGALPA.

En un comunicado, la Corte informó que había recibido la petición del embajador hondureño en Holanda, en el que argumentaba que EL GOBIERNO BRASILEÑO ESTABA INFRINGIENDO EL PRINCIPIO DE NO INTERVENCIÓN AL PERMITIR QUE ZELAYA UTILIZARA SU EMBAJADA PARA, SEGÚN DIJO, “EVADIR LA JUSTICIA”Según las autoridades de facto, el mandatario hondureño y un número indeterminado de seguidores están usando las instalaciones brasileñas “como plataforma para propaganda política, y por lo tanto amenazando la paz y el orden público en Honduras”, en momentos en que se preparan elecciones presidenciales para finales del mes próximo. La Corte Internacional de Justicia debe determinar primero si tiene jurisdicción en el caso, y si la petición es admisible.


O Princípio da Não Intervenção encontra-se no art. 19 da Carta da OEA,, que merece ser reproduzido:

““ NENHUM ESTADO OU GRUPO DE ESTADOS TEM O DIREITO DE INTERVIR DIRETA OU INDIRETAMENTE, SEJA QUAL FOR O MOTIVO, NOS ASSUNTOS INTERNOS OU EXTERNOS DE QUALQUER OUTRO. Este princípio exclui não somente a força armada, mas também qualquer outra forma de interferência ou de tendência atentatória à personalidade do Estado e dos elementos políticos, econômicos e culturais que o constituem. ””


Com também, encontra-se devidamente consagrado na Carta da ONU, art. 2º, alínea 7ª, in verbis:

““ Nenhum dispositivo da presente Carta autorizará as Nações Unidas a intervirem em assuntos que dependam essencialmente da jurisdição interna de qualquer Estado ou obrigará os membros a submeterem tais assuntos a uma solução, nos termos da presente Carta. “”

Então, para bom entendedor, pingo é letra ou não é??
Coffone IP:201.27.70.xxx | 30-10-2009 15:21:14
Torço para que Zé, o bolivariano, "retorne ao poder, bem desidratado", uma grande derrota à ínfima diplomacia brasileira e um pé na.......do Chapolin!Cara autora:notaste que marighella, o assassino, receberá, dia 04 de novembro, postumamente, o título de "cidadão paulistano"?Dê uma olhada no "artigo da Carta Maior", onde alegam, que ele foi "emboscado e fuzilado, sem chance de defesa"...faz-me rir, um crápula, extremamente perigoso, continuam insistindo na mentira, que os figuras da época, lutavam pela democracia...
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